Missa solene institui o serviço de Capelania da Polícia Penal do Paraná

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: Divulgação / Policiapenal.pr.gov.br

Nesta quarta-feira, dia 17, uma missa solene foi realizada na Sede Administrativa da Polícia Penal do Paraná (PPPR), localizada em Curitiba, com o propósito de oficializar a criação da “Capelania da Polícia Penal do Paraná”. Este novo serviço destina-se ao atendimento dos servidores da instituição, bem como de seus familiares, com o intuito de promover cuidados espirituais e assistência religiosa.

O serviço será disponibilizado por meio de um capelão, que atuará para oferecer suporte moral e espiritual aos agentes em suas rotinas diárias, sem a intenção de promover conversões religiosas. Entre as principais ações propostas, destacam-se atendimentos de escuta e aconselhamento individual, visitas hospitalares e domiciliares a servidores ou seus parentes que estejam enfermos, a realização de serviços religiosos em funerais e o acompanhamento de famílias que estejam passando por luto. Além disso, a capelania também terá como objetivo a promoção de palestras e reflexões a respeito do sentido da vida, sempre respeitando os valores e princípios da PPPR, visitas religiosas às unidades conforme demanda e a administração de sacramentos quando solicitados.

A figura do capelão, ao longo da história, representa um ministro ordenado e uma autoridade eclesiástica que tem a responsabilidade de oferecer assistência espiritual em contextos específicos, como nas forças de segurança, exércitos, hospitais e instituições prisionais. O trabalho realizado junto às corporações é fundamental para a formação moral, ética e social dos seus membros, enfatizando a importância do indivíduo. Do ponto de vista terapêutico, a espiritualidade emerge como uma ferramenta eficaz para manter o equilíbrio psicossocial e melhorar a qualidade de vida, auxiliando na reconquista do sentido da existência e na confiança pessoal. Assim, a nova Capelania vem se somar aos profissionais e programas já existentes que cuidam dos integrantes da Polícia Penal, como a área de Saúde do Servidor.

A diretora-geral da Polícia Penal do Paraná, Ananda Chalegre, ressaltou que a criação da capelania representa uma ferramenta significativa para o apoio à saúde mental e espiritual. “O projeto visa a oferecer assistência espiritual tanto a servidores quanto a seus familiares, com um enfoque na escuta e acolhimento individualizados. Esta iniciativa, agora oficializada em missa solene, complementa os programas de saúde do servidor e objetiva promover o equilíbrio emocional e a qualidade de vida. O foco não é a conversão religiosa, mas sim proporcionar apoio e conforto respeitando a diversidade de crenças de quem busca ajuda”, declarou.

- Publicidade-

O arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo, comentou sobre a relevância do serviço à luz da realidade enfrentada pelos policiais. “A profissão policial é extremamente desafiadora, exigente e exposta. É necessário manter uma disciplina rigorosa e uma paz interior para evitar erros no exercício da função. A ansiedade, o medo e os riscos presentes no dia a dia geram inquietação psicológica, que pode se transformar em inquietação espiritual. Aqueles que estão em paz e serenos conseguem transmitir essa calma e atuar com equilíbrio. O pedido para a implementação do serviço de capelania surgiu dos próprios policiais, que expressaram a necessidade de serem ouvidos e compreendidos, e por isso iniciamos esses trabalhos hoje”, afirmou.

A inter-relação entre cuidados com a saúde mental e espiritual foi destacada como um fator estratégico para a promoção da qualidade de vida e a redução de afastamentos na corporação, conforme a coordenadora do Programa de Atenção à Saúde do Servidor da Polícia Penal (PASSPP), Tatiane Santana. “A criação da Capelania da Polícia Penal proporciona aos servidores maior acolhimento e suporte espiritual, com atividades realizadas de forma voluntária por líderes religiosos. É crucial que os servidores compreendam que participar destas ações e aceitar ajuda, inclusive a preventiva, é fundamental para o seu equilíbrio emocional e espiritual. Precisamos reforçar a cultura do acolhimento entre os colegas e incentivar a busca pelos serviços que a Polícia Penal já oferece, como o PASSPP e a própria Capelania. Dados da Perícia Médica do Estado indicam que os principais motivos de afastamento entre nossos policiais são os transtornos mentais e comportamentais. Portanto, cuidar tanto da mente quanto do espírito é uma estratégia essencial para a sobrevivência e bem-estar”, detalhou a policial penal.

A participação ativa e o envolvimento dos servidores foram marcantes no início oficial das atividades, resultando em expectativas otimistas para o desenvolvimento do projeto. O capelão designado para a Polícia Penal do Paraná, Padre Leonardo Silveira, avaliou a cerimônia inicial e elucidou o papel da assistência ecumênica no ambiente de trabalho. “Após essa missa de inauguração, sinto-me muito feliz e esperançoso. A participação dos policiais penais foi significativa, tanto em número quanto no compromisso com a ideia da capelania. Teve policiais que atuaram como músicos, fizeram as leituras e auxiliaram na coleta. A presença da instituição foi notável e de qualidade, estabelecendo uma boa base para trabalharmos juntos”, disse o sacerdote.

“Este tipo de assistência é crucial, pois quando consideramos o ser humano em suas múltiplas dimensões — física, emocional, social e espiritual — se um desses aspectos não está bem, isso impacta as outras. O policial penal e sua família frequentemente enfrentam um ambiente hostil. O servidor lida com batalhas externas no trabalho e também internas para dar sentido ao que vivencia. A capelania será um espaço de acolhimento e uma voz que lembrará que ainda há esperança e significado na vida, independentemente das circunstâncias”, concluiu o Padre Leonardo Silveira.

Sobre os próximos passos pragmáticos para a implementação do serviço, o capelão explicou como serão organizados os primeiros contatos e atendimentos aos servidores. “Inicialmente, faremos uma aproximação entre a Arquidiocese e a Polícia Penal do Paraná com o trabalho do capelão, que buscará compreender as demandas dos policiais e seus familiares. Assim, poderemos desenvolver um planejamento mais sólido para encontros e celebrações frequentes. Nesta aproximação, estamos realizando conversas individualizadas com os servidores que desejam se expressar. Esses atendimentos poderão ocorrer na unidade em que o policial atua ou na paróquia do Bairro Hugo Lange”, finalizou o Padre Leonardo Silveira.

- Publicidade-

Fonte: policiapenal.pr.gov.br

Compartilhe esta notícia