Celso Amorim: Inteligência Artificial sob controle de poucas empresas agrava desigualdades

Marcelo Borges
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Foto: © Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, expressou, nesta terça-feira (16), sua preocupação com o impacto da Inteligência Artificial (IA) controlada por um número restrito de grandes empresas, localizadas em poucos países. Ele alertou que essa concentração de poder pode acelerar as desigualdades sociais e ameaçar os sistemas democráticos em todo o mundo.

“Estamos diante das grandes empresas de tecnologia que se opõem a qualquer forma de regulação. Atualmente, é evidente como algumas dessas corporações dominam setores inteiros, mesmo em nações desenvolvidas”, afirmou Amorim.

Debate sobre as big techs

Ele ressaltou que, em face do poder das big techs, os Estados não podem abrir mão de sua capacidade regulatória, que é legitimada pelo voto popular. A discussão sobre a influência dessas plataformas digitais nas democracias é um tema recorrente a nível global, uma vez que as redes sociais têm o poder de moldar debates públicos, disseminar desinformação em larga escala e afetar o mercado de trabalho.

Amorim está em Portugal participando da Conferência de Segurança Internacional do Forte, evento que reúne autoridades e especialistas da União Europeia e da América do Sul, promovido pela Fundação Konrad Adenauer em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e a Delegação da União Europeia.

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Resiliência cibernética e proteção de dados

Na qualidade de assessor especial para a área internacional da Presidência, Amorim também destacou a crescente frequência de ataques cibernéticos e a necessidade de investimentos em resiliência cibernética como um pilar essencial para a soberania nacional no século XXI. “Sem proteção digital, não há autonomia decisória nem confiança nas instituições. Os dados se tornaram um ativo econômico, político e militar, alimentando modelos de IA, orientando decisões estratégicas e possibilitando um monitoramento em grande escala”, declarou.

Amorim enfatizou que países como o Brasil precisam estar “plenamente cientes” da importância dos dados na economia digital e sugeriu a implementação de proteção adequada para informações, como as do Sistema Único de Saúde (SUS).

Necessidade de regulação das plataformas digitais

O embaixador defendeu a regulação das plataformas digitais como uma forma de promover um desenvolvimento tecnológico que beneficie a sociedade em aspectos como a redução da pobreza, a proteção ambiental e a garantia dos direitos humanos. “É inaceitável viver em um mundo com trilionários enquanto 673 milhões de pessoas passam fome”, acrescentou.

Inteligência Artificial e questões de segurança

Amorim também se manifestou sobre os riscos do uso da IA em conflitos armados. Ele mencionou que o desenvolvimento de armas autônomas ilustra o dilema moral que enfrentamos atualmente. “A forma como usamos a força letal se torna cada vez mais impessoal, com menos risco imediato para os operadores, eliminando em grande parte o sentimento de culpa associado à morte e à destruição”, apontou.

O embaixador ressaltou que o uso de IA em cenários de guerra deve ser uma preocupação central no atual contexto geopolítico, visto que a pressão para conter o uso da força está diminuindo. Ao mencionar a aplicação de tecnologias em guerras no Oriente Médio, Amorim concluiu enfatizando que o Brasil precisa “investir na defesa” para assegurar sua capacidade de dissuasão.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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