O esforço para equilibrar o crescimento econômico e a conservação da natureza continua a orientar as operações da empresa Portos do Paraná. Dados recentes divulgados sobre o Programa de Monitoramento da Avifauna nos primeiros nove meses de 2026 revelam a presença de 24.941 indivíduos distribuídos em 149 espécies de aves na área portuária. Essa iniciativa serve como um importante termômetro para avaliar a saúde ecológica do Litoral paranaense diante da movimentação do complexo marítimo.
Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná, aponta que o avanço logístico do Estado caminha lado a lado com a responsabilidade ambiental. “Nossos programas voltados à preservação do meio ambiente são reconhecidos internacionalmente. Somos o único porto do mundo convidado pela ONU a participar, desde 2019, das edições da COP. E no próximo mês estaremos presentes novamente na COP31, na Turquia”, afirma o gestor.
Metodologia de pesquisa contínua
As atividades de monitoramento ocorrem de forma ininterrupta desde o ano de 2016. Equipes de biólogos conduzem censos mensais que unem o trabalho de campo em solo com percursos embarcados. Essa rota de barco abrange desde a região de Pontal do Sul, na Ilha do Mel, até o município de Antonina.
Segundo o biólogo Elliezer Correia, que coordena a execução do programa, as aves representam um grupo estratégico para a conservação por atuarem como bioindicadores imediatos. “A comunidade de avifauna é bem diversa e serve como o que podemos chamar de sentinelas ambientais. As aves respondem muito mais rápido às alterações do ambiente do que outros grupos. Se houver qualquer acidente ou derramamento de óleo no entorno do porto que ninguém tenha visto, as aves que se alimentam nos baixios serão as primeiras a sofrer. Quando a contagem mensal aponta uma diminuição abrupta na riqueza ou abundância de uma espécie, acende-se um alerta de que algo está errado no ecossistema”, pontua o especialista.
Diversidade e abundância de espécies
As informações reunidas entre janeiro e setembro de 2026 demonstram a expressiva riqueza biológica do perímetro monitorado. Os Passeriformes, grupo que abrange aves continentais e de mangue, lideraram em diversidade com 66 espécies catalogadas. Logo em seguida aparecem os Charadriiformes, que somam 19 espécies típicas de praias e lodaçais, além dos Pelecaniformes, que incluem garças e aves correlatas com 12 espécies no período.
No tocante à quantidade de animais avistados no período, o biguá (Nannopterum brasilianum) destacou-se como o mais numeroso, registrando 8.495 exemplares. A segunda posição coube ao urubu-preto (Coragyps atratus), com 1.955 indivíduos, seguido de perto pelo trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus), que contabilizou 1.733 registros.
“O biguá é historicamente a espécie mais abundante no nosso monitoramento, somando mais de 60 mil registros desde 2016. Como eles formam grandes bandos e são fáceis de identificar, é comum registrarmos mais de mil indivíduos em uma única campanha embarcada”, complementa Elliezer Correia.
Retorno de espécies e preservação
Além de registrar as presenças mais recorrentes, o projeto acompanha espécimes raros ou de hábitos migratórios. Um dos pontos centrais da pesquisa iniciada há uma década é a trajetória do guará, ave emblemática que praticamente havia desaparecido da região e que agora demonstra uma recuperação gradual em sua população.
“O guará passou muito tempo sumido da região. No início do programa, em 2016, quase não tínhamos registros dele. Nos últimos anos, percebemos um aumento gradual na sua abundância. Sua volta está ligada a fatores como a preservação dos manguezais para nidificação e a conscientização contra a caça”, avalia o biólogo.
As informações acumuladas ao longo de dez anos de levantamentos periódicos dão suporte técnico para que o Porto de Paranaguá aprimore continuamente suas estratégias de mitigação de impactos e recuperação ecológica, assegurando que a atividade portuária avance em harmonia com o meio ambiente.
Fonte:: parana.pr.gov.br


