Os Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira que não acreditam que o falecimento de uma técnica de laboratório russa, que conduzia pesquisas sobre a peste em um instituto especializado, esteja vinculado a um artefato de guerra biológica. A declaração foi feita pelo presidente americano Donald Trump durante conversa com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.
“Vamos saber muito em breve, mas não achamos que seja o caso”, pontuou Trump ao ser questionado sobre a hipótese de proliferação intencional ou acidente militar. “Dizem que a situação está completamente sob controle”, completou, fazendo referência às diretrizes adotadas pelas autoridades da Rússia.
Mais cedo, o governo russo criticou a cobertura da imprensa internacional e local por repercutirem um segundo caso suspeito da doença na Sibéria, classificando a maioria das publicações sobre o tema como “falsa”. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reforçou que o volume de boatos difundidos pelos veículos de comunicação não condiz com a realidade oficial dos fatos.
No início da semana, relatos da imprensa indicavam que uma colaboradora de um centro científico havia falecido em decorrência de peste pneumônica na região siberiana, fato ocorrido na última sexta-feira, dia 2.
Darya Shipilova, de 28 anos, exercia funções no Instituto de Combate à Peste de Irkutsk, na Sibéria. A profissional foi internada na terça-feira da semana anterior, dia 29, no Hospital Distrital de Shelekhov, vindo a óbito três dias mais tarde após um quadro suspeito de infecção pulmonar severa. A agência estatal russa TASS pontuou que o diagnóstico inicial apontou pneumonia de etiologia desconhecida.
De acordo com o jornal regional People of Baikal, que baseou suas informações em fontes anônimas ligadas aos serviços de segurança da área, Darya teria se contaminado por meio do manuseio de um tubo de ensaio quebrado. A publicação também estimou que cerca de 200 pessoas que mantiveram contato com a técnica foram submetidas a medidas de quarentena.
Posição oficial e monitoramento sanitário
O Serviço Federal de Supervisão da Proteção dos Direitos do Consumidor e Bem-Estar Humano da Rússia, o Rospotrebnadzor, garantiu que não existem riscos epidemiológicos na Sibéria em função do ocorrido. O órgão destacou que o acompanhamento médico de mais de 90% dos contatos próximos da vítima foi concluído sem a detecção de patologias infecciosas.
Segundo a instituição sanitária russa, a pesquisadora possuía imunidade e havia sido devidamente vacinada contra os patógenos perigosos com os quais lidava em sua rotina profissional. Comissões técnicas especializadas em segurança biológica também teriam descartado qualquer situação de emergência no manuseio dos microrganismos.
Apesar de o episódio atrair atenção internacional, canais estatais russos optaram por manter uma cobertura restrita ou omitir detalhes, enquanto a mídia independente deu ampla repercussão ao caso. Na terça-feira, dia 6, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, cobrou maior transparência das autoridades russas.
“Compartilhar informações de forma oportuna, completa e transparente, conforme o Regulamento Sanitário Internacional, é essencial para esclarecer relatos conflitantes e permitir uma avaliação precisa dos possíveis riscos à saúde pública”, declarou Adhanom através de uma postagem em sua conta na rede social X. O dirigente também mencionou que a agência internacional recebeu informes sobre um segundo funcionário do mesmo instituto com sintomas respiratórios indeterminados.
Cobranças diplomáticas e alerta de viagem
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, corroborou a necessidade de cooperação e abertura informativa por parte de Moscou. Em declaração pública realizada em Reykjavik, Rubio frisou que cabe ao governo russo compartilhar dados detalhados com a comunidade global.
O Departamento de Estado americano confirmou o envio de um pedido formal por canais diplomáticos em busca de esclarecimentos adicionais. Em resposta às demandas, o Kremlin alegou desconhecer tais solicitações oficiais até o momento.
Paralelamente, a Comissão Europeia exigiu que a administração russa forneça dados céleres e transparentes. No âmbito diplomático bilateral, o presidente Donald Trump sinalizou a intenção de dialogar em breve por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir o panorama sanitário. Contudo, o governo russo informou que a ligação ainda não foi pauta de acertos concretos.
Como medida preventiva, a Embaixada dos EUA em Moscou emitiu um alerta de saúde aconselhando cidadãos norte-americanos a ponderarem a saída do território russo devido às incertezas epidemiológicas.
Vigilância em países vizinhos
Diante das notícias veiculadas ao longo da semana, governos da região intensificaram o monitoramento nas fronteiras. A Mongólia comunicou o estabelecimento de barreiras de vigilância sanitária em sua divisa territorial com a Rússia.
“Embora o nível de risco atual seja considerado baixo, o Ministério da Saúde instruiu os órgãos competentes a adotar medidas de precaução e a manter vigilância e acompanhamento contínuos, a fim de prevenir possíveis riscos”, pontuou a administração mongol em comunicado oficial.
Fonte:: estadao.com.br


