Onda de calor faz Torre Eiffel e Louvre fecharem mais cedo; cidades europeias têm alerta vermelho

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

A Europa enfrenta uma intensa onda de calor que alterou horários de funcionamento de importantes pontos turísticos em Paris, na França. A Torre Eiffel encerrou suas atividades mais cedo nesta terça-feira, 23, enquanto o Museu do Louvre anunciou que reduzirá seu horário de funcionamento em duas horas a partir de quarta-feira, 24, até sábado, 27.

De acordo com a Sete, a empresa responsável pela operação da Torre Eiffel, a antecipação do fechamento foi uma medida tomada em prol da segurança de visitantes e equipes. O fechamento ocorre em plena alta temporada, quando o famoso monumento costuma ter horários de funcionamento estendidos, das 9h às 0h45, atraindo um grande número de turistas. Durante o restante do ano, as visitas são permitidas das 9h30 às 23h45.

Na terça-feira, o icônico ponto turístico parisiense fechou suas portas à 16h, o que significa que o último acesso ao monumento foi realizado às 12h15, e para os restaurantes, às 13h30. A administração da Torre Eiffel indicou que é “muito provável” que o fechamento ocorra novamente em horário antecipado na quarta-feira.

O monumento recebe, anualmente, cerca de 7 milhões de visitantes, com aproximadamente 75% sendo turistas internacionais.

- Publicidade-

Sobre o Louvre, a administração também anunciou mudanças que afetam o funcionamento do museu, que a partir de quarta-feira fechará às 16h, duas horas mais cedo do que o habitual, em razão das altas temperaturas que dificultam as condições de visitação e trabalho nas horas mais quentes do dia. A administração do Louvre observou que “é ao final do dia que o calor se intensifica, agravado pelo grande número de visitantes” no que é considerado o museu mais visitado do mundo.

Funcionários do Louvre expressaram preocupações sobre a vulnerabilidade das instalações do museu às mudanças climáticas, relatando que, embora partes de sua estrutura histórica sejam resilientes, o local não está plenamente adaptado para enfrentar as intensas mudanças climáticas atuais.

A França registrou, nesta terça-feira, um recorde de temperatura, classificado como o dia mais quente já documentado no país. Nos últimos dias, mais de 90% da população francesa tem enfrentado condições de calor extremo e excepcional, com temperaturas podendo alcançar até 44°C no sudoeste do país. As autoridades emitiram alertas vermelhos ou laranjas para a grande maioria da população.

Conforme comunicado da Meteo France, a onda de calor atinge um “platô de severidade”, com calor ininterrupto, tanto durante o dia quanto à noite. Regiões adicionais devem entrar em alerta vermelho nesta quarta-feira, à medida que as altas temperaturas se espalham por mais da metade do território nacional, incluindo o extremo norte da França, confirmou o serviço meteorológico nacional.

O serviço também destacou que “outras temperaturas recordes são esperadas, incluindo algumas que podem superar todos os recordes anteriores, independentemente da época do ano”.

- Publicidade-

Mortes

A onda de calor que afeta a França já resultou em 40 mortes por afogamento desde o dia 18 de junho deste ano, sendo que a maioria das vítimas é composta por jovens, informou o primeiro-ministro Sébastien Lecornu em uma recente reunião de crise. “Estas são as primeiras vítimas da crise que estamos enfrentando”, declarou Lecornu.

A ministra dos Esportes, Marina Ferrari, também alertou sobre os perigos de nadar em locais sem supervisão durante o calor extremo e enfatizou a importância de utilizar somente áreas de natação que possuem vigilância adequada.

Na última segunda-feira, um jovem jogador de futebol da segunda divisão francesa perdeu a vida afogado em uma área restrita do rio Ródano, nas proximidades da cidade de Lyon. Além disso, dois irmãos de 2 e 4 anos foram encontrados mortos dentro do carro da família em Carpentras, e três idosos faleceram em suas residências no sudoeste do país.

- Publicidade-

Europa

As altas temperaturas também afetam o Reino Unido e a Espanha, onde as agências meteorológicas emitiram alertas vermelhos, alertando para os riscos associados ao calor extremo que impactam dezenas de milhões de pessoas. Na Itália, o Ministério da Saúde declarou alerta vermelho para o calor em 15 cidades nesta terça-feira, incluindo Roma e Milão, com previsão de aumento desse número para 16 na quarta-feira.

Este é o segundo episódio de onda de calor a atingir milhões de europeus em menos de um mês. Projeções da agência climática da ONU sugerem que os próximos cinco anos poderão registrar temperaturas ainda mais elevadas.

A Europa é identificada como o continente que aquece mais rapidamente, com temperaturas subindo duas vezes mais rapidamente do que a média global desde a década de 1980, conforme dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia. Nos últimos quatro anos, mais de 200 mil pessoas em toda a Europa faleceram devido a causas relacionadas ao calor.

Fonte: estadao.com.br

Compartilhe esta notícia