Rússia intensifica seus ataques contra a Ucrânia enquanto Trump comenta sobre possível paz

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Na quarta-feira, 13, mais de 100 drones russos foram utilizados em ataques a áreas na Ucrânia, conforme declaração do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski. A afirmação veio poucas horas após uma nova série de ataques a municípios civis, que resultaram na morte de pelo menos oito pessoas.

Zelenski destacou em uma publicação no X que “A Rússia continua seus ataques e faz isso de forma descarada – mirando deliberadamente nossa infraestrutura ferroviária e locais civis em nossas cidades.”

Os constantes ataques da Rússia contra a Ucrânia ocorrem mesmo quando o país se sente encorajado por recentes avanços militares, enquanto o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, mencionam – sem apresentar evidências – a possibilidade de que a guerra, que já dura quatro anos, esteja se aproximando do fim.

Os ataques noturnos afetaram a infraestrutura residencial e ferroviária nas regiões centrais de Dnipro e Kharkiv, além de instalações portuárias na região sul de Odessa e de energia na região central de Poltava, conforme relatado por Zelenski. No dia anterior, 12, ele informou que 14 regiões foram alvo de ataques durante o dia.

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O presidente ucraniano destacou a importância de apoiar a Ucrânia e de não manter silêncio sobre a agressão russa. “Toda vez que a guerra desaparece das principais notícias, isso incentiva a Rússia a se tornar ainda mais brutal”, declarou Zelenski, referindo-se à atenção global voltada para a guerra no Irã.

Trump e Putin discutem a possibilidade de um fim para a guerra

Na terça-feira, Trump comentou que acredita que um acordo entre Moscou e Kiev para encerrar os conflitos está próximo. “O fim da guerra na Ucrânia, eu realmente acho que está muito próximo”, declarou Trump a jornalistas ao deixar a Casa Branca a caminho de uma cúpula em Pequim. “Acreditem ou não, está ficando mais perto.”

Por sua vez, Putin, em um discurso no último fim de semana, insinuou que sua invasão à Ucrânia pode estar “chegando ao fim”.

Ainda assim, nenhum dos líderes esclareceu os motivos que os levam a acreditar em uma possível paz em um conflito que se estende por mais tempo do que qualquer outra disputa na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Os esforços diplomáticos promovidos pelos EUA ao longo do último ano não avançaram, visto que não houve progresso em questões fundamentais, como a permanência da Rússia nas terras ucranianas que ocupa e como evitar futuras invasões.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, indicou que as condições essenciais de Moscou permanecem as mesmas. Putin reiterou a exigência de que a Ucrânia retire suas tropas de quatro regiões – Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia – que a Rússia anexou de maneira ilegal em setembro de 2022, mas que ainda não controla totalmente.

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Peskov afirmou: “Nesse ponto, um cessar-fogo será estabelecido, e as partes poderão entrar em negociações de forma tranquila, que, aliás, serão inevitavelmente muito complexas e envolverão muitos detalhes importantes”.

Zelenski, por sua vez, reafirmou o compromisso de manter a pressão sobre Moscou para que este faça concessões nas negociações. “Não estamos desistindo dos esforços diplomáticos e esperamos que a pressão sobre a Rússia, junto com negociações em diferentes formatos, ajude a trazer a paz”, declarou durante um discurso nesta quarta-feira em Bucareste, na Romênia, para representantes dos países do flanco oriental da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“As sanções estão funcionando, nossas capacidades de longo alcance [drones e mísseis] estão funcionando, e todas as formas de pressão estão funcionando”, acrescentou Zelenski.

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Enquanto isso, governos europeus estão considerando a viabilidade de abrir negociações com Putin. A Europa, nos últimos anos, tem se esforçado para isolar o líder russo, aplicando sanções internacionais ao seu país.

Combates parecem se tornar favoráveis à Ucrânia

A dinâmica da guerra mudou nos últimos meses. Enquanto a Ucrânia passou a solicitar apoio internacional para sua defesa, agora está oferecendo sua experiência a outras nações sobre como repelir ataques, impulsionada pela tecnologia de drones desenvolvida internamente.

Os ataques ucranianos de longo alcance com drones e mísseis têm provocado interrupções em instalações energéticas e fábricas no interior da Rússia, resultando em relatos de ataques em três regiões nesta quarta-feira. O Ministério da Defesa da Rússia informou que suas forças interceptaram e destruíram 286 drones ucranianos em diversas regiões, incluindo a Península da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia, além do Mar de Azov e do Mar Negro.

Na linha de frente de 1.250 quilômetros, a ofensiva do Exército da Rússia, que é numericamente maior e mais bem equipado, desacelerou a cada mês desde outubro, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).

A ofensiva de primavera da Rússia já não apresenta a mesma força, e no mês passado, apesar da continuidade dos combates, as tropas russas sofreram perdas líquidas de território pela primeira vez desde 2024, conforme informa o ISW.

“Não apenas as linhas defensivas ucranianas estão resistindo, como as forças da Ucrânia conseguiram disputar a iniciativa tática em várias áreas da linha de frente, mesmo enquanto a Rússia continua a perder um número desproporcional de soldados para conquistar ganhos mínimos”, afirmou o ISW em comunicado na terça-feira.

Fonte: estadao.com.br

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