Júri do caso Henry atinge o oitavo dia, tornando-se o mais longo do Rio de Janeiro

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil

O julgamento do caso Henry, que ocorre no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, alcançou seu oitavo dia nesta segunda-feira (1º). Com isso, esta sessão se torna a mais longa do Tribunal do Júri no estado, superando o processo relacionado à ex-deputada federal Flordelis. Em novembro de 2022, Flordelis foi condenada a mais de 50 anos de prisão pelo assassinato de seu ex-marido, o pastor Anderson do Carmo.

Os réus no caso em andamento são Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, pais de Henry Borel, que morreu aos 4 anos em março de 2021. De acordo com a acusação do Ministério Público, o menino foi vítima de agressões perpetradas por Jairinho, enquanto Monique teria se omitido em relação ao que acontecia.

Depoimentos e provas no tribunal

Na tarde desta segunda-feira, o perito do Instituto Médico Legal (IML), Leonardo Huber Tauil, prestava depoimento. Ele é conhecido por ter assinado o laudo cadavérico de Henry. Este foi o 21º testemunho ouvido pelos jurados. Tauil reiterou que a causa da morte foi “hemorragia interna resultante de lesão hepática por ação contundente”, destacando que participou de várias análises complementares do caso.

O perito também fez uma visita ao local onde supostamente ocorreram as agressões. Ao inspecionar o apartamento, não encontrou móveis que pudessem ter causado a lesão fatal. A versão inicial apresentada por Jairinho e Monique indicava que a criança havia tropeçado e caído da cama.

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Durante seu depoimento, Tauil foi questionado sobre inconsistências no laudo cadavérico, incluindo a identificação incorreta do hospital de origem e a coloração dos olhos do menino, que foram considerados lapsos por ele.

Testemunhos de familiares e conhecidos

Desde o dia 25 de setembro, diversas testemunhas foram ouvidas no tribunal, incluindo o pai de Henry, Leniel Borel, que depôs contra o ex-casal, afirmando que Monique também era responsável pela morte do garoto. Além dele, ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas relataram que o ex-vereador havia agredido crianças no passado.

Outro depoimento significativo foi o da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira. Ela confirmou que alertou Monique sobre suas suspeitas de agressões e que, após a da morte do menino, recebeu instruções da mãe para apagar mensagens trocadas entre ambas.

Dentre as 27 testemunhas inicialmente arroladas, quatro foram dispensadas. O advogado de Jairinho também liberou dois deporantes de sua lista, incluindo seu psiquiatra e uma assessora. O coronel Jairo, pai de Jairinho, já foi ouvido.

Próximos passos do julgamento

Os advogados esperam que a fase de depoimentos termine ainda nesta segunda-feira, com a terça-feira (2) reservada para os testemunhos dos réus. A defesa de Jairinho obteve uma decisão para que o ex-vereador seja ouvido após Monique, considerando essa sequência vital para a defesa de seu cliente.

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A defesa de Monique já declarou que ela está preparada para depor a qualquer momento. Os advogados devem apresentar suas alegações na quarta-feira (3) e a sentença é aguardada para a transição de quarta para quinta-feira (4), coincidindo com o feriado de Corpus Christi no Rio de Janeiro.

Condições do júri

O Conselho de Sentença é composto por sete jurados, sendo cinco homens e duas mulheres, que assistem às sessões de forma contínua. Durante os intervalos, são obrigados a permanecer no tribunal e não podem discutir o caso entre si ou com pessoas de fora, além de ficarem sem acesso a redes sociais e notícias relacionadas ao julgamento. Durante a noite, os jurados são monitorados em um alojamento específico dentro do Tribunal de Justiça.

O júri é presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro, que também define a pena nos casos de condenação, levando em conta o voto secreto da maioria simples dos jurados.

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Lista de testemunhas já ouvidas

  • Delegado Edson Damasceno
  • Delegada Ana Carolina Medeiros
  • Psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro
  • Médica Maria Cristina de Souza
  • Kaylane de Oliveira – filha de ex-namorada do réu
  • Natasha de Oliveira – ex-namorada do réu
  • Débora de Oliveira – ex-namorada do réu
  • Leila Rosângela de Souza Mattos – empregada dos réus
  • Tereza Cristina dos Santos – cabeleireira
  • Paloma dos Santos – manicure
  • Perito Luiz Carlos Leal Prestes
  • Perito Luiz Airton Saavedra
  • Leniel Borel
  • Irmão de Monique – Bryan Medeiros
  • Colega de trabalho de Monique – Ari Mamed
  • Funcionária do condomínio onde os réus moravam – Márcia Eduarda Vieira
  • Babá de Henry – Thayná de Oliveira Ferreira
  • Coronel Jairo, pai de Jairinho
  • Atual mulher de Jairinho – Fernanda Abdul Figueiredo
  • Miriam Santos Rebelo Costa – que teve um relacionamento com Leniel

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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