Manifestação em Brasília questiona ordem judicial sobre propaganda eleitoral

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Luiz Claudio Ferreira/Agência Brasil

Um grupo formado por aproximadamente 100 pessoas realizou um protesto em Brasília para manifestar contrariedade a uma decisão judicial recente que suspendeu o impulsionamento pago de conteúdos digitais relacionados ao caso da menina Ana Clara. A mobilização ocorreu diante da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A medida que motivou o ato foi assinada pelo ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte, atendendo a um pedido formal apresentado pela defesa do candidato Flávio Bolsonaro. Com a determinação, veiculações pagas envolvendo o vídeo de dois minutos e vinte e oito segundos foram paralisadas, sob pena de aplicação de multa estipulada em R$ 10 mil para cada nova contratação de impulso publicitário da gravação.

O episódio central que fundamenta a discussão remonta ao ano de 2021, quando Ana Clara, de apenas 5 anos de idade, perdeu a vida após ser atingida por um disparo de fuzil em uma comunidade situada no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. O tiro partiu de um soldado da Polícia Militar. A controvérsia política ganhou força após a veiculação de peças de campanha que relembraram a atuação parlamentar e discursos do senador Flávio Bolsonaro relacionados à defesa jurídica do policial envolvido no caso.

Durante um debate televisionado pela emissora Band, o candidato foi questionado a respeito do tema e argumentou que a atuação na advocacia não pode ser tratada como crime, ressaltando ainda a necessidade de observância ao princípio da presunção de inocência para o acusado antes de uma condenação definitiva na Justiça.

- Publicidade-

Manifestantes apontam cerceamento

Durante o ato público na capital federal, representantes de movimentos sociais e entidades civis criticaram duramente a interrupção da veiculação paga. Para Maria das Neves Filha, que preside a União Brasileira de Mulheres (UBM), a ordem emitida pelo magistrado representa uma forma de restrição à liberdade de expressão e à circulação de informações durante o período eleitoral.

A dirigente classificou o posicionamento judicial como um ato de censura e destacou a preocupação com o timing da decisão, proferida nos momentos finais que antecedem o pleito nas urnas. O grupo prometeu acompanhar os desdobramentos jurídicos do caso e avaliar novas iniciativas para reverter a proibição imposta aos materiais publicitários.

Fundamentação da decisão judicial

Em sua manifestação técnica sobre o caso, o ministro André Mendonça argumentou que o conteúdo do vídeo analisado não se enquadra nos parâmetros de promoção autônoma de propostas de campanha, mas possui caráter voltado estritamente à oposição e à crítica de um adversário político.

O magistrado também pontuou que a presença de depoimentos de familiares da vítima, incluindo declarações de Cristiane Gomes da Silva, mãe da criança, não valida automaticamente a utilização comercial e paga do material em plataformas digitais. Segundo a decisão, a reprodução de trechos de debates e falas de parentes não anula a irregularidade do impulsionamento financeiro de propagandas com foco exclusivo na desqualificação de concorrentes ao cargo em disputa.

A controvérsia segue mobilizando debates jurídicos e políticos no país, evidenciando os limites impostos pela legislação eleitoral no que tange ao uso de recursos financeiros para impulsionar conteúdos críticos entre candidaturas rivais na reta final das eleições.

- Publicidade-

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe esta notícia