Encceja PPL atinge quase doze mil inscritos no Paraná e fomenta educação nas prisões

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Policiapenal.pr.gov.br

O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade ou sob Medida Socioeducativa (Encceja PPL) contabilizou um total de 11.873 inscrições no estado do Paraná durante a sua edição mais recente. Coordenado nacionalmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o certame tem como finalidade principal viabilizar a emissão dos diplomas referentes ao Ensino Fundamental e ao Ensino Médio para indivíduos que se encontram em situação de reclusão ou cumprimento de medidas socioeducativas.

A aplicação das avaliações ocorreu nos dias 6 e 7 do corrente mês, abrangendo diversas unidades penais estrategicamente posicionadas sob a jurisdição das nove regionais administrativas vinculadas à Polícia Penal do Paraná (PPPR). Os estabelecimentos prisionais paranaenses já mantêm, de maneira contínua, uma rotina estruturada de aulas regulares. Essa iniciativa é fruto de parcerias estabelecidas com os Centros Estaduais de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja), além da oferta recorrente de cursos técnicos e profissionalizantes desenvolvidos em conjunto com diferentes instituições de ensino parceiras.

A participação efetiva no Encceja PPL concede aos detentos a oportunidade de concluir etapas fundamentais e disciplinas específicas do ensino regular. Simultaneamente, o engajamento educacional assegura o direito à remição de pena por meio do estudo, conforme a legislação vigente, estimulando o aproveitamento acadêmico dentro do sistema penitenciário.

Logística e impacto na reintegração social

A diretora-geral da PPPR, Ananda Chalegre, enfatizou que a coordenação e a execução de um exame com essa magnitude operacional em todas as regionais do estado demandam um planejamento logístico robusto e rigoroso. “A grande adesão dos custodiados reflete o trabalho sério da Polícia Penal em estruturar o ambiente prisional para a reintegração. Garantir o acesso ao ensino é assegurar ferramentas concretas para que essas pessoas reconstruam suas trajetórias com dignidade e responsabilidade”, pontuou a gestora.

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No mesmo sentido, a chefe da Divisão de Educação e Capacitação da PPPR, Lisiane Haag Antonelli, ressaltou que a prova desempenha uma função estratégica no âmbito do sistema penitenciário estadual. “O Encceja PPL é uma das ferramentas mais poderosas de inclusão social e transformação dentro do sistema prisional brasileiro. Ao possibilitar que jovens e adultos nessa situação possam obter a certificação do Ensino Fundamental ou Médio, o exame constrói uma ponte real entre o período de reclusão e uma nova vida em sociedade, resgatando a dignidade, devolvendo ao indivíduo a perspectiva de futuro. No Paraná, a aplicação do exame ocorreu de forma tranquila e organizada”, declarou.

Panorama regional das inscrições

Entre todas as regionais administrativas da Polícia Penal do Paraná, a unidade de Londrina destacou-se ao liderar o volume de adesões ao exame, alcançando a marca de 2.805 inscritos. Na sequência do levantamento aparecem as regionais de Curitiba, com 2.549 participantes; Umuarama, registrando 1.320; Maringá, com 1.246; Ponta Grossa, somando 959; Cascavel, com 906; Guarapuava, totalizando 794; Foz do Iguaçu, com 666; e Francisco Beltrão, que contabilizou 607 inscrições.

O coordenador regional da PPPR em Londrina, Élcio Martins Basdão, comentou sobre o resultado expressivo obtido em sua jurisdição. “A realização do Encceja PPL na Regional de Londrina consolida-se como um pilar indispensável para a reintegração social e a transformação de realidades. Coordenada de forma integrada pela PPPR em conjunto com o Ceebja, a iniciativa registrou uma mobilização expressiva, alcançando um total de 2.805 pessoas privadas de liberdade que realizaram a prova distribuídas em 23 unidades prisionais da regional. Esta robusta adesão reflete o compromisso contínuo dos professores, equipes de assistência educacional e dos policiais penais de Londrina. Esse esforço mútuo na organização, logística e segurança garante impactos positivos tanto para a população carcerária quanto para toda a sociedade”, explicou.

Do montante global de 11.873 participantes registrados em território paranaense, o perfil demográfico carcerário divide-se da seguinte forma: 8.468 são custodiados em estabelecimentos penais tradicionais; 3.315 encontram-se alocados em Cadeias Públicas; e 90 detentos estão vinculados às unidades das Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC).

Estrutura e exigências das avaliações

O modelo do exame é estruturado de acordo com a etapa de ensino pretendida pelo candidato. Para o Ensino Fundamental, a avaliação é composta por quatro provas objetivas, contendo 30 questões de múltipla escolha cada, que abrangem as disciplinas de Ciências Naturais, Matemática, História, Geografia, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Artes e Educação Física, além da elaboração de uma Redação. Já para o Ensino Médio, a estrutura também conta com quatro provas objetivas de 30 questões cada, englobando Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens e Códigos, acompanhadas igualmente pela prova de Redação.

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A consolidação de exames de abrangência nacional, a exemplo do Encceja PPL e do Enem PPL, somada à manutenção de uma rede educacional contínua que atende desde a alfabetização básica até o ensino superior, reforça o compromisso institucional da Polícia Penal do Paraná em utilizar a educação como instrumento primordial de transformação humana e reintegração social efetiva.

Fonte:: policiapenal.pr.gov.br

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