Em sua última participação no evento Futurecom na condição de presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) — visto que sua saída oficial do posto está programada para o dia 4 de novembro —, Carlos Baigorri concedeu uma entrevista exclusiva à CDTV. Durante a conversa, o executivo fez um balanço de sua gestão, destacando tanto as principais conquistas alcançadas ao longo do período quanto os desafios que permaneceram sem a devida resolução estrutural.
Ao ser questionado acerca do legado que deixa à frente do órgão regulador, Carlos Baigorri apontou como principal êxito a implementação bem-sucedida da tecnologia 5G no território brasileiro. Segundo o gestor, o processo de transição e expansão da nova rede móvel tornou-se uma referência de eficiência reconhecida tanto nacionalmente quanto no exterior. Outro ponto de destaque mencionado pelo presidente foi a solução definitiva para o complexo impasse envolvendo as concessões de telefonia fixa, um problema histórico que se arrastava por cerca de 15 anos. Ele também enfatizou a condução do processo de recuperação judicial e os desdobramentos da crise da operadora Oi, que foram solucionados sem causar danos sistêmicos ao mercado ou prejuízos generalizados aos usuários dos serviços de comunicação.
Apesar dos avanços celebrados, Carlos Baigorri externou frustração em relação às metas que não saíram do papel. O principal lamento do executivo foi a incapacidade de promover o reposicionamento institucional da Anatel dentro do atual ecossistema digital, carência atribuída à falta de novos marcos regulatórios que ampliassem o escopo de atuação da autarquia federal. “As telecomunicações avançaram muito e eu queria ressignificar o papel do Estado além das telecomunicações e não conseguimos. Nós pegamos algumas coisas como a campanha de desinformação com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o bloqueio das bets, mas queria mais”, pontuou o presidente durante a entrevista.
No que tange à polêmica proibição das plataformas de apostas esportivas conhecidas como bets, Carlos Baigorri manteve sua avaliação de que a medida funciona, em certa medida, como uma tentativa de “enxugar gelo”. Contudo, reafirmou o compromisso de que a Anatel continuará executando as ordens de bloqueio a esses sites irregulares enquanto houver demanda e indivíduos dispostos a realizar apostas de forma ilegal no país. Sobre a questão do uso de dados patrocinados (zero rating) na telefonia móvel durante o período eleitoral, o dirigente informou que ainda aguarda a consolidação dos relatórios técnicos para avaliar se houve falhas ou sobrecarga nas redes das operadoras de telecomunicações. Apesar disso, reforçou que o potencial de risco operacional continua no radar da agência, que já se movimenta para mitigar problemas eventuais na infraestrutura de conectividade.
Encerrando o ciclo à frente da reguladora brasileira, Carlos Baigorri direciona agora seus esforços para uma empreitada de projeção internacional. O executivo disputa o cargo de secretário-geral adjunto da União Internacional das Telecomunicações (UIT), entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), cuja eleição está agendada para o dia 11 de novembro. “É um orgulho danado”, declarou sobre a candidatura global. Ao deixar conselhos para os servidores e dirigentes que permanecem na estrutura da Anatel, o presidente sintetizou sua vivência com uma mensagem pragmática: aproveitar a oportunidade, pois o tempo no cargo passa com rapidez, mas oferece uma experiência extremamente gratificante para a vida pública.
Assista a íntegra da entrevista com Carlos Baigorri, da Anatel.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


