Uma situação inusitada registrada recentemente em Cascavel, município localizado na região Oeste do estado do Paraná, chamou a atenção da população e ganhou repercussão em todo o país. Um urubu escolheu a churrasqueira localizada na sacada de um apartamento para montar seu ninho e, desde então, tem permanecido no local, gerando dúvidas na moradora sobre como proceder diante da presença da ave silvestre.
Diante da surpresa, a proprietária do imóvel buscou orientação especializada junto ao Instituto Água e Terra (IAT), órgão que atua vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest). Técnicos especializados em fauna silvestre realizaram uma vistoria técnica no apartamento para avaliar a ocorrência e orientar a moradora sobre os procedimentos legais e de segurança necessários, que seguem as diretrizes estabelecidas pela Lei Federal de Crimes Ambientais nº 9.605/1998.
Entendendo o comportamento da espécie em áreas urbanas
De acordo com os especialistas do IAT, a aparição de aves silvestres em ambientes urbanos, especialmente em sacadas e varandas, está relacionada ao ciclo biológico da espécie. O período reprodutivo dos urubus ocorre tradicionalmente entre os meses de julho e dezembro. Durante essa época do ano, é comum que os animais busquem locais abrigados, seguros e protegidos das intempéries para realizar a postura de seus ovos.
Os técnicos explicam que, uma vez que o ninho esteja estabelecido e os ovos tenham sido postos, a intervenção humana torna-se restrita. Nesses casos, a recomendação prioritária é aguardar o ciclo natural da espécie, permitindo que os filhotes nasçam e atinjam a fase de independência. Os filhotes dependem diretamente dos cuidados parentais para sobreviver nessa fase inicial. O período de incubação dos ovos dura aproximadamente 39 dias, enquanto os primeiros voos e a saída definitiva do ninho costumam acontecer por volta dos 70 dias de vida do animal.
Orientações de convivência e prevenção
Para evitar que situações semelhantes ocorram em outras residências, o Instituto Água e Terra destaca que medidas preventivas simples podem ser adotadas pelos moradores, especialmente em regiões onde a presença dessas aves é mais frequente. Entre as principais recomendações estão a instalação de redes de proteção nas sacadas e o uso de tampões adequados nas aberturas de churrasqueiras, impedindo o acesso físico aos espaços.
A equipe técnica do IAT elaborou uma série de diretrizes importantes para orientar a população sobre como agir na prevenção e na ocorrência de interações com urubus:
- Retirar objetos com formatos arredondados que possam simular a presença de ovos nos locais onde os urubus costumam sobrevoar, mantendo o ambiente limpo.
- Em edificações altas ou estruturas elevadas, como torres de energia, recomenda-se a instalação de espículas protetoras ou sistemas de sonar baseados em repelentes eletrônicos sonoros.
- Eliminar fatores que possam atrair a fauna silvestre para o entorno das residências, a exemplo de restos de alimentos expostos, carcaças de animais ou acúmulo de água parada.
- Evitar o uso de vidros altamente espelhados em fachadas. Caso ocorra de a ave bicar constantemente o vidro, o comportamento pode indicar uma disputa territorial contra o próprio reflexo; nessas situações, a orientação é utilizar vidros fumês ou aplicar películas foscas.
- Vedar aberturas que sirvam de rotas de entrada e saída para as aves utilizando telas de aço galvanizado.
- Caso o animal já tenha construído o ninho e iniciado a postura, jamais toque ou tente remover o bicho por conta própria. A orientação é acionar imediatamente o órgão ambiental competente da região para receber o suporte adequado.
A intervenção de órgãos ambientais especializados é fundamental para assegurar que o manejo respeite a legislação de proteção à fauna, garantindo tanto a preservação ecológica da espécie quanto a segurança e tranquilidade dos moradores nas áreas urbanas.
Fonte:: iat.pr.gov.br


