Irã aposta no custo da guerra para Trump e joga com o tempo, diz professor

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Cnnbrasil.com.br

Título: Irã encerra negociações após ofensivas militares israelenses, diz professor da USP

O Irã anunciou sua retirada das mesas de negociações em resposta aos ataques militares realizados por Israel no Líbano. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que “não poderia se importar menos” com a possibilidade de um acordo, apesar de manter negociações indiretas com o Hezbollah através do presidente libanês.

Para Feliciano de Sá Guimarães, cientista político e professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), essa postura adotada pelo Irã resulta de uma estratégia cuidadosamente planejada. “O anúncio da retirada das negociações devido aos ataques ao Hezbollah é parte da tática iraniana de postergar as discussões o máximo que podem,” destacou Feliciano.

Uma estratégia de tempo

De acordo com o especialista, o governo de Teerã se aproveita de três elementos para enfraquecer a posição dos Estados Unidos: a impaciência de Trump, a proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA e o custo interno das operações bélicas. “O Irã está buscando ganhar tempo para fortalecer suas opções de negociação à medida que o processo avança,” afirmou Feliciano.

Ele observou que, embora os ataques americanos ainda estejam ocorrendo, eles não possuem a mesma intensificação observada em meses anteriores. Para Feliciano, alguns temas já estão consolidados nas discussões em andamento. Entre esses pontos, ele mencionou a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, a normalização do tráfego marítimo, uma possível redução ou suspensão parcial do bloqueio naval americano, e uma certa flexibilização das sanções econômicas sobre Teerã, que poderia incluir o descongelamento de ativos iranianos no sistema financeiro global. Além disso, há uma expectativa de que as exportações iranianas voltem a níveis anteriores ao conflito.

Por outro lado, o Irã insiste de forma contínua na retirada das tropas americanas das regiões adjacentes ao seu território, uma exigência que, segundo Feliciano, é improvável que seja atendida. Os Estados Unidos, por sua vez, continuam a pressionar por uma resolução da questão nuclear iraniana, que envolve o futuro dos 400 kg de urânio enriquecido que o país já possui, questionando se será possível retirar esse material por meio de forças americanas, transferi-lo para outra nação ou destruí-lo dentro do Irã.

Implicações para os EUA e Israel

Feliciano também alertou que uma eventual normalização do Estreito de Ormuz, com alguma forma de controle permanecendo nas mãos do Irã — situação que não ocorria antes do conflito — representaria uma “derrota estratégica para os Estados Unidos e para Israel”. O professor destacou que se a questão nuclear não for resolvida e se as negociações forem prolongadas, será um desafio para Trump justificar essa situação interna, caso se concretize.

As análises e previsões sobre o andamento das negociações e suas consequências permanecem em debate, evidenciando a complexidade das relações internacionais na região do Oriente Médio, especialmente no contexto de um conflito que continua a se desdobrar com implicações globais significativas.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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