Governo aponta desafios nas relações comerciais com Estados Unidos e China

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento,...

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou recentemente que o Brasil não pode abrir mão dos Estados Unidos como parceiros comerciais, embora avalie que a nação norte-americana tem deixado a desejar no papel de grande aliada.

Durante participação na cerimônia de assinatura do Acordo de Cooperação Técnica MDIC-Sistema Indústria, realizada na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ministro detalhou o cenário diplomático e econômico enfrentado pelo país. Segundo ele, as tratativas e o ambiente bilateral não têm sido simples, sofrendo complicações mais evidentes desde maio do ano passado.

Ao traçar um panorama do comércio exterior brasileiro, Márcio Elias Rosa apontou que o país se encontra em uma posição delicada, situado entre duas grandes potências que figuram como seus principais parceiros comerciais. De um lado, descreveu a China como uma presença agressiva na tentativa de conquistar mercados; de outro, classificou os Estados Unidos como um agente que demonstra hostilidade por meio de barreiras tarifárias aplicadas aos produtos brasileiros.

“De um lado nós temos um parceiro comercial que quer tomar o nosso mercado, e de outro um parceiro comercial que se mostra hostil, com barreira tarifária aos nossos produtos, e nós estamos falando do primeiro e do segundo parceiro comercial”, pontuou o ministro durante o evento.

- Publicidade-

Novas parcerias e política industrial

Diante das complexidades com os dois maiores parceiros econômicos, o governo federal busca diversificar e fortalecer parcerias estratégicas em outras frentes globais. O representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços destacou que a gestão atual caminha para a finalização de um acordo comercial com o Canadá. Além disso, mencionou que o Japão manifestou publicamente o interesse em estabelecer um tratado de livre-comércio com o Brasil.

Para o ministro, o cenário global exige que o país mantenha uma política industrial robusta e estruturada, dotada de mecanismos eficientes de defesa comercial. Na visão da pasta, as regras do comércio internacional passaram por transformações profundas, tornando insuficientes medidas tradicionais e simplificadas, como as ações antidumping, para blindar adequadamente a produção e a indústria nacional.

Apesar dos obstáculos externos e das tensões geopolíticas, o governo mantém uma perspectiva otimista quanto aos resultados fiscais e ao desempenho das exportações. De acordo com as projeções apresentadas, o Brasil já acumulou um saldo comercial de aproximadamente US$ 55 bilhões até o final de agosto, com expectativa de encerrar o ano fiscal superando a marca de US$ 90 bilhões nesse indicador.

Reflexões sobre o cenário político interno

Ainda durante sua intervenção na CNI, Márcio Elias Rosa abriu espaço em seu discurso para comentar o clima político interno, relatando preocupação com os desdobramentos institucionais recentes. Sem mencionar diretamente o julgamento em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito de investigações envolvendo magistrados, o ministro avaliou que os episódios recentes geram impactos negativos para a imagem e a estabilidade do país.

“Eu estou muito triste, o Brasil hoje não amanheceu melhor do que amanheceu nos outros dias, o que nós assistimos ontem não foi bom, ninguém é ingênuo a ponto de achar que isso não tem nenhuma implicação”, declarou.

- Publicidade-

O ministro classificou o ambiente institucional decorrente da crise no STF como desconfortável e incomum. Questionado por jornalistas sobre possíveis manobras processuais, como o pedido de vista formulado pelo ministro Flávio Dino, Márcio Elias optou por não emitir juízo de valor, ressaltando que a posição não representaria um posicionamento oficial do governo federal sobre a controvérsia jurídica.

Fonte:: cnnbrasil.com.br

Compartilhe esta notícia