A Inteligência Artificial (IA) marcou presença em 59% dos órgãos federais e estaduais brasileiros, conforme apontam os dados da pesquisa Tecnologia da Informação e Communication (TIC) Governo 2025. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), detalhando o avanço da digitalização na administração pública do país.

O panorama nacional revela que o Poder Judiciário encabeça a lista de adoção tecnológica, marcando presença em 94% das instituições avaliadas em 2025. Logo atrás aparecem o Ministério Público, com 92%, o Poder Legislativo, alcançando 83%, e o Poder Executivo, que registra 55% de adesão.
De acordo com o estudo, a tecnologia se faz mais presente nas esferas federais (70%) do que nas estaduais (58%). Quando comparada a outras inovações de ponta, a IA demonstra maior capilaridade. A Internet das Coisas (IoT), por exemplo, está presente em 20% das instituições federais e 29% das estaduais, enquanto o Blockchain foi reportado por 25% e 17%, respectivamente.
Esta é a sétima edição do estudo, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), que integra o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
Aplicações práticas e automação
Entre as instituições públicas que já incorporaram a inteligência artificial, o uso mais comum é voltado para a automatização de processos e fluxos de trabalho, uma realidade em 39% dos órgãos analisados, divididos entre 45% na esfera federal e 38% na estadual.
Em seguida, destacam-se a mineração de texto e as ferramentas de análise de linguagem, empregadas por 35% das organizações (46% federais e 34% estaduais). Ferramentas de aprendizado de máquina voltadas para a predição e análise de dados aparecem logo após, sendo utilizadas por 31% dos órgãos públicos totais.
Pela primeira vez na história da pesquisa, o levantamento mapeou a realidade das prefeituras brasileiras. O resultado indicou que 27% dos municípios utilizaram IA nos 12 meses anteriores ao estudo. Contudo, há uma forte disparidade regional e populacional: cidades com mais de 500 mil habitantes e capitais registram índices de adoção de 85% e 81%, respectivamente, enquanto municípios com até 10 mil habitantes marcam apenas 22%.
Nas prefeituras, as frentes de atuação com IA envolvem principalmente a automatização de processos (14%) e a mineração de texto (12%). Os gestores locais apontam que essas inovações buscam elevar a qualidade dos serviços à população (17%), otimizar operações internas (17%), embasar políticas públicas (14%) e fiscalizar o uso de verbas públicas (10%).
Desafios e capacitação de servidores
Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br | NIC.br, avalia que os índices demonstram a consolidação da tecnologia no cotidiano do setor público, mas ressalta que o fator humano permanece como o principal gargalo.
“Ao mesmo tempo, evidenciam que ampliar a capacitação dos servidores públicos é um passo fundamental para que essas tecnologias sejam incorporadas de forma cada vez mais qualificada e contribuam para a melhoria efetiva dos serviços públicos prestados à população”, pontuou.
A edição atual também aprofundou a análise sobre a Inteligência Artificial generativa — sistemas voltados à criação de conteúdos originais como textos, códigos e imagens. Na esfera federal, 65% dos órgãos possuem iniciativas voltadas ao uso interno dessa tecnologia, enquanto 29% a aplicam diretamente no atendimento ao cidadão. Para preparar as equipes, 59% oferecem treinamentos, 46% adquiriram ferramentas específicas e 43% criaram manuais de diretrizes.
Apesar disso, a falta de capacitação profissional lidera o ranking de barreiras para a expansão da IA, sendo apontada por 19% dos órgãos federais, 21% dos estaduais e 40% das prefeituras. Nas administrações municipais, outros entraves citados incluem a baixa prioridade política (36%), falta de necessidade percebida (35%), problemas com a qualidade dos dados (35%) e custos operacionais elevados (34%).
Em paralelo, o atendimento via canais de mensagens instantâneas ganhou força. O uso do WhatsApp e do Telegram pelas prefeituras para solicitação de serviços saltou de 56% em 2023 para 64% em 2025, tornando-se o segundo canal mais popular, atrás apenas do telefone tradicional (83%). Nos governos federais e estaduais, os recursos de mensagens via dispositivos móveis alcançaram 39% e 43%, respectivamente.
Sobre a pesquisa
Executada biennialmente desde 2013, a pesquisa TIC Governo monitora a digitalização do setor público nacional. A coleta de dados da edição de 2025 ocorreu de julho de 2025 a abril de 2026, por meio de entrevistas telefônicas com 576 órgãos públicos federais e estaduais, além de 3.253 prefeituras em todo o país.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


