Ex-deputado th joias vira réu na justiça federal por ligação com facção criminosa

Marcelo Borges
8 min. de leitura
© Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro/Divu...

O ex-deputado estadual no Rio de Janeiro Thiago Raimundo de Oliveira Santos, conhecido popularmente como TH Joias, tornou-se réu em um processo conduzido pela Justiça Federal. Ele é apontado pelas autoridades como suspeito de manter laços e envolvimento direto com o Comando Vermelho (CV), que é considerada a maior facção criminosa em atuação no estado fluminense.

A prisão de TH Joias ocorreu inicialmente em setembro de 2025, durante a deflagração da Operação Zargun. O objetivo principal da força-tarefa era desarticular uma organização criminosa complexa, cujos tentáculos alcançavam o tráfico internacional e local de armas de fogo, o comércio ilegal de entorpecentes, além de esquemas de corrupção sistêmica.

No período em que foi detido pelas autoridades policiais, TH Joias exercia mandato parlamentar na condição de suplente na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Com o desdobramento de sua prisão e o afastamento das funções, o titular da vaga retornou à Casa Legislativa, fazendo com que o ex-parlamentar perdesse o mandato e a imunidade imediata decorrente do cargo.

Após a conclusão das fases investigativas conduzidas pela Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) formalizou a denúncia perante o Poder Judiciário. Além de TH Joias, a Justiça Federal aceitou a denúncia e transformou outras cinco pessoas em réus no mesmo processo judicial, compondo uma rede de suspeitos com diferentes papéis dentro da suposta organização criminosa.

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Entre os nomes que passaram a figurar como réus na ação penal estão Gabriel Dias de Oliveira, identificado pelas investigações sob a alcunha de “Índio” e apontado como membro atuante da facção no Complexo do Alemão; Luciano Martiniano da Silva, conhecido como “Pezão”, apontado como uma das principais lideranças do mesmo complexo de favelas; e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, chamado de “Dudu” e apontado na denúncia como empresário com conexões no esquema ilegal.

A lista de acusados inclui ainda Alessandro Pitombeira Carracena, que atuou como ex-secretário estadual de Esportes e acumulou cargos comissionados na estrutura administrativa da Alerj, e Gustavo Stteel, que exercia a função de delegado da Polícia Federal.

O caso é relatado pelo desembargador federal Flávio Oliveira Lucas no Tribunal Regional Federal. Em decisões recentes da corte, a prisão preventiva dos principais investigados foi mantida para garantir a ordem pública e o andamento das apurações. A única exceção estabelecida pelo colegiado beneficiou o delegado federal Gustavo Stteel, que teve a prisão convertida em domiciliar. Ele deverá cumprir medidas cautelares rigorosas, incluindo restrições severas ao exercício de suas atividades cotidianas, monitoramento eletrônico por tornozeleira e o afastamento cautelar de suas funções institucionais na Polícia Federal.

Em contrapartida, para o ex-deputado TH Joias, o tribunal determinou a transferência imediata de sua custódia para o sistema penitenciário federal, onde deverá permanecer isolado devido à gravidade dos crimes imputados. Enquanto isso, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, permanece considerado foragido da Justiça, com mandados de prisão em aberto.

Os réus agora respondem formalmente perante a Justiça por uma extensa lista de graves acusações penais. Entre os delitos listados na denúncia do Ministério Público Federal estão a participação em organização criminosa, tráfico de drogas, tráfico internacional de armamentos, comércio ilegal de armas de fogo, associação voltada para o tráfico, posse ou porte ilegal de armas de fogo de uso restrito, além de crimes de corrupção ativa e passiva.

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Articulação política e conexões com o crime

De acordo com o embasamento apresentado pela acusação, o ex-deputado TH Joias exercia uma função estratégica dentro da organização criminosa. Ele supostamente atuava como o elo de ligação e articulação entre os chefes da quadrilha e agentes públicos infiltrados em órgãos do governo, participando ativamente de negociações ilícitas que envolviam remessas de entorpecentes, armamentos pesados e até equipamentos tecnológicos militares, como dispositivos antidrones.

As investigações apontam que o gabinete parlamentar ocupado pelo político era utilizado como estrutura de apoio para abrigar indicações políticas e interesses da facção criminosa dentro da máquina pública. O Ministério Público Federal sustenta que o grupo mantinha parcerias sólidas com o Comando Vermelho, tendo participado diretamente de esquemas de aquisição e distribuição de armamentos contrabandeados do Paraguai para abastecer as comunidades dominadas.

No que tange aos demais acusados, o inquérito policial revela que o ex-secretário Alessandro Pitombeira Carracena utilizava sua posição governamental para vazar informações sigilosas de operações policiais em troca de vantagens financeiras indevidas. Por sua vez, o delegado Gustavo Stteel é acusado de repassar dados privilegiados sigilosos e de tentar intervir diretamente junto a autoridades para beneficiar os líderes da quadrilha criminosa, cobrando como contrapartida a obtenção de cargos públicos estratégicos para sua companheira.

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Desdobramentos na cúpula política fluminense

A Operação Zargun, que resultou inicialmente na prisão de TH Joias, acabou gerando graves desdobramentos na mais alta cúpula da política do estado do Rio de Janeiro. Exatamente três meses após a prisão do ex-deputado, uma nova etapa investigativa, batizada de Operação Unha e Carne, culminou na prisão do então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Rodrigo Bacellar (União).

As apurações apontaram que Bacellar teria repassado informações confidenciais sobre a Operação Zargun diretamente a TH Joias para alertar o grupo. O parlamentar chegou a passar cinco dias sob custódia após uma determinação expedida pelo Supremo Tribunal Federal, sendo posteriormente libertado em decorrência de uma resolução da própria Alerj que revogou a medida restritiva com base em prerrogativas constitucionais. No dia posterior à sua soltura, o deputado optou por se licenciar formalmente do comando da casa legislativa.

Rodrigo Bacellar, que havia inclusive exercido o cargo de governador interino do estado em momentos anteriores, figurava nos bastidores políticos como um dos principais nomes cotados para disputar o Palácio Guanabara nas eleições majoritárias estaduais previstas para outubro de 2026. A sua saída definitiva da presidência da Alerj provocou uma reorganização na linha sucessória do governo estadual, fazendo com que o comando do Poder Executivo fluminense passasse a ser exercido de maneira interina pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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