O Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira (15) o fim da tradicional escala de trabalho 6×1 no Brasil. A medida, que altera profundamente a dinâmica das relações trabalhistas no país, gerou reações intensas de diferentes setores da sociedade, dividindo o entusiasmo de centrais sindicais e a preocupação de entidades patronais em relação aos impactos financeiros e operacionais.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) celebrou a aprovação por meio de uma publicação oficial em seu portal, classificando a decisão como uma “vitória maiúscula” da classe trabalhadora brasileira, com destaque especial para as mulheres. Segundo a entidade, a nova normativa assegura mais dignidade, saúde mental e física, além de garantir maior convivência familiar, tempo livre para o cultivo cultural e momentos de lazer. A CUT também ressaltou que atuará ativamente na fiscalização da implementação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Na mesma linha, a Força Sindical destacou em nota oficial que o texto aprovado estabelece um horizonte estruturado de adaptação e transição. Para a confederação, a mudança caminha lado a lado com as transformações globais do mercado de trabalho. A entidade também pontuou que análises econômicas e experiências internacionais indicam que a diminuição da jornada costuma impulsionar os índices de produtividade e estimular a criação de novas vagas de emprego.
Impacto direto no setor de serviços
Representantes de categorias que lidam diretamente com jornadas exaustivas comemoraram a conquista. Valdir Farias, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de São Paulo (Sinthoresp), apontou que grande parte dos profissionais do setor passa o expediente inteiro em pé, contando com apenas uma hora de intervalo. Para ele, a transição do regime 6×1 para o modelo 5×2 representa uma guinada histórica na qualidade de vida da categoria.
“99% da nossa categoria trabalha em pé, com uma hora de descanso. Essa escala 6X1, que acabou que agora é 5X2, ela vai dar um ganho de qualidade de vida para o nosso trabalhador sem precedente, uma coisa extraordinária”, declarou Farias.
Apesar do otimismo, o dirigente sindical reconhece que há desafios logísticos imediatos, como a escassez de mão de obra qualificada. Embora o sindicato capacite cerca de 900 pessoas anualmente, o volume ainda está abaixo da demanda do mercado. Contudo, Valdir avalia que a valorização salarial ajudará a atrair profissionais e solucionar o déficit rapidamente, estimulando que a fase de adaptação leve entre seis e oito meses para se estabilizar totalmente.
Visão do setor empresarial e preocupações com custos
Em contrapartida, o empresariado manifestou forte preocupação com a viabilidade financeira da mudança. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) alertou que cerca de 15 milhões de pessoas atuam no setor sob o regime de escala 6×1. Para garantir a cobertura do segundo dia de folga sem prejuízo ao atendimento, o setor estima a necessidade de contratar cerca de 3 milhões de novos trabalhadores, o que provocaria uma alta estimada em 20% nos custos operacionais.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) adotou um tom crítico severo, classificando a medida como “PEC Boca de Urna”. A federação apontou que os reflexos negativos devem atingir em cheio segmentos essenciais, como saúde, educação, transporte, redes de supermercados e o setor químico, alertando ainda para o risco de migração de trabalhadores para a informalidade.
No setor público, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) estimou que o encerramento da escala 6×1 acarretará um impacto financeiro estimado em R$ 5 bilhões anualmente aos cofres públicos municipais, sobretudo devido aos contratos com trabalhadores terceirizados que prestam serviços às prefeituras.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


