Militares ucranianos aceitam trégua temporária em cidade ocupada

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

As Forças Armadas da Ucrânia confirmaram que cumprirão uma paralisação temporária dos combates na cidade de Oleshky, atualmente sob controle russo, com início marcado para a próxima terça-feira, 27 de outubro. A medida tem como propósito principal viabilizar a entrada e a execução de uma operação de cunho humanitário na região. Anteriormente, o comando militar da Rússia já havia emitido um comunicado informando que suas tropas também respeitariam o cessar-fogo na mesma data.

De acordo com nota oficial emitida pelo Estado-Maior ucraniano nesta sexta-feira, 23, a iniciativa visa atender a uma área delimitada específica. “Com o objetivo de realizar uma operação humanitária na cidade de Oleshky, localizada na região de Kherson e temporariamente ocupada, a Ucrânia estabelece um cessar-fogo em uma área delimitada, a partir das 3h do dia 27 de outubro, no horário de Kiev”, detalhou o comando militar no texto publicado.

A implementação da trégua também foi destacada publicamente pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, que declarou ter atuado diretamente para intermediar a paralisação dos confrontos entre os dois países envolvidos no conflito.

Em declaração oficial, a representante americana pontuou a gravidade da situação local. “Oleshky é uma cidade na linha de frente, à beira do desastre (…) Está claro que, sem a minha intervenção, teria sido impossível levar ajuda humanitária à cidade”, afirmou ela ao citar o município situado nas proximidades do rio Dnieper.

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Esforços diplomáticos e negociações de paz

O anúncio da trégua humanitária coincide com a sinalização dada pela Rússia de que pretende retomar as negociações diretas com a Ucrânia no mês de novembro. Os encontros devem ocorrer em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, com a mediação diplomática dos Estados Unidos.

A perspectiva de reabertura do canal de diálogo ganhou força após uma reunião realizada na última quarta-feira entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Steve Witkoff, enviado especial do presidente americano Donald Trump. Vale destacar que as tratativas diplomáticas presenciais estavam interrompidas desde o início do ano. Diante da nova conjuntura, o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, expressou seu apoio formal à iniciativa.

As conversas fazem parte de um pacote mais amplo de movimentações diplomáticas lideradas por Washington. Na terça-feira anterior, autoridades dos Estados Unidos já haviam se encontrado na cidade de Oslo com Zelenski e líderes de nações europeias para alinhar estratégias e discutir os próximos passos rumo a uma solução negociada para a crise.

Divergências sobre o formato do acordo

Apesar do avanço nas tratativas para o encontro em solo estrangeiro, ainda existem divergências logísticas e estruturais entre as partes. O governo russo colocou na mesa a data de 10 de novembro para o reinício das conversas oficiais, enquanto a liderança de Kiev defende que o processo seja retomado o mais rapidamente possível.

Além disso, durante pronunciamento realizado na noite de quinta-feira, o líder russo Vladimir Putin ressaltou que a meta central das reuniões deve ser a busca por um “acordo definitivo”, rejeitando a ideia de que o processo resulte apenas em uma trégua momentânea ou em uma “breve pausa nos combates”, formato que costuma ser defendido por Kiev e seus parceiros internacionais.

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Enquanto os gabinetes diplomáticos buscam pontos de convergência para cessar o conflito de forma permanente, a realidade no leste europeu segue marcada por confrontos diários, com tropas russas e ucranianas mantendo a troca de ataques nas zonas de combate.

Fonte:: estadao.com.br

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