Pesquisa paranaense define finalistas da etapa estadual em premiação científica

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

Um grupo formado por 72 pesquisadores garantiu a classificação na etapa regional da 39ª edição do Prêmio Paranaense de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, iniciativa do Governo do Estado reconhecida como uma das principais premiações do país no setor científico em volume de recursos investidos e número de contemplados. Agora, os selecionados avançam para a fase estadual, onde passam pelo escrutínio de comissões avaliadoras compostas por especialistas encarregados de selecionar os 16 grandes vencedores desta edição.

O processo de avaliação desta nova fase segue em andamento até o dia 26 de outubro, com a expectativa de divulgação oficial dos resultados no dia 24 de novembro. Na primeira etapa, os vencedores da primeira fase dividiram R$ 197 mil em premiações em dinheiro, contemplando seis categorias acadêmicas voltadas às áreas de Ciências Agrárias; Ciências Sociais Aplicadas; além de Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes.

Os classificados estão vinculados a 17 instituições de ensino e pesquisa sediadas em Curitiba e a outros 22 municípios distribuídos pelas diferentes regiões do estado. Do total de premiados na fase regional, a grande maioria — 63 participantes — atua como professor universitário. A lista de contemplados conta ainda com cinco alunos de pós-graduação, dois estudantes de graduação e dois pesquisadores vinculados ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR).

Etapa estadual amplia premiação e categorias

Para a fase final e decisiva, a previsão orçamentária para a premiação chega a R$ 595 mil. Os recursos financeiros são provenientes do Fundo Paraná, mecanismo de fomento científico que opera como uma dotação constitucional administrada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Nesta etapa, a disputa se expande para abranger mais duas frentes de reconhecimento: a categoria de Jornalismo Científico, que conta com oito finalistas cujas reportagens abordam temas inseridos nas três grandes áreas do conhecimento desta edição; e a categoria de Inventor Independente, que reúne cinco concorrentes com protótipos criados fora dos limites tradicionais dos ambientes acadêmicos.

- Publicidade-

De acordo com Marcos Aurélio Pelegrina, diretor de Ciência e Tecnologia da pasta estadual, a iniciativa busca impulsionar e valorizar a produção científica desenvolvida no território paranaense. “O governo atua para fortalecer o ecossistema de ciência e inovação, investindo em pesquisa e extensão e, nesse sentido, reconhecer quem produz conhecimento é importante para tornar o Paraná ainda mais desenvolvido e preparado para os desafios do futuro”, pontua o gestor. “O avanço científico é fundamental para aumentar a competitividade dos setores produtivos e assegurar um crescimento sustentável”, acrescenta.

O ano de 2026 registrou 126 inscrições devidamente homologadas, o que representa um acréscimo de 32,6% em comparativo com o ciclo anterior. O avanço na participação é atribuído pelas autoridades às modificações estruturais introduzidas nesta edição, a exemplo da regionalização e da expansão das categorias, estratégias que conferiram maior abrangência e acessibilidade à premiação para diferentes perfis da comunidade científica estadual. Dentre as instituições de ensino, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) se destacaram ao contabilizar o maior número de vencedores na etapa regional, com 10 contemplados cada.

Impacto prático da pesquisa e da extensão

A capilaridade e a relevância social dos projetos premiados podem ser exemplificadas pelas iniciativas de dois docentes contemplados nas categorias acadêmicas. O professor Luiz Cláudio Garcia, vinculado à UEPG, obteve o reconhecimento na modalidade Pesquisador Sênior em Ciências Agrárias graças a um aprofundado estudo sobre mecanização e tecnologia voltada à aplicação de defensivos agrícolas. A atuação do acadêmico tem estreitado os laços entre a instituição de ensino e os produtores rurais localizados na região dos Campos Gerais, auxiliando diretamente no combate a patógenos como o mofo-branco, praga que costuma causar danos expressivos às lavouras de soja e feijão.

Para o pesquisador, o elo entre a investigação científica e a realidade do campo é o caminho mais eficiente para a otimização dos recursos produtivos. “A universidade atua diretamente nas demandas do setor produtivo, e por meio do método científico conseguimos embasar decisões do dia a dia dos produtores para aumentar a eficiência dos processos, mitigar os impactos ambientais e reduzir as perdas no campo, garantindo a solidez de uma produção que precisa crescer para atender à população”, argumenta.

Em outra frente, a professora Carla Maria Schmidt, docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), foi honrada na categoria Pesquisador Extensionista em Ciências Sociais Aplicadas. O projeto liderado por ela oferece capacitação voltada a mulheres para que assumam a gestão de iniciativas ligadas ao turismo rural no município de Toledo. Desde o início das atividades em 2022, o programa já qualificou 60 empreendedoras em tópicos fundamentais como liderança, estratégias de marketing digital e práticas de sustentabilidade, além de viabilizar visitas técnicas a destinos consolidados, a exemplo da Colônia Witmarsum, situada no município de Palmeira, nos Campos Gerais.

- Publicidade-

A educadora ressalta que as ações de extensão desempenham uma função indispensável ao traduzir o conhecimento acadêmico em soluções aplicáveis à realidade comunitária. “A extensão permite aproximar a universidade da sociedade, colocando a ciência diretamente a serviço das pessoas. É uma ferramenta de transformação social, capaz de criar redes de cooperação, gerar novas oportunidades, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento das famílias e dos territórios regionais”, conclui.

Fonte:: seti.pr.gov.br

- Publicidade-
Compartilhe esta notícia