As tensões diplomáticas e geopolíticas na Ásia ganharam um novo capítulo nesta quinta-feira, 15, após declarações contundentes vindas do representante diplomático da China em Manila. O embaixador chinês na capital das Filipinas afirmou publicamente que Pequim teria capacidade para “vencer facilmente” um eventual confronto militar contra a nação filipina, embora tenha ressaltado que o governo chinês “jamais escolheria” adotar tal caminho.
A fala do diplomata ocorreu durante um discurso proferido em uma instituição de ensino na capital filipina. “Se quiséssemos usar a força, poderíamos vencer facilmente. Mas não, não escolheremos a força e amamos a paz”, pontuou o embaixador Jing Quan ao detalhar a postura de seu país em meio às recorrentes divergências territoriais que afetam a estabilidade do Pacífico.
Reação imediata do governo filipino
A repercussão da declaração foi imediata nos altos escalões do governo filipino. A chancelaria do país manifestou formalmente seu descontentamento por meio de uma nota oficial, classificando os dizeres do representante de Pequim como uma intimidação direta e inaceitável no cenário diplomático atual.
“É lamentável que o embaixador chinês Jing Quan tenha feito uma infeliz escolha de palavras, que parece transmitir uma ameaça velada de uso da força”, declarou o ministério filipino em comunicado à imprensa. O episódio acirra ainda mais os ânimos bilaterais, que já vinham sofrendo desgaste devido a incidentes navais recentes.
A manifestação da chancelaria ocorreu na sequência de outras críticas contundentes feitas por autoridades locais. Na quarta-feira, 14, véspera da declaração do embaixador, o principal chefe da Defesa das Filipinas já havia qualificado abertamente a China como um agente “perturbador” da paz e da estabilidade em toda a região asiática.
Disputas territoriais no Pacífico
O pano de fundo para este embate verbal envolve antigas e complexas disputas geopolíticas marítimas. Pequim mantém a reivindicação de soberania sobre a quase totalidade do Mar do Sul da China. Essa pretensão territorial persiste apesar de tribunais e cortes internacionais já terem emitido pareceres concluindo que as exigências chinesas carecem de fundamentos legais sob a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Nos últimos anos, a região tem testemunhado uma série de atritos operacionais. Embarcações oficiais e frotas civis de Filipinas e China têm se envolvido em confrontos frequentes, manobras de intimidação e colisões em águas disputadas, episódios que em certas ocasiões resultaram em feridos entre os tripulantes e geraram forte preocupação em potências ocidentais, como os Estados Unidos, atentos à livre navegação na rota comercial estratégica.
Fonte:: estadao.com.br


