Ministério público denuncia grupo por lavagem de dinheiro através de apostas online

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou uma denúncia contra oito pessoas acusadas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do jogo do bicho, utilizando como fachada empresas de apostas esportivas online, comumente conhecidas como bets. A acusação formal foi aceita pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio de Janeiro, marcando um novo desdobramento nas investigações sobre o uso do setor de jogos regulamentados para a ocultação de valores ilícitos.

De acordo com as apurações conduzidas pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os alvos da denúncia foram identificados como Flavio da Silva Santos, Vinicius Pereira Drumond, Alexandre Vinicius da Costa Guedes, Jorge Roberto de Oliveira Figueiredo, João Eric Lourenço da Silva, Ana Paula Batista Vitorino, João Victor de Araujo Souza e Lucas Pastore Laporte de Souza. Os investigadores apontam que o grupo conseguiu dissimular e ocultar a movimentação ilícita de pelo menos R$ 5,2 milhões.

Para desarticular a rede criminosa, a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) mobilizou equipes para o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram cumpridas em endereços estratégicos situados em bairros da capital fluminense, como Barra da Tijuca, Freguesia, Botafogo e na região central do Rio de Janeiro. A operação também teve alcance interestadual, estendendo-se para localidades nos estados do Paraná e de Goiás.

Como desdobramento das medidas cautelares solicitadas pelo MPRJ, a Justiça determinou a imediata suspensão das atividades comerciais e o bloqueio dos cadastros de Pessoas Jurídicas (CNPJs) vinculados às empresas JRF Eagle Participações e Invectry Participações. A execução das buscas fora do território fluminense contou com o apoio operacional e logístico dos respectivos ministérios públicos dos estados do Paraná e de Goiás, demonstrando a articulação interestadual no combate a crimes financeiros e cibernéticos.

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A mecânica da operação criminosa, detalhada na denúncia apresentada à Justiça, consistia na injeção de recursos obtidos por meio da contravenção penal na economia formal. Esse processo de branqueamento de capitais ocorria através da casa de apostas Rio Jogos, que opera sob a gestão da empresa Lema Administração e Participações S/A. Para conferir aparência legal aos montantes, a organização utilizava uma rede de empresas interpostas, incluindo a JRF Eagle Participações e a Invectry Participações, além do recurso a pessoas físicas apontadas como laranjas para ocultar os verdadeiros beneficiários dos valores.

O trabalho de inteligência financeira e o rastreamento das transações bancárias revelaram um marco importante na engenharia financeira do esquema. Em 6 de maio de 2024, a empresa Lema recebeu dois aportes financeiros expressivos, cada um no valor de R$ 2,5 milhões. O primeiro depósito foi realizado por João Eric, enquanto o segundo teve origem na Apoio Consultoria Financeira, entidade que está sob a titularidade dos denunciados Ana Paula e João Victor. A investigação demonstrou que, no mesmo dia em que os recursos ingressaram nas contas da Lema, a quantia total de R$ 5,2 milhões foi transferida para a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), servindo como pagamento da outorga obrigatória para a exploração comercial de apostas de cota fixa.

O caso segue em tramitação na 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, onde os réus responderão pelas acusações formuladas pelo Ministério Público, enquanto os órgãos de controle e investigação continuam monitorando o mercado de apostas online em busca de outras possíveis irregularidades e conexões financeiras ilícitas.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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