Ex-comandante da Rotam de Guaratuba é denunciado pelo Gaeco por corrupção e associação ao tráfico

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Folhadolitoral.com.br

O Ministério Público do Paraná (MPPR), por intermédio do Núcleo Regional de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), formalizou uma denúncia contra um ex-policial militar. Ele é acusado formalmente pelos crimes de associação para o tráfico de entorpecentes e corrupção passiva. De acordo com as investigações conduzidas pelo órgão ministerial, o ex-agente público teria se valido de prerrogativas e dados privilegiados inerentes ao seu cargo para favorecer um esquema criminoso voltado ao tráfico de drogas no litoral paranaense, obt vantagem financeira ilícita.

Os episódios investigados concentram-se no período entre abril e agosto de 2022, abrangendo as cidades de Guaratuba e Paranaguá. Naquela época, o denunciado exercia a função de comandante da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) na região de Guaratuba. Conforme os apontamentos da denúncia, o outro indivíduo investigado no caso figurava como um dos principais operadores logísticos do narcotráfico no litoral do estado. Esse segundo envolvido já acumulava passagens policiais e investigações anteriores por furtos, constituição de organização criminosa para fins de tráfico e lavagem de dinheiro, além de ter tido um mandado de prisão preventiva decretado contra si nos últimos meses de 2022.

Dinâmica do esquema criminoso

Os levantamentos realizados pelo Gaeco indicam que, em abril de 2022, o então policial militar conseguiu o contato telefônico do narcotraficante e iniciou as tratativas. Apresentando-se falsamente como um agente corrupto lotado no setor operacional do Ministério Público, o oficial teria ouvido do criminoso uma oferta de propina no valor de R$ 50 mil mensais. Em troca, o policial repassaria informações estratégicas capazes de blindar a atividade ilícita e garantir a impunidade do traficante. Contudo, em vez de recusar a abordagem, o então comandante formulou uma contraproposta, exigindo integração direta nas operações de tráfico de drogas.

Por meio de quebra de sigilo e análises técnicas, os investigadores rastrearam diálogos mantidos entre os dois suspeitos utilizando o aplicativo de mensagens criptografadas Threema. De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público, o teor das conversas comprova que a interação ultrapassou a esfera de uma suposta apuração policial irregular, caracterizando um vínculo estável, permanente e colaborativo voltado estritamente à prática delituosa do narcotráfico.

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Entre os dados confidenciais repassados pelo ex-policial ao traficante estavam avisos prévios sobre incursões de segurança, movimentações táticas das equipes policiais, execuções de prisões e expedição de mandados judiciais. Consta ainda na denúncia que o militar realizava consultas frequentes em bancos de dados corporativos da corporação para checar a existência de mandados de prisão em aberto contra nomes sugeridos pelo criminoso. Para ampliar o escopo de informações privilegiadas, o ex-comandante teria recorrido a colegas de farda para obter detalhes sobre operações conduzidas pela Patrulha Costeira e pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), repassando todo o panorama ao chefe do esquema.

Promessa de vantagem indevida

Além da acusação de associação criminosa para o tráfico, o Ministério Público imputou ao ex-policial militar a prática de corrupção passiva. Segundo os registros da denúncia, no dia 24 de agosto de 2022, o investigado aceitou a promessa de receber uma vantagem patrimonial indevida consubstanciada em uma motocicleta modelo Yamaha MT-09, cujo valor de mercado na época era estimado em aproximadamente R$ 57 mil.

O repasse do veículo de alta cilindrada funcionaria como retribuição direta pelos serviços prestados no vazamento de informações sigilosas obtidas em razão da função policial, o que incluía a revelação de detalhes sobre operações iminentes, localização de alvos de mandados de prisão e monitoramento de indivíduos ligados ao comércio ilegal de substâncias entorpecentes na região costeira paranaense.

Fonte:: folhadolitoral.com.br

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