Lula participa de foto de família do G-7 ampliado e evita interação com Trump

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

ENVIADA ESPECIAL A ÉVIAN-LES-BAINS – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente nesta terça-feira, 16, na tradicional foto de família do G-7 ampliado, que reúne líderes dos países convidados para a cúpula. Após essa atividade, os participantes seguiram para uma reunião fechada, cujo foco é a solidariedade internacional, e onde o presidente brasileiro tem uma fala programada.

O presidente Lula foi o primeiro a ser saudado pelo anfitrião, Emmanuel Macron, durante a cerimônia de boas-vindas aos líderes convidados. Entre os
convidados estavam o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, e o presidente do Quênia, William Ruto.

Na disposição da mesa, Lula ficou posicionado à esquerda de Macron, junto à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. No entanto, o presidente brasileiro e Donald Trump não trocaram palavras durante o intervalo entre a recepção dos líderes e a foto, bem como depois deste evento.

Em seguida, os líderes participaram de uma reunião ampliada do G-7 com o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”. As discussões, por se tratarem de um encontro reservado, não permitiram a presença da imprensa.

- Publicidade-

Lula ocupou um lugar praticamente em frente a Donald Trump na mesa da reunião. Também estavam presentes representantes do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento.

Havia especulações sobre a participação de Lula, que foi decidida em cima da hora, e se havia a intenção de um encontro com Trump para tratar das novas tarifas que os Estados Unidos propuseram ao Brasil. Contudo, o governo brasileiro nega que esse tenha sido o objetivo da sua presença na cúpula.

Em 2 de junho, o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu um imposto geral de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas desleais nas relações comerciais, além de um adicional de 12,5% por não conter a importação de produtos feitos com trabalho forçado. Após o anúncio, Lula confirmou sua vinda a Évian-les-Bains, afirmando que estava decidido a participar.

Houve a possibilidade de que o Itamaraty tentasse organizar um “encontro de corredor” semelhante ao realizado na Assembleia-Geral da ONU no ano passado. Entretanto,

A foto de família e a reunião ampliada foram as primeiras oportunidades para interação entre os dois líderes. Há também a previsão de um jantar programado com os demais líderes e convidados à noite, às 20h30 locais (15h30 em Brasília).

- Publicidade-

Lula se reúne com líderes europeus

Mais tarde, o presidente brasileiro se encontrará com Ursula Von der Leyen e António Costa, com a banimento da carne bovina brasileira do mercado europeu sendo um dos tópicos que mais chamam a atenção. No entanto, membros do governo ressaltam que há outros assuntos a serem discutidos na agenda.

Em 12 de maio, apenas onze dias após a implementação do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul, o bloco europeu decidiu banir completamente os produtos de origem animal do Brasil. Essa decisão entrará em vigor em 3 de setembro e foi aprovada de forma unânime pelos 27 países do bloco.

Durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira, António Costa desviou das perguntas sobre a proibição da carne, afirmando que a questão deveria ser encaminhada à Comissão Europeia. “Como todos sabem, nós firmamos um grande acordo com o Brasil em relação ao Mercosul, que já está em vigor. É claro que as normas sanitárias precisam ser respeitadas, mas a Comissão Europeia está em diálogo com o Brasil”, declarou.

- Publicidade-

O Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, comentou que o governo ficou surpreso com a decisão da União Europeia. Apesar de Ursula von der Leyen ter limitações para fazer alterações rápidas, ela atua como canal para levar as preocupações brasileiras aos países do bloco europeu.

Nesta segunda, Lula também se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, em Genebra, e teve um diálogo com Emmanuel Macron. O foco da conversa foi o comércio bilateral, com ambos se comprometendo a promover a diversificação das exportações entre os dois países.

Um dos tópicos discutidos foi o acordo Mercosul-EFTA, que inclui a Suíça e outros países, como Islândia, Noruega e Liechtenstein. Para o governo brasileiro, essa parceria representa uma oportunidade para expandir o comércio em um contexto global marcado pelo aumento do protecionismo.

A cúpula de líderes está sendo realizada no mesmo hotel, e a movimentação de jornalistas é bastante restrita. A cidade de Évian-les-Bains, localizada nos Alpes Franceses, está praticamente cercada por um extenso esquema de segurança.

Fonte: estadao.com.br

Compartilhe esta notícia