O Paraná Clube está em fase final de articulações com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para destravar a emissão da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa. O documento é essencial para comprovar a regularização fiscal da instituição esportiva e permitir o avanço definitivo nas tratativas para a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A PGFN, órgão vinculado ao Governo Federal, atua na cobrança de débitos tributários federais que se encontram em estágios avançados de cobrança judicial e administrativa. Sem a certidão regularizada, a diretoria tricolor fica impedida de concluir o processo de transição do controle administrativo para a NextPlay, empresa investidora que já participa ativamente do cotidiano do clube paranaense.
Como parte dos acordos de transição, a NextPlay realizou o aporte de um financiamento DIP (debtor in possession) em julho, garantindo o fluxo de caixa necessário para manter as obrigações financeiras em dia até que a transferência de gestão seja oficializada. Enquanto a investidora aguarda a finalização dos trâmites burocráticos, a Associação do Paraná Clube conduz diretamente as conversas com os órgãos federais.
Expectativa de conclusão e foco nos gramados
De acordo com o presidente da Associação, Ailton Barboza de Souza, a Fazenda Nacional já sinalizou com o aceite da proposta apresentada pela diretoria tricolor. Atualmente, o processo tramita nas instâncias burocráticas internas do governo.
“As tratativas com a PGFN estão evoluindo satisfatoriamente. Já tivemos a devolutiva com o aceite da proposta formulada pelo clube e estão transcorrendo os trâmites burocráticos dentro das exigências e cuidados que o processo exige. Não temos como definir uma data, pois independe do clube, mas temos a esperança de finalizar nas próximas semanas”, declarou o dirigente.
Na mesma linha, o CEO da NextPlay, Pedro Weber, reforçou que a empresa aguarda apenas a liberação das guias de pagamento por parte da Associação para quitar os valores acordados. “A NextPlay assinou o DIP com a Associação. Agora, a NextPlay aguarda a conclusão da negociação entre Associação e PGFN, para que as guias sejam emitidas e ela faça o pagamento”, pontuou o executivo.
Enquanto os bastidores jurídicos e administrativos seguem movimentados, a equipe profissional do Paraná Clube intensifica os treinamentos para a estreia na Copa Paraná. O compromisso inaugural na competição estadual será um clássico contra o Athletico, marcado para o dia 29, às 15h30, na Arena da Baixada.
Investidor da NextPlay enfrenta sanções do Banco Central
Enquanto o processo da SAF caminha, o Banco Genial — principal investidor da NextPlay e interessado na aquisição da Sede da Kennedy por meio de leilão — tornou-se alvo de investigações conduzidas pelo Banco Central (BC) envolvendo operações de câmbio, ativos virtuais e fundos de investimento.
Conforme informações divulgadas pelo mercado financeiro, o BC aplicou três multas que somam R$ 21,6 milhões referentes a operações executadas entre os anos de 2020 e 2021. Além das penalidades pecuniárias à instituição, o CEO do banco, André Schwartz, recebeu uma suspensão de quatro anos de inabilitação, enquanto outros três diretores foram multados conjuntamente em R$ 1,4 milhão.
Em nota oficial, o Banco Genial manifestou discordância em relação às conclusões do julgamento regulatório e reafirmou a lisura de suas práticas. “O resultado foi significativamente mais restrito do que o escopo original das acusações, com 21 absolvições. O Banco recorrerá da decisão nas instâncias competentes. A decisão não impôs qualquer restrição às operações da instituição, que seguem normalmente”, destacou o comunicado.
A cúpula do Paraná Clube informou publicamente que as sanções aplicadas ao parceiro financeiro não possuem impacto jurídico ou operacional sobre o andamento da venda da SAF.
Impacto na Sede da Kennedy e reestruturação da dívida

Sede da Kennedy. (Foto: Luana Kaseker/UmDois Esportes)
A viabilização do plano de Recuperação Judicial (RJ) do clube paranaense esteve diretamente atrelada ao acordo firmado com o Banco Genial. A instituição financeira se comprometeu a aportar R$ 60 milhões pela compra da Sede da Kennedy em leilão, montante que será integralmente revertido para a quitação das obrigações da RJ.
Inicialmente, credores do clube exigiam um patamar mínimo de R$ 70,8 milhões pelo imóvel, temendo perdas financeiras. Após novas rodadas de negociação e garantias de recebimento, o valor foi ajustado para R$ 60 milhões. O imóvel irá a leilão por essa quantia, com o Banco Genial garantindo o direito de cobrir eventuais propostas concorrentes. O pagamento será parcelado em dez prestações anuais, com início da carência de um ano contado a partir da efetivação da venda da SAF.
Paralelamente, cabe à NextPlay a responsabilidade de liquidar os débitos pendentes junto à Receita Federal e ao Banco Central, além de conduzir tratativas com o Governo Federal para a aquisição definitiva do complexo da Vila Capanema, cujos valores finais ainda permanecem em aberto.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


