PCPR prende investigado por fraudar acesso a sistemas judiciais no Paraná e outros estados

Marcelo Borges
3 min. de leitura
Foto: Divulgação / Seguranca.pr.gov.br

Na manhã desta quarta-feira, 10 de outubro, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) efetuou a prisão de um homem suspeito de se infiltrar em sistemas judiciais de diversos estados brasileiros, além de estabelecer conexões com o crime organizado. A operação foi realizada em parceria com a Polícia Civil do Ceará e ocorreu em Fortaleza, no Ceará.

A investigação começou quando as autoridades tomaram conhecimento do uso de identidades falsas e de tecnologias de certificação digital para fraudar a segurança de tribunais e audiências virtuais. Os crimes sob apuração incluem falsidade ideológica e uso de documentos falsos, além de ligações com organizações criminosas.

De acordo com os dados coletados pela PCPR, o suspeito conseguiu acessar, de maneira fraudulenta, pelo menos 80 processos de execução penal no Estado do Paraná. Além disso, ele realizou 118 atendimentos virtuais a detentos em unidades prisionais de Santa Catarina, utilizando credenciais falsas que lhe permitiram atuar como se fosse um advogado.

A investigação revela que o homem mantinha contato direto com líderes de uma organização criminosa em Santa Catarina. Com o uso de um perfil profissional falso, ele oferecia serviços ilícitos, prometendo transferências de presos por pagamentos que podiam chegar a R$ 200 mil. Durante o interrogatório, o delegado Emmanoel David destacou que o suspeito afirmava ter contatos influentes no Supremo Tribunal Federal (STF) que poderiam acelerar os trâmites processuais em benefício da organização criminosa.

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O investigado não só usou indevidamente o registro profissional de um advogado de São Paulo, como também atuou formalmente diante de tribunais. Um exemplo disso foi sua atuação no Tribunal de Justiça do Ceará, onde fez uma sustentação oral em causa própria em uma sessão da Terceira Câmara Criminal, utilizando a identidade falsa para se apresentar perante o colegiado. Em 2016, ele havia sido preso em flagrante com documentos falsos em nome de um então deputado federal.

Como parte de seu esquema para dificultar o rastreamento pelas autoridades, o homem chegou a alterar seu nome no registro civil. As diligências técnicas revelaram igualmente que ele usava dois números de CPF diferentes, alternando entre um ativo e regular e outro que estava suspenso, conforme a necessidade para fraudar fiscalizações.

Históricos criminais apontam que o preso possui registros desde a década de 1990. Em 2000, foi acusado de realizar golpes contra instituições bancárias tanto no Brasil quanto no exterior, totalizando aproximadamente 30 milhões de dólares. No ano seguinte, ele foi identificado como o mentor de uma quadrilha que tentava clonar o cartão de crédito de um ex-governador.

Fonte:: seguranca.pr.gov.br

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