O fenômeno climático El Niño alcançou a sua categoria de maior intensidade no Oceano Pacífico Equatorial, configurando um cenário de alerta para chuvas significativamente acima da média histórica em todo o estado do Paraná até o final de dezembro. Informações técnicas divulgadas pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) apontam a iminência de temporais severos, acompanhados por riscos consideráveis de incidência de granizo, descargas elétricas, além de episódios de alagamentos e inundações em diversas regiões paranaenses.
Os registros meteorológicos indicam que a temperatura das águas superficiais do Pacífico chegou a registrar marcas de 2,1°C acima da média na área monitorada como referência pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Projeções científicas recentes reforçam que esse aquecimento expressivo tem potencial para alcançar até 3,3°C acima da média durante o trimestre compreendido entre novembro e janeiro. Há uma probabilidade estimada em 83% de que este ciclo específico se consolide como um dos episódios de El Niño mais fortes já documentados desde o início das medições sistemáticas em 1950.
A persistência do fenômeno deve se estender pelo menos até o mês de março do ano seguinte, apresentando uma diminuição gradual em sua força somente após a passagem do pico. No contexto do Paraná, a principal apreensão das autoridades meteorológicas e de proteção civil reside na concentração de precipitações volumosas em intervalos curtos de tempo, fator que eleva drasticamente a probabilidade de ocorrência de desastres naturais associados à instabilidade climática extrema.
Defesa Civil intensifica ações preventivas nos municípios
Frente aos prognósticos apresentados pelos órgãos de monitoramento, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil intensificou e ampliou as articulações de preparação e prevenção junto às administrações municipais. Até o momento, o levantamento aponta que 278 municípios localizados no território paranaense já executaram ao menos uma atividade de cunho preventivo. Entre as medidas adotadas estão a limpeza preventiva de bueiros, galerias pluviais e sistemas de escoamento, além de serviços de desassoreamento em rios e canais urbanos, realização de reuniões comunitárias de orientação e a execução de exercícios simulados com a população.
O coronel Ivan Fernandes, que atua como coordenador-geral do Programa Brigadas Escolares, pontua que a meta central dessas iniciativas preventivas é mitigar os impactos nocivos gerados pelas chuvas intensas, com foco especial nas áreas urbanas e rurais reconhecidas como mais vulneráveis a enxurradas, alagamentos e transbordamentos.
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O oficial também chamou a atenção para o crescimento estatístico no volume de chamados e ocorrências relacionadas a desastres naturais no estado. Conforme os dados históricos da corporação, os meses de agosto e setembro contabilizaram as marcas mais expressivas de atendimentos para o período dentro da série histórica da Defesa Civil. A tendência de instabilidade teve continuidade com diversos chamados registrados já nos primeiros dias do mês de outubro.
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Realização de simulados em colégios estaduais
A estratégia de preparação preventiva também foi estendida de forma abrangente para a rede pública estadual de ensino. A estimativa é de que mais de dois mil estabelecimentos de ensino realizem exercícios práticos simulados com o intuito de treinar e orientar estudantes, professores, agentes educacionais e funcionários administrativos sobre os protocolos corretos de segurança e evacuação durante a ocorrência de intempéries severas.
A medida compõe as diretrizes do Programa Brigadas Escolares, que já prevê a execução de quatro treinamentos práticos ao longo do calendário anual. Contudo, para este trimestre final, as simulações ganham caráter prioritário no que tange aos riscos específicos decorrentes de tempestades, vendavais e demais eventos meteorológicos extremos que possam colocar a comunidade escolar em situação de vulnerabilidade.
De acordo com as diretrizes explicadas pelo coronel Ivan Fernandes, o protocolo operacional abrange o monitoramento constante dos boletins de alerta meteorológico pelas equipes de direção escolar, a clara definição das atribuições e responsabilidades atribuídas aos servidores e membros das brigadas, além da transmissão de instruções didáticas e objetivas direcionadas aos alunos.
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Disponibilização de guia prático para instituições de ensino
Visando dar suporte técnico e metodológico às instituições de ensino no planejamento dessas atividades, a Defesa Civil do estado elaborou e disponibilizou um guia completo contendo orientações detalhadas para a condução de simulados de emergência. O documento pode ser adotado tanto por colégios da rede pública quanto por unidades da rede privada de ensino, oferecendo um passo a passo estruturado para a organização dos exercícios práticos.
O material informativo foi desenvolvido por especialistas que integram a equipe técnica do Programa Brigadas Escolares e encontra-se acessível para obtenção gratuita por meio da plataforma digital oficial da Defesa Civil do Paraná.
Fonte:: cbncuritiba.com.br


