Mel de Capanema conquista selo de indicação geográfica e impulsiona turismo no Paraná

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Idrparana.pr.gov.br

O estado do Paraná acaba de alcançar mais um marco significativo na valorização de suas tradições produtivas e manufaturas especiais. O tradicional mel produzido no município de Capanema foi oficialmente reconhecido com uma Indicação Geográfica (IG), concedida pelo Instituto Nacional da Proprietas Industrial (INPI). Com esta nova conquista, o território paranaense reforça sua posição de destaque nacional ao atingir a marca de 29 registros do tipo, liderando o ranking em todo o país, que agora soma 183 reconhecimentos federais.

O produto típico da região Sudoeste paranaense recebeu a certificação na modalidade Denominação de Origem (DO). Essa categoria específica valida que os atributos singulares e a excelência do mel decorrem exclusivamente de fatores naturais combinados com o saber-fazer humano característicos daquela localidade geográfica.

A atividade apícola em Capanema possui raízes profundas na agricultura familiar local, ultrapassando meio século de história e dedicação. O processo oficial de solicitação foi encabeçado pela Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic). A singularidade do alimento está diretamente ligada à polinização realizada pelas abelhas na flora nativa preservada da Mata Atlântica, bioma resguardado nas dependências do Parque Nacional do Iguaçu, na faixa de fronteira entre o Brasil e a Argentina.

Atualmente, os agricultores e produtores associados mantêm em funcionamento cerca de 5 mil colmeias ativas, gerando um volume anual de aproximadamente 60 toneladas de mel. Além de abastecer o mercado consumidor regional e o setor de serviços e turismo localizado nos arredores do Parque Nacional do Iguaçu, a mercadoria também é comercializada com sucesso para outros grandes mercados estaduais, a exemplo de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

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Integração com o turismo regional

Especialistas apontam que o selo de Indicação Geográfica possui forte sinergia com o setor turístico, pois fomenta o sentimento de pertencimento comunitário e dá visibilidade nacional aos produtos legítimos dos municípios paranaenses. A dinâmica espelha casos de sucesso anteriores, como as tradicionais balas de banana de Antonina, que se transformaram em atrativo indispensável nos roteiros de passeio da região litorânea.

Na prática, diferentes criadores de abelhas na cidade de Capanema já utilizam a apicultura não apenas como pilar de subsistência econômica familiar, mas também como um atrativo voltado ao turismo rural e pedagógico. A associação local já promove roteiros guiados para receber visitantes interessados em conhecer de perto a rotina dos apiários.

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Durante os passeios monitorados, os turistas recebem orientações técnicas sobre o manejo das colmeias, acompanham de perto os métodos de extração do mel e aprendem sobre os rigorosos processos de tratamento e envase do produto. A iniciativa já integra oficialmente o mapa de rotas turísticas do município, e a expectativa das lideranças locais é que o novo selo do INPI funcione como um catalisador para expandir ainda mais essa vertente econômica.

Para quem vive da atividade, o investimento na visitação guiada representa uma oportunidade concreta de diversificação de receitas. Produtores locais destacam que a experiência turística proporciona uma troca rica de conhecimento, transformando a visita a um apiário em um passeio educativo diferenciado baseado na valorização do patrimônio cultural e natural da região.

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Força econômica e tradição no Paraná

O estado do Paraná consolida-se ano a ano como um dos gigantes do setor apícola nacional. Dados indicam que a produção paranaense ocupa posições de liderança em volume e valor bruto de comercialização, movimentando centenas de milhões de reais e garantindo uma fatia expressiva da produção brasileira de mel.

No quesito qualidade certificada perante os órgãos federais, o território paranaense destaca-se com quatro diferentes tipos de mel detentores de Indicação Geográfica. A trajetória começou com o mel de Ortigueira em 2015, seguido pelo mel do Oeste do Paraná em 2017 e pelo mel de melato da Bracatinga do Planalto Sul do Brasil. Agora, o mel de Capanema consolida o grupo de excelência.

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O suporte técnico oferecido por instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) tem sido fundamental para auxiliar os produtores rurais no cumprimento das exigências necessárias para a obtenção do registro. Especialistas apontam que a chancela valida o rigor técnico e a identidade mercadológica do produto, protegendo a origem legítima contra falsificações e abrindo portas em mercados exigentes.

Com o avanço das concessões pelo INPI, o Paraná mantém um ritmo acelerado de reconhecimento de suas riquezas tradicionais, englobando desde itens gastronômicos típicos e bebidas artesanais até produtos da agricultura familiar e do artesanato regional, reafirmando sua identidade cultural e o potencial turístico de seus municípios.

Fonte:: idrparana.pr.gov.br

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