Justiça suspende perícia em celular de Jairinho apreendido na prisão

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil

 

 

A 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro tomou uma decisão importante em relação aos desdobramentos judiciais envolvendo o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, amplamente conhecido como Dr. Jairinho. A Justiça optou por negar o pedido apresentado pela defesa do réu que buscava a anulação total da decisão que havia autorizado a quebra do sigilo dos dados contidos em um aparelho celular. Este dispositivo eletrônico foi descoberto e apreendido diretamente no interior da cela onde o ex-político e ex-parlamentar cumpre sua pena em regime fechado no sistema prisional fluminense.

Apesar de manter a validade da apreensão e da quebra de sigilo em um primeiro momento, a magistrada responsável pelo caso, a juíza Elizabeth Machado Louro, avaliou os argumentos subsidiários apresentados pelos advogados de defesa e determinou a suspensão imediata dos efeitos práticos daquela decisão. Essa paralisação temporária permanecerá em vigor até que o Tribunal de Justiça julgue o mérito do habeas corpus que foi impetrado pela defesa técnica do detento. Como consequência direta dessa medida cautelar, a juíza ordenou formalmente que o Ministério Público interrompa, sem prazo imediato para retomada, qualquer tipo de providência ou ato voltado à realização da perícia técnica no aparelho telefônico recolhido na unidade prisional.

- Publicidade-

No texto da decisão oficial, a magistrada detalhou os motivos que a levaram a adotar tal postura jurídica:

“Ante o exposto, indefiro o pedido de reconsideração/anulação da decisão. Por outro lado, verificando que a questão interligada à competência do juízo já é objeto de habeas corpus impetrado pela defesa, tenho por bem deferir o pedido subsidiário da defesa, para suspender os efeitos da decisão até o julgamento”, registrou a julgadora em seu despacho oficial.

A descoberta e a subsequente apreensão do telefone celular dentro da cela de Jairinho têm como objetivo central a realização de investigações aprofundadas para apurar se o ex-vereador tentou, de alguma forma, exercer influência indevida ou interferir no andamento regular dos processos judiciais aos quais responde.

Notícias relacionadas:

Histórico da condenação e desdobramentos do caso

O episódio atual ocorre poucos meses após um marco histórico no âmbito judicial do estado. Em junho deste ano, o Conselho de Sentença pertencente ao 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro proferiu a sentença que condenou Dr. Jairinho a uma pena expressiva de 43 anos, nove meses e 20 dias de reclusão em regime fechado. A condenação severa é resultado direto de sua responsabilidade penal reconhecida no homicídio do menino Henry Borel Medeiros, crime bárbaro que chocou o país e ocorreu em 8 de março de 2021.

No mesmo julgamento, a situação jurídica da mãe da criança, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, teve contornos distintos. O crime inicialmente imputado a ela foi desclassificado pelo corpo de jurados de homicídio doloso (quando há a intenção deliberada de matar) para homicídio culposo (modalidade em que se entende não ter havido intenção direta de cometer o homicídio). Com essa alteração na tipificação jurídica dos atos atribuídos a ela, Monique acabou sendo beneficiada com o perdão judicial.

- Publicidade-

Apesar disso, a professora foi responsabilizada e condenada a uma pena de um ano e quatro meses de prisão em regime inicial aberto pelo crime específico de omissão diante das agressões e da tortura sofrida pelo próprio filho. Contudo, como o tempo em que Monique permaneceu custodiada preventivamente ao longo da instrução criminal foi superior à nova condenação imposta, a Justiça determinou que sua pena fosse considerada integralmente cumprida e encerrada.

Todo o processo de julgamento que culminou nestas decisões foi marcado por intensa repercussão pública e complexidade jurídica, tendo se estendido por um total de 11 dias de debates acalorados em plenário. A marca registrada o consolida como o Tribunal do Júri mais longo e duradouro de toda a história do Poder Judiciário fluminense.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

- Publicidade-
Compartilhe esta notícia