Iniciativa em penitenciária paranaense une sustentabilidade e capacitação profissional

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Policiapenal.pr.gov.br

As mulheres em cumprimento de pena na Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu – Unidade de Progressão (PFF-UP) integram uma iniciativa que alia preservação ecológica, capacitação profissional e fomento à autonomia financeira. Trata-se do projeto interdisciplinar intitulado “Transformando Resíduos em Oportunidades: Reciclagem, Artesanato e Geração de Renda”, promovido pelo Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja) Helena Kolody.

A atividade articula conteúdos das disciplinas de Ciências, Biologia, História, Artes e Sociologia com o objetivo de preparar as custodiadas por meio do empreendedorismo sustentável. Utilizando a técnica de decoupage sobre recipientes de vidro, a iniciativa converte materiais que seriam descartados em artigos com valor comercial, promovendo simultaneamente a conscientização ambiental e a preparação para o mercado de trabalho.

O desenvolvimento das atividades ocorre em fases práticas e teóricas. O processo começa com orientações sobre a destinação correta de resíduos e a higienização de potes e garrafas de vidro. Em seguida, os itens recebem personalização artesanal, transformando-se em peças decorativas, suportes organizadores, luminárias e artigos para presentes. Além do vidro, o programa recolhe óleo de cozinha usado para a produção de sabão ecológico, aplicando princípios fundamentais de química responsável e segurança.

Cássio Rodrigo Pompeo, coordenador regional da Polícia Penal do Paraná (PPPR) em Foz do Iguaçu, pontua que a atuação da instituição ultrapassa a vigilância e a custódia. O representante ressalta o compromisso com a humanização e a reintegração social, enfatizando que ações educativas oferecem dignidade e recursos práticos para que as participantes construam uma nova trajetória ao retornarem à sociedade.

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A professora Maria de Lurdes, mentora da iniciativa, destaca o alcance pedagógico da proposta. Para a educadora, o propósito é evidenciar que a sustentabilidade pode dialogar diretamente com a atividade econômica. Ao observarem a transformação de resíduos em objetos comercializáveis, as alunas desenvolvem a percepção sobre o próprio potencial criativo e de reinvenção.

O programa incorpora ainda fundamentos de educação financeira e empreendedorismo. As participantes são instruídas sobre a elaboração de planilhas de custos, cálculo de margens de lucro, precificação, desenvolvimento de embalagens e estratégias de comercialização para eventos como feiras e bazares. O treinamento visa introduzir conceitos essenciais para o estabelecimento de futuras iniciativas de economia solidária e microempreendedorismo.

Ao conectar conservação ambiental, desenvolvimento humano e qualificação profissional, o projeto consolida a função da instituição de ensino como ferramenta de reinserção social e assegura o direito à remição de pena por meio das atividades educacionais.

A pedagoga Josiane Kojo enfatiza a relevância da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no contexto prisional. Segundo a profissional, o ensino voltado a pessoas privadas de liberdade deve prover instrumentos concretos para o porvir, assegurando que, ao obterem a liberdade, as mulheres disponham de qualificação técnica e capacidade para assegurar o próprio sustento com autonomia.

A diretora da PFF-UP, Helena Maria Almeida Pasin, avalia que o projeto reflete a capacidade emancipatória da educação. A gestora salienta que a união entre ecologia, qualificação e negócios fomenta perspectivas inéditas de independência financeira e reestruturação social, parabenizando o corpo docente e a equipe técnica envolvidos na execução das atividades.

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Fonte:: policiapenal.pr.gov.br

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