Conviver com oscilações intensas de temperatura entre as máximas e mínimas registradas em um único dia exige um esforço considerável do organismo humano. Para manter a temperatura corporal em níveis estáveis, o corpo gasta mais energia, o que pode deixar a saúde mais vulnerável a diferentes tipos de complicações.
Com as constantes mudanças climáticas e a influência de fenômenos como o El Niño, enfrentar o calor intenso e o frio repentino em um intervalo de poucas horas tornou-se parte da rotina em diversas regiões. Essa grande diferença entre as temperaturas, conhecida como amplitude térmica, costuma ultrapassar os 15°C ou 20°C em um curto espaço de tempo, transformando-se em um desafio metabólico expressivo.
Além do desconforto prático de precisar ajustar o vestuário ao longo do dia, essas variações drásticas e o ar seco que frequentemente as acompanha agridem diretamente as mucosas do aparelho respiratório. O ar frio afeta o funcionamento dos cílios localizados nas vias aéreas, estruturas responsáveis por filtrar impurezas, facilitando a entrada de vírus e bactérias.
De acordo com Maria Goretti David Lopes, diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde do Estado do Paraná (Sesa), pessoas que conviven com condições como asma, bronquite ou rinite sofrem um impacto imediato. Esse cenário costuma explicar o aumento repentino na procura por atendimento médico nas unidades de saúde durante os períodos de instabilidade climática.
Impactos no sistema cardiovascular
O organismo reage de maneiras distintas dependendo se o ambiente está esquentando ou esfriando rapidamente:
- No calor: Quando a temperatura sobe de forma acelerada, o corpo precisa dissipar o calor para evitar o superaquecimento. O coração passa a bater mais rápido para bombear o sangue, o que pode desencadear quedas na pressão arterial, tonturas, desidratação e sensação de fraqueza.
- No frio: Com a queda rápida dos termômetros ou ao entrar em ambientes climatizados com ar-condicionado muito frio, o mecanismo se inverte para reter o calor. Ocorre a vasoconstrição, que é o estreitamento dos vasos sanguíneos para diminuir a perda térmica e proteger os órgãos internos. Esse processo eleva a pressão arterial e o estresse cardiovascular, aumentando os riscos de infartos e Acidentes Vasculares Sanguíneos (AVCs), especialmente em pacientes com condições preexistentes como hipertensão ou insuficiência cardíaca.
Principais consequências do sobe e desce dos termômetros
O estresse térmico contínuo provoca diferentes reações no corpo:
- Sobrecarga cardíaca: A transição veloz entre calor e frio exige muito do sistema circulatório, elevando os riscos para pessoas com hipertensão e problemas cardíacos.
- Doenças respiratórias: O choque térmico prejudica as vias aéreas e resseca as mucosas, enfraquecendo a barreira de proteção natural e desencadeando crises de rinite, sinusite, asma e bronquite.
- Queda na imunidade: O esforço metabólico contínuo para readaptar o corpo gera um estresse físico que pode enfraquecer o sistema de defesa a curto prazo. Os primeiros sinais costumam incluir coceira, desconforto ao engolir e irritação na garganta.
Como se proteger e quando buscar ajuda médica
Para minimizar os impactos das oscilações térmicas, especialistas recomendam a adoção de hábitos simples no dia a dia. Vestir-se em camadas — técnica conhecida popularmente como efeito “cebola” — permite adaptar a roupa conforme a variação climática. Além disso, é fundamental manter uma hidratação constante, mesmo sem sentir sede, e priorizar uma alimentação equilibrada para fortalecer o sistema imunológico.
A atenção deve ser redobrada no monitoramento dos sintomas. É recomendável buscar atendimento médico imediato caso ocorram sinais como falta de ar, chiado no peito, dificuldade respiratória progressiva, dor ou aperto no peito que irradie para os braços ou pescoço, tonturas súbitas, palpitações, oscilações severas na pressão arterial ou febre persistente associada a secreções respiratórias.
GALERIA DE IMAGENS
Fonte:: saude.pr.gov.br


