Ausência de adversários marca segundo debate ao governo do paraná

Marcelo Borges
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O segundo debate entre os candidatos ao governo do Paraná, realizado nesta quarta-feira (26), foi marcado por um cenário atípico e pela presença de apenas um dos três convidados programados para o evento. Promovido em uma parceria entre a rádio TMC e a Universidade Positivo, o encontro contaria com a participação dos candidatos Requião Filho (PDT), Sérgio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD). No entanto, apenas o representante do Partido Democrático Trabalhista compareceu para o confronto de ideias e propostas políticas.

A dinâmica do evento sofreu alterações substanciais ainda no período da tarde, quando Sérgio Moro comunicou o cancelamento de sua participação. Procurada para comentar a decisão, a equipe e a assessoria da CBN Curitiba informaram que o candidato do Partido Liberal não apresentou nenhuma justificativa oficial para a ausência de última hora. Logo em seguida, Sandro Alex também anunciou que não compareceria ao debate. O candidato do Partido Social Democrático justificou o cancelamento afirmando que a ausência de Moro alterava drasticamente a dinâmica previamente estabelecida e acordada para o evento.

Diante do desfalque dos adversários, o formato do encontro foi transformado em uma sabatina exclusiva com Requião Filho. Nos momentos iniciais da transmissão, o candidato do PDT não poupou críticas aos concorrentes ausentes, classificando a atitude como uma falta de respeito com o eleitorado paranaense e uma nítida fuga do debate democrático e do confronto de propostas para o estado.

A organização acadêmica também manifestou frustração com os cancelamentos. O reitor da Universidade Positivo, Eduardo Faria Silva, comentou sobre a relevância institucional e social de inserir a comunidade acadêmica, em especial os estudantes graduandos, diretamente no processo eleitoral e nas discussões políticas do estado. Para o reitor, o contato direto com os postulantes ao cargo máximo do Executivo estadual é fundamental para a formação cidadã e crítica dos futuros profissionais.

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Eduardo Faria Silva reforçou ainda a importância da presença de todas as correntes políticas nos espaços universitários e lamentou publicamente a ausência dos representantes do Partido Social Democrático e do Partido Liberal, o que impediu um debate mais amplo entre os principais nomes cotados para a disputa eleitoral no Paraná.

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Propostas e sabatina exclusiva

Com a conversão do debate em uma sabatina, Requião Filho utilizou o tempo concedido para detalhar seu plano de governo e apresentar propostas voltadas principalmente para a recuperação econômica e a eficiência administrativa. O eixo central de seu discurso econômico foi a necessidade urgente de reduzir o chamado “Custo Paraná”, defendendo o estímulo ao aumento da industrialização no estado, com foco na agregação de valor ao setor agropecuário e ao fortalecimento de outros segmentos estratégicos da economia paranaense.

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Durante a sabatina, o candidato fez duras críticas à atual alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), além de condenar os valores cobrados nas tarifas das praças de pedágio nas rodovias paranaenses. Ele assumiu o compromisso de barrar a instalação e a cobrança de novas praças de pedágio em trechos rodoviários estaduais que atualmente estão livres de taxas. Outro ponto criticado foi a recente redução do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), medida que ele classificou como puramente eleitoreira, apontando a ausência de diálogo prévio com as prefeituras e a falta de um plano consistente de reposição da arrecadação municipal.

No setor de segurança pública, Requião Filho defendeu a ampliação dos investimentos voltados à valorização e estruturação dos agentes de segurança, além de propor uma integração mais efetiva com as forças federais. Por outro lado, manifestou oposição à ideia de criar um código penal estadual exclusivo. No que tange à proteção das mulheres, o candidato prometeu políticas rigorosas de enfrentamento à violência de gênero em múltiplas frentes, questionando a veracidade de dados oficiais recentes que apontam queda nos índices de violência contra a mulher no estado e sugerindo a existência de uma grande subnotificação de casos não registrados pelas autoridades competentes.

A gestão das empresas estatais também integrou o centro das discussões. O candidato do PDT afirmou que, caso eleito, buscará reaver o controle estatal da Companhia Paranaense de Energia (Copel), prometendo instaurar uma auditoria minuciosa para apurar a legalidade e a condução do processo de privatização da companhia. No mesmo sentido, declarou a intenção de resgatar o controle integral da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para o âmbito do governo estadual.

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Por fim, no setor educacional, Requião Filho apresentou a proposta de descontinuar o modelo de escolas cívico-militares atualmente em vigor no Paraná, planejando uma transição gradual. Ele também colocou em dúvida a confiabilidade dos índices educacionais do estado, a exemplo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), alegando que os dados teriam sofrido manipulações ou alterações induzidas para inflar artificialmente os resultados pedagógicos apresentados à população.

Fonte:: cbncuritiba.com.br

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