Maestro roberto tibiriçá morre aos 72 anos em são paulo

Marcelo Borges
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O cenário da música erudita brasileira perdeu um de seus nomes mais expressivos neste sábado (3). O maestro Roberto Tibiriçá faleceu na madrugada, aos 72 anos, em São Paulo. O regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Paraná estava internado na capital paulista para o tratamento de um câncer. O local do velório será confirmado em breve pelos familiares e instituições ligadas à cultura.

A relação de Tibiriçá com a arte sonora começou muito cedo, quando ele tinha apenas 8 anos de idade e iniciou seus estudos no piano erudito. Ao longo de uma sólida carreira de mais de quatro décadas, o maestro construiu uma trajetória de destaque não apenas no Paraná e em São Paulo, onde atuou na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, mas também com passagens internacionais por Portugal e Venezuela.

A última apresentação pública do regente ocorreu no dia 16 de julho, na cidade de Londrina, situada na região norte do Paraná, como parte das atividades do projeto Guaíra para Todos.

Legado na Orquestra Sinfônica do Paraná

Roberto Tibiriçá assumiu a regência titular e a direção musical da Orquestra Sinfônica do Paraná em 2022. Durante sua gestão à frente do grupo, o maestro coordenou iniciativas voltadas à renovação artística e trabalhou ativamente para ampliar o alcance dos concertos por todo o estado, fortalecendo a presença da instituição em importantes palcos brasileiros.

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Entre os momentos marcantes de sua atuação recente estão os preparativos e as apresentações comemorativas pelos 40 anos da Orquestra Sinfônica do Paraná, celebrados em 2025. Na ocasião, o maestro esteve à frente da execução da grandiosa Sinfonia nº 2, conhecida como “Ressurreição”, de Gustav Mahler. O espetáculo histórico reuniu mais de 200 músicos e coralistas no palco principal do auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, em Curitiba.

Formação sólida e projeção internacional

Nascido com uma vocação inquestionável para a música, Tibiriçá aprofundou seus conhecimentos ao estudar regência com o maestro Eleazar de Carvalho. Foram 18 anos de dedicação à Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, consolidando sua reputação no meio sinfônico nacional.

No exterior, o regente comandou a Orquestra Metropolitana de Lisboa e atuou como regente assistente no Teatro Nacional de São Carlos, em Portugal, entre 1984 e 1985. Sua batuta também regeu a prestigiada Orquestra Simón Bolívar, na Venezuela.

No Brasil, o currículo do maestro inclui passagens pela direção e regência das orquestras sinfônicas de Campinas, São Bernardo do Campo, Minas Gerais, além da Petrobras Sinfônica e da Sinfônica Heliópolis, ligada ao Instituto Baccarelli. Em 1994, assumiu a direção artística e a regência titular da Orquestra Sinfônica Brasileira. Já no final da década de 1980, fundou a Orquestra Nova Filarmonia, grupo que teve a honra de acompanhar o lendário tenor italiano Luciano Pavarotti em suas passagens pelo país.

Atuação fonográfica e grandes eventos

Além dos palcos, a contribuição de Roberto Tibiriçá se estendeu ao mercado fonográfico. A partir de 1974, atuou como diretor artístico em gravadoras brasileiras, participando de registros históricos de música clássica. Entre seus trabalhos mais notáveis está a gravação do único LP realizado no Brasil pela renomada pianista Guiomar Novaes, dedicado exclusivamente a um repertório de músicas brasileiras e registrado no Museu de Arte de São Paulo.

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O maestro também colocou seu talento a serviço de eventos de proporções monumentais. Ele regeu apresentações memoráveis no Projeto Aquarius e esteve à frente da execução musical na Missa Campal celebrada pelo Papa João Paulo II no ano de 1997, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, um evento que reuniu um público estimado em cerca de 2 milhões de fiéis.

Prêmios, reconhecimentos e despedida

A excelência do trabalho de Tibiriçá rendeu inúmeros prêmios e homenagens ao longo da vida. Em 1995, foi eleito o Músico do Ano pela crítica especializada do Rio de Janeiro e recebeu o Prêmio Estácio de Sá, concedido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Sua estante de troféus também integrou o Prêmio APCA, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Regente Sinfônico e a comenda da Ordem do Ipiranga.

O reconhecimento acadêmico e institucional se refletiu em sua posse na Cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música, em março de 2003, e em sua admissão como membro honorário na Academia Nacional de Música, em 2018. Mais recentemente, em 2024, a Universidade Federal de Minas Gerais concedeu ao regente o título de Doutor por Notório Saber.

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Após a confirmação de seu falecimento, diversas instituições culturais manifestaram profundo pesar. O Centro Cultural Teatro Guaíra, a Orquestra Sinfônica do Paraná, a Fundação Cultural de Curitiba, o Instituto Curitiba de Arte e Cultura e a Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira emitiram notas oficiais destacando a importância de seu legado para a cultura nacional.

Fonte:: cbncuritiba.com.br

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