A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) e outras forças de inteligência militar e de segurança cibernética atuarão na proteção dos sistemas eleitorais durante o pleito de meio de mandato em novembro, conforme declarou o secretário de Guerra, Pete Hegseth.
Especialistas militares em segurança digital prestam apoio rotineiro no monitoramento de sistemas e na dissuasão de potenciais hackers desde que os equipamentos de votação receberam a classificação oficial de “infraestrutura crítica” no ano de 2017.
Contudo, o pronunciamento de Hegseth acontece logo após o presidente Donald Trump determinar o desmonte da agência civil que havia sido criada exclusivamente com o objetivo de resguardar a infraestrutura das eleições, uma divisão específica do Departamento de Segurança Interna conhecida como Agência de Cibersegurança e Segurança de Infraestrutura dos EUA.
Planos de contingência e prazos apertados
Recentemente, a referida agência divulgou um plano voltado à segurança da infraestrutura de votação, mapeando potenciais vulnerabilidades nos sistemas e detalhando os serviços que seriam disponibilizados às autoridades locais para garantir a integridade do processo.
A proximidade entre o anúncio e a data oficial do pleito, somada ao fato de que a votação antecipada já se encontra em andamento, gerou críticas de especialistas na área. Para David Becker, ex-procurador do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e dirigente da organização Center for Election Innovation & Research, a medida tem caráter questionável.
“Se o governo estivesse realmente empenhado em ajudar as autoridades eleitorais estaduais e locais, não teria desmantelado toda a capacidade de segurança cibernética eleitoral do governo federal e demitido todos os seus especialistas no início de 2025”, apontou o especialista.
Preocupações com a integridade democrática
Apesar de o suporte técnico prestado pela NSA e pelo Comando Cibernético dos Estados Unidos seguir uma rotina estabelecida, diversos analistas políticos, entidades de direitos civis e representantes eleitorais mantêm cautela diante de possíveis interferências na apuração por parte da atual administração federal.
O cenário é intensificado pelas recorrentes declarações falsas divulgadas pelo presidente sobre supostas fraudes eleitorais, enquanto ocorrem tentativas de influenciar normas e procedimentos tradicionais de votação no país.
Nesse contexto judicial e político, a Suprema Corte dos Estados Unidos impediu uma iniciativa da gestão de Trump voltada a restringir o voto por correio, embora tenha autorizado a implementação de um sistema federal de dados para checagem da cidadania dos votantes.
De acordo com memorando assinado em 22 de setembro e tornado público, Hegseth determinou que o setor de inteligência de defesa empenhe todos os meios disponíveis “para defender nossa infraestrutura eleitoral contra influências malignas estrangeiras e garantir que todo eleitor legítimo possa votar livre de intimidação, coerção ou medo por parte de forças estrangeiras”.
Fonte:: estadao.com.br


