Moradores negam bloqueio de embarcação com catracas na Ilha do Mel

Marcelo Borges
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Moradores da Ilha do Mel, situada no município de Paranaguá, no Litoral do Paraná, negaram que tenham impedido a atracação de uma embarcação que transportava catracas para o novo sistema de controle de acesso à região. A polêmica ganhou destaque após uma manifestação realizada na tarde de quarta-feira (28) no trapiche de Encantadas, que teve como objetivo principal chamar a atenção do poder público para as demandas da comunidade nativa.

A principal queixa da população local gira em torno da instalação de barreiras físicas e catracas nos pontos de entrada e chegada de turistas, medida adotada sem que houvesse uma melhoria prévia na infraestrutura do trapiche. Os residentes expressam preocupação com a possibilidade de longas filas, tumultos e transtornos durante as operações de embarque e desembarque. Além disso, a pauta de reivindicações inclui demandas históricas por investimentos em saneamento básico, coleta e gestão de resíduos, atendimento em saúde, educação de qualidade e conservação adequada das trilhas ecológicas.

Wilson Luiz Carneiro Junior, morador local, esclareceu que os manifestantes presentes no ato não tiveram a intenção de proibir a chegada ou a atracação da balsa que trazia os equipamentos de controle.

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De acordo com o relato do morador, a Capitania dos Portos orientou o marinheiro responsável sobre a impossibilidade de realizar o descarregamento naquele ponto específico. Por outro lado, a Polícia Militar indicou que a carga deveria ser descarregada justamente na área utilizada para o transbordo de lixo da Ilha do Mel.

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Wilson destacou que o ato público buscou dar voz à comunidade da ilha, garantindo que as necessidades dos residentes sejam consideradas paralelamente aos interesses voltados ao turismo.

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Segundo ele, a população não é contrária às mudanças ou ao controle de fluxo de visitantes, tendo participado ativamente das reuniões de planejamento para discutir melhorias para a região. O ponto central do protesto é a exigência de que as obras de infraestrutura prioritárias sejam concluídas antes que o sistema de bloqueio passe a funcionar integralmente.

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A proprietária de pousada Carla Simone Felippe também manifestou preocupação em relação à cobrança de taxas de ingresso na Ilha do Mel.

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Em sua avaliação, o processo está ocorrendo com atropelamento de etapas, sendo imprescindível que o governo estadual cumpra as promessas de melhorias estruturais antes de iniciar a cobrança de tarifas.

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Cadastramento de moradores em andamento

Para viabilizar o gerenciamento de acesso à ilha, o processo de cadastramento dos moradores teve início em outubro, com a expectativa de contemplar cerca de 1.600 pessoas até o mês de dezembro. A inclusão dos turistas no sistema digital acontecerá em uma etapa posterior, ainda sem data oficial divulgada pelo governo do estado do Paraná.

O modelo de controle de fluxo está fundamentado na Lei Estadual nº 22.315/2025, que fixa um limite máximo de 11 mil visitantes diários na Ilha do Mel, somando a população fixa residente nas comunidades de Nova Brasília e Encantadas. A iniciativa tecnológica prevê o uso de cadastros informatizados, ferramentas de reconhecimento facial e equipamentos de monitoramento nos portões de entrada e saída.

Posicionamento do Instituto Água e Terra

Por meio da Unidade de Administração da Ilha do Mel (UNADIM), o Instituto Água e Terra (IAT) esclareceu que a instalação efetiva das catracas de acesso ainda não foi iniciada. Conforme o cronograma oficial, a operação atual envolve apenas a entrega de materiais e insumos destinados a intervenções estruturais na região, como o projeto de alargamento dos trapiches.

O órgão ambiental reforçou que a comunidade local participou de debates e audiências públicas ao longo de toda a formulação do projeto, reiterando que a implantação do sistema de monitoramento obedece rigorosamente às diretrizes estabelecidas pela Lei Estadual nº 22.315/2025.

Fonte:: cbncuritiba.com.br

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