Paraná amplia monitoramento nutricional e supera meta da OMS em aleitamento materno

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: Divulgação / Saude.pr.gov.br

O Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná registrou uma expansão expressiva no monitoramento do estado nutricional e do consumo alimentar da população ao longo da última década. Dados consolidados pela Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa-PR) indicam que a taxa de cobertura de avaliações antropométricas — que incluem dados de peso e altura — na Atenção Primária à Saúde (APS) cresceu quase cinco vezes no período compreendido entre 2012 e 2025.

Nessa série histórica, o índice de cobertura avançou de 7,60% para 39,16% da população-alvo. Em termos absolutos, o número de pessoas avaliadas em todo o território estadual passou de pouco mais de 804 mil para 4,13 milhões.

O rastreio de marcadores de consumo alimentar, ferramenta rápida aplicada por profissionais da APS para investigar hábitos alimentares do dia anterior, alcançou 4,74% da população em 2025. Esse instrumento, monitorado desde 2015, tem o objetivo de identificar padrões de consumo associados ou não a uma alimentação saudável, tanto em âmbito individual quanto coletivo.

O volume de registros de consumo alimentar saltou de 16.885 em 2015 para 501.551 em 2025, o que representa um crescimento de 2.870,39%. O avanço decorre do fortalecimento das ações de busca ativa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e da vinculação de indicadores a programas estaduais de repasse financeiro por desempenho.

- Publicidade-

Avanços na saúde materno-infantil e aleitamento

Com a ampliação das avaliações físicas, o Governo do Estado obteve um panorama detalhado do perfil nutricional regional. Esse monitoramento revelou avanços na saúde materno-infantil, destacando-se o cumprimento da meta global de Aleitamento Materno Exclusivo (AME) estipulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Enquanto a meta mundial para 2025 era alcançar 50% de adesão, o Paraná registrou 57% de bebês exclusivamente amamentados até os seis meses de vida. O acompanhamento também apontou a redução da desnutrição infantil para 3,25% na faixa etária de 6 a 24 meses — a menor taxa desde o início da série histórica. A obesidade entre bebês menores de seis meses recuou de um pico de 6,06% em 2014 para 1,86% em 2025, e a desnutrição entre gestantes caiu de 17,53% em 2012 para 9,86%.

Para o secretário de Estado da Saúde, César Neves, a capilaridade da Atenção Primária permite a elaboração de políticas públicas mais assertivas. “Atingir a marca de mais de 4 milhões de pessoas avaliadas não é apenas um número, mas a prova da força e da capilaridade da nossa Atenção Primária. Quando o Governo do Estado passa a conhecer de perto o estado nutricional de cada município, deixamos de atuar no escuro”, pontua.

Desafios com o excesso de peso

Apesar dos indicadores positivos na primeira infância, o levantamento aponta o avanço do excesso de peso — que engloba sobrepeso e obesidade — como um dos principais desafios de saúde pública no Estado. O acúmulo de gordura corporal foi identificado de forma progressiva ao longo dos ciclos da vida.

Na faixa escolar, entre 5 e 10 anos, após atingir um pico de 22,54% em 2021 durante o período de isolamento da pandemia, a obesidade apresentou queda, fechando 2025 em 17%. Contudo, somando-se o sobrepeso, mais de 34% dos alunos nessa faixa etária apresentam excesso de peso.

- Publicidade-

A adolescência foi a faixa etária que registrou a aceleração proporcional mais rápida, com a taxa de obesidade saltando de 8,12% em 2012 para 17,35% em 2025. Na idade adulta, o excesso de peso atinge 72,45% das pessoas acompanhadas pela rede pública, sendo 38,31% com indicativo de obesidade. Entre as gestantes, a taxa de obesidade dobrou na década e chegou a 30,36%. Entre os idosos, embora mais de 55% apresentem sobrepeso, a desnutrição afeta mais de 10% da população dessa faixa etária.

Consumo de ultraprocessados

O cruzamento dos dados de peso com o mapeamento alimentar evidencia a resistência de hábitos tradicionais, como o consumo de feijão, presente na rotina de 82% a 90% da população em todas as idades, além da ingestão de frutas e hortaliças acima de 80% entre adultos e idosos.

Por outro lado, o relatório aponta a ampla presença de alimentos ultraprocessados — como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, embutidos e macarrão instantâneo — na dieta de cerca de 80% das crianças a partir de dois anos, adolescentes e adultos. Bebidas adoçadas, como refrigerantes e sucos artificiais, fazem parte da rotina de 63% das crianças pequenas e de quase 70% dos adolescentes.

- Publicidade-

Ações e investimentos estaduais

Para enfrentar o avanço do ganho de peso, o Governo do Estado tem investido na qualificação das equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e na articulação intersetorial. Entre 2020 e outubro de 2026, foram realizadas mais de 100 capacitações para profissionais da Atenção Primária, abordando temas como obesidade infantil, ganho de peso gestacional e alimentação saudável.

O Estado também distribuiu mais de 25 mil exemplares de materiais técnicos, incluindo o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Os incentivos financeiros são atrelados a programas como o Provigia-Paraná e o Proaps-Paraná, que bonificam municípios pelo aumento na cobertura de vigilância nutricional.

No período de 2020 a setembro de 2026, a rede pública promoveu mais de 96 mil atividades coletivas sobre alimentação saudável e mais de 343 mil ações de práticas corporais e atividade física. No atendimento clínico, foram realizadas 538,6 mil consultas voltadas ao tratamento da desnutrição e mais de 1,7 milhão de atendimentos focados na obesidade.

O relatório completo pode ser acessado neste endereço AQUI.

GALERIA DE IMAGENS

Fonte:: saude.pr.gov.br

Compartilhe esta notícia