O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), divulgou nesta quinta-feira (8) o Boletim Conjuntural, trazendo uma radiografia completa sobre o momento aquecido do agronegócio paranaense. Os novos números confirmam a liderança isolada do Estado na avicultura nacional e mostram um avanço consistente no plantio das lavouras de verão, com destaque para a soja e o feijão.
De acordo com os dados levantados pela Pesquisa Trimestral do Abate de Animais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e compilados pelo órgão estadual, o Paraná somou 1,1 bilhão de aves abatidas apenas no primeiro semestre de 2026. O montante representa um crescimento de 4,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior, consolidando o território paranaense como o principal polo avícola do país.
“Os dados apontam para um cenário de atividade aquecida no campo paranaense”, pontua Marcelo Garrido Moreira, diretor do Deral.
A participação paranaense no cenário brasileiro é expressiva: o Estado responde por 35% de todos os abates de aves no país. Para se ter uma ideia da dimensão, o volume é mais de duas vezes e meia superior ao registrado por Santa Catarina, que ocupa a segunda colocação no ranking nacional com 13,1% de participação. Somente no segundo trimestre de 2026, o abate estadual alcançou a marca de 1,690 bilhão de cabeças, superando em 2,8% o volume verificado no mesmo intervalo de 2025.
O desempenho histórico foi embalado principalmente pelos resultados de junho, mês que registrou 568,51 milhões de cabeças abatidas — o maior patamar já contabilizado para o período na série histórica, ficando 8,2% acima do resultado de junho do ano passado.
Crescimento na produção de carne e recordes nacionais
No que tange estritamente à produção de carne de frango, a expansão foi ainda mais acentuada. Entre janeiro e junho, o Paraná produziu 2,6 milhões de toneladas, o que representa um salto de 8,4% frente às 2,4 milhões de toneladas geradas no primeiro semestre de 2025. Com esse avanço, o Estado concentra atualmente 36% de toda a proteína de frango produzida no território nacional.
Especialistas apontam que o crescimento da produção em ritmo superior ao aumento do número de aves abatidas demonstra um ganho técnico importante: houve melhora expressiva no peso médio e no rendimento das carcaças, entregando mais carne por animal processado.
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No panorama do segundo trimestre, o avanço paranaense foi o principal motor do recorde nacional. O acréscimo de 31,2 milhões de cabeças abatidas no Estado representou cerca de dois terços dos 46,4 milhões de cabeças a mais computados em todo o Brasil. No acumulado do país, o abate de frangos atingiu 3,3 bilhões de cabeças no semestre, alta de 3,2%, enquanto a produção de carne somou 7,473 milhões de toneladas, avanço de 6%. A Região Sul, de forma ampla, respondeu por 59,7% de todas as aves abatidas no país.
Suinocultura forte e avanço na soja e no feijão
Além da avicultura, a suinocultura paranaense mantém um papel de relevância estratégica, posicionando o Estado como o segundo maior produtor de carne suína do Brasil. Os suinocultores paranaenses respondem por 21% dos abates e 21,3% da produção total de carne suína nacional. Nos primeiros seis meses do ano, foram registradas 6,5 milhões de cabeças abatidas, alta de 1,6%, e uma produção de 623,6 mil toneladas de carne, o que representa um incremento de 1,8%. Quando somados os desempenhos de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a Região Sul concentra 66,6% dos abates e 67,2% da carne suína produzida no país.
No setor de grãos, as notícias também são animadoras. O plantio da safra de verão 2026/2027 avança com ritmo dentro do esperado e ligeiramente acima da média histórica recente. A semeadura da soja, por exemplo, já cobre 36% da área projetada para o Estado.
“A umidade do solo tem favorecido a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas, e as condições gerais das lavouras são consideradas boas, o que mantém uma perspectiva favorável para o desenvolvimento das culturas nesta fase inicial”, avalia Marcelo Garrido Moreira.
No caso do feijão, o plantio da primeira safra superou a metade da área prevista, atingindo 52%. As lavouras exibem um desenvolvimento inicial satisfatório, e a expectativa é de que a colheita das áreas mais precoces tenha início já em dezembro. No mês de setembro, os preços pagos aos produtores registraram alta de 12% para o feijão carioca e de 8% para o preto, acumulando uma valorização de cerca de 60% nos últimos 12 meses. A área estimada para a cultura é de 88,3 mil hectares, registrando uma retração de 14% em relação à área colhida na safra anterior.
Balanço da produção de pêssego
O boletim conjuntural elaborado pelo Deral também dedicou espaço para analisar o desempenho da fruticultura, com foco na cultura do pêssego. Em 2025, a atividade ocupou uma área de 659 hectares no Estado, gerando uma colheita de 7,1 mil toneladas e alcançando um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 42 milhões.
Presente em 165 municípios paranaenses, a cultura tem sua maior concentração produtiva na Região Metropolitana de Curitiba, que responde por 31,7% da área cultivada e 41,1% da produção total, com destaque para os municípios de Campo Largo, Lapa e Araucária. O pêssego cultivado em solo paranaense consolida-se como o segundo mais ofertado nas Centrais de Abastecimento do Estado (Ceasas), respondendo por 27,2% de todo o volume comercializado nesses mercados.
Fonte:: idrparana.pr.gov.br


