Exposição em São Paulo celebra a trajetória e os 90 anos de Tom Zé

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Para celebrar as nove décadas de vida do cantor e compositor baiano Tom Zé, a Caixa Cultural de São Paulo inaugurou uma exposição sensorial e interativa. A mostra convida o público a mergulhar na trajetória, nas referências literárias e musicais, e nas inovações artísticas de um dos nomes mais criativos da cultura brasileira.

Ao visitar a montagem na capital paulista, o próprio artista não escondeu o entusiasmo. “Ah, eu fiquei criança”, brincou Tom Zé durante a prévia realizada no centro de São Paulo. “Eu fiquei criança de alegria, Deus seja louvado. E abençoado seja quem tomou todo esse tempo de trabalho, com cada detalhe e cada coisa funcionando”, completou o compositor, que celebra oficialmente seus 90 anos de idade.

Batizada de Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons, a exposição reúne memórias, fonogramas e elementos visuais que contam a história do músico nascido em Irará, na Bahia, em 11 de outubro de 1936.

De acordo com a curadora Neuseli Martins, o projeto foi concebido para ir além da contemplação visual. “Esta não é uma exposição apenas para você olhar, mas para você vivenciar também. Então, você tem vários ambientes que fazem referência a momentos da vida do Tom Zé”, destacou.

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Uma viagem pela obra do artista

O percurso da exposição começa em um espaço voltado às memórias e influências musicais e literárias que moldaram o repertório do artista. A rota também relembra marcos históricos, como a vitória de Tom Zé no 4º Festival de Música Popular Brasileira, em 1968, quando conquistou o público e os jurados com a canção São Paulo, Meu Amor.

A estrutura da mostra simula diferentes fases da vida e da carreira do homenageado. “A gente tem um ambiente que é a casa dele, outro dedicado aos festivais aqui em São Paulo e, depois, a gente tem um outro ambiente que é um momento em que ele começa a criar os instrumentos e trazer muitas diferentes alternativas para a música, porque ele achava que tinha mais coisa para ser explorada, não somente aquilo que ele já ouvia. Ele queria novos sons”, detalhou a curadora.

São Paulo (SP) - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Entre as atrações interativas, os visitantes têm a oportunidade de tocar em uma réplica do buzinório — instrumento musical inventado por Tom Zé a partir de buzinas de automóveis — e deixar mensagens escritas direcionadas ao músico.

Entre os primeiros a conferir a homenagem esteve o músico Jarbas Mariz, que integrou a banda de Tom Zé por 32 anos. Ele relembrou que a parceria de longa data começou em 1988, após ser apresentado ao compositor por um amigo comum.

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“O Tom Zé chegou assim: ‘Ah, meu querido’, como se já me conhecesse há um tempo”, recordou Jarbas. “Ele chegou e disse: ‘Você topa ceder dois anos e meio da sua carreira para trabalhar comigo?’ Eu digo: ‘Claro’. E aí esses dois anos e meio viraram 32.”

O instrumentista destacou que o convívio diário ensinou lições valiosas sobre rigor profissional e reinvenção sonora. “Tom Zé é assim, ele marca um horário para ensaiar às 9h. Mas, se você chegar às 9h, está atrasado”, divertiu-se. “Aprendi muito com ele como pegar qualquer instrumento e transformar aquilo ali em som e colocar na sua música também.”

Réplica do buzinório, instrumento musical criado por Tom Zé. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

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Legado e vitalidade

Reconhecido internacionalmente como um dos pilares do tropicalismo — movimento de vanguarda que revolucionou a cultura brasileira nos anos 1960 com contestação política e inovação estética —, Tom Zé mantém uma relação estreita com a capital paulista. Desde 2022, ele ocupa uma cadeira na Academia Paulista de Letras.

Mesmo às vésperas de completar nove décadas de vida, o compositor mantém uma rotina intensa de cuidados e criação artística. “De manhã, faço práticas que têm a ver com todo o funcionamento humano. E, enquanto eu fizer isso, eu vou estar vivo, se Deus quiser”, afirmou. “Então, eu estou a fim de chegar aos 100.”

Tom Zé visita exposição em homenagem aos seus 90 anos na Caixa Cultural São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Para a equipe curatorial, a longevidade criativa do músico serve como fonte constante de combustível cultural. “Ele inspira pessoas dos 10 aos 100 anos. Estamos vendo ele ainda em atividade, criando, gravando e principalmente dialogando com várias gerações. Eu acho isso uma característica muito incrível”, pontuou Neuseli Martins.

Exposição na Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

A exposição Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons tem entrada gratuita e permanece em cartaz até o dia 13 de dezembro na Caixa Cultural São Paulo, situada na Praça da Sé, no centro da capital. Outros detalhes sobre a programação podem ser consultados neste link ou nos canais oficiais da instituição na internet.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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