A Argentina deu mais um passo decisivo em direção ao alinhamento diplomático e econômico com os Estados Unidos nesta quinta-feira, 27. O governo sul-americano passou a classificar oficialmente a potência norte-americana como seu principal parceiro estratégico externo. A declaração ocorre no mesmo momento em que a administração liderada por Javier Milei consegue avanços importantes no Congresso Nacional com a aprovação de uma profunda reforma na Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina (BCRA), considerada pelo Palácio da Rosada como a base fundamental para o seu programa de controle e combate à inflação.
O anúncio da parceria prioritária foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, por meio de uma postagem em sua conta oficial na rede social X. O diplomata detalhou que manteve uma reunião de trabalho com o Representante Comercial Adjunto dos Estados Unidos, Jeffrey Goettman. Na ocasião, Quirno enfatizou que os norte-americanos representam a maior fonte de aporte de capital estrangeiro na economia argentina, acumulando um montante superior a US$ 35,3 bilhões em investimentos diretos realizados no país.
De acordo com os dados apresentados pelo chanceler, o intercâmbio comercial entre as duas nações registra trajetória de forte expansão. No intervalo compreendido entre os meses de janeiro e julho de 2026, as vendas externas da Argentina destinadas ao mercado norte-americano alcançaram a marca de quase US$ 6 bilhões. Esse volume representa um crescimento expressivo de 38% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com esses números, os Estados Unidos respondem por 10% de tudo o que a Argentina exporta, consolidando-se firmemente como o segundo principal destino dos produtos nacionais. Quirno ressaltou que os setores que mais puxaram esse avanço foram o de carnes, o metalúrgico, o de combustíveis e o de energia.
O ministro das Relações Exteriores também relembrou que, em fevereiro, os dois governos assinaram formalmente o Acordo sobre Comércio e Investimentos Recíprocos. O pacto funciona atualmente como o marco regulatório e estrutural para as negociações bilaterais. Conforme explicou o representante do governo argentino, a assinatura permitiu que o país conseguisse ampliar consideravelmente sua cota de exportação de carne bovina para o mercado dos Estados Unidos, saltando de 20 mil para 100 mil toneladas com acesso preferencial. Adicionalmente, Quirno celebrou o fato de que a balança comercial bilateral fechou o período de 2026 com um superávit favorável à Argentina estimado em US$ 2 bilhões.
Avanço legislativo e reestruturação monetária
Enquanto a agenda externa ganha novos contornos, a frente interna do governo também registrou vitórias significativas no Poder Legislativo. A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, em votação que resultou em “meia sanção”, o projeto de lei que reestrutura as normas de funcionamento do Banco Central. A proposta obteve o apoio de 144 parlamentares, enquanto 102 votaram contra e nove preferiram a abstenção, conforme informações divulgadas pelo jornal Perfil.
O texto aprovado promove alterações profundas na instituição financeira. Entre as principais mudanças, a reforma redefine de maneira estrita o mandato principal do Banco Central, impõe restrições severas aos mecanismos tradicionais de financiamento direto ao setor público e estabelece limites rígidos para a transferência de resultados financeiros ao Tesouro Nacional. A medida visa blindar a emissão monetária contra pressões políticas e fiscais.
Logo após a votação na Câmara, o presidente Javier Milei utilizou a rede social X para agradecer publicamente aos deputados que votaram a favor da matéria. O chefe de Estado classificou a aprovação como um passo histórico e fundamental para eliminar definitivamente a inflação do país. Na mesma linha, o ministro da Economia, Luis Caputo, manifestou seu apoio aos parlamentares governistas, chegando a chamá-los de heróis pela coragem de aprovar as modificações estruturais. Para que a reforma passe a valer integralmente e entre em vigor como lei do país, o texto agora precisa ser encaminhado e aprovado pelo Senado.
Fonte:: estadao.com.br


