A Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) deu início a uma parceria com o Ministério da Saúde (MS) para a implementação de um projeto-piloto que visa aumentar o acesso à insulina Glargina. Esta iniciativa tem como foco principal o fortalecimento do cuidado e a melhoria da qualidade de vida para pacientes que vivem com diabetes mellitus, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades em controlar a glicemia com os tratamentos convencionais.
O diabetes é uma condição crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, o que requer acompanhamento contínuo, adaptações no estilo de vida e, geralmente, o uso diário de medicamentos e insulina. Além disso, a doença é um fator significativo de risco para complicações cardiovasculares, particularmente quando não há um controle adequado dos níveis de glicose.
Desde o início do projeto em fevereiro de 2025, foram realizados 1.802 atendimentos a pacientes no Paraná até o dia 20 de maio de 2026. Nesse período, o estado recebeu uma remessa de 19.891 canetas reutilizáveis de insulina Glargina, que estão sendo distribuídas para a população atendida pelo programa.
O secretário da Saúde do Paraná, César Neves, destaca que o projeto tem como objetivo ampliar a assistência aos pacientes e avaliar os resultados clínicos da medicação na rede pública de saúde. “Nosso intuito é oferecer um tratamento mais eficaz para aqueles que têm dificuldades em controlar a glicemia. Um acompanhamento adequado pode reduzir as complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida destas pessoas”, afirmou.
O tratamento abrange novos diagnósticos e a transição de pacientes que atualmente utilizam insulina NPH, conforme a orientação médica. O público atendido nesta fase inclui idosos com 80 anos ou mais, tanto com diabetes tipo 1 quanto tipo 2, além de crianças e adolescentes de 2 a 17 anos com diabetes tipo 1. O projeto também prevê um monitoramento contínuo dos pacientes, com avaliação médica e acompanhamento multiprofissional realizado pelas equipes de saúde.
Ação Prolongada
Segundo Alexei Volaco, médico endocrinologista e coordenador da Saúde do Adulto no Departamento de Atenção Primária à Saúde da SMS Curitiba, a insulina Glargina é um análogo da insulina, o que significa que sua molécula foi modificada para alterar suas características de ação. “Essa modificação estrutural resulta em uma absorção mais lenta após a aplicação subcutânea, proporcionando uma ação prolongada que pode chegar até 24 horas, sem picos de glicemia”, explicou o especialista.
Ele enfatizou que o controle adequado do diabetes depende de vários fatores, incluindo uma alimentação equilibrada, a prática de atividades físicas, a adesão ao tratamento e o acompanhamento regular. “O uso correto da insulina, alinhado a cuidados diários, é fundamental para prevenir complicações graves da doença e garantir maior segurança e qualidade de vida aos pacientes”, complementou.
Prevenção e Identificação
Além da distribuição do medicamento, a iniciativa destaca a importância da prevenção e identificação precoce do diabetes. Os sintomas mais comuns incluem sede excessiva, aumento da frequência urinária, fadiga, emagrecimento sem causa aparente e alterações na visão.
Martha Notburga Rosniecek, uma paciente de 90 anos que participa do projeto-piloto, relatou uma melhora significativa no controle de sua glicemia após o início do tratamento com insulina Glargina. “Estou me dando muito bem com essa nova insulina. Ela parece ser melhor do que a que eu usava anteriormente. Desde que comecei o tratamento, meus exames melhoraram bastante e a glicemia ficou mais estável ao longo do dia. Isso me trouxe mais tranquilidade e segurança”, contou.
Ela também destacou que o acompanhamento das equipes de saúde tem sido essencial para melhorar sua qualidade de vida. “Consigo monitorar melhor os resultados e percebo que os níveis de glicose diminuíram consideravelmente. Sinto que melhorou muito”, afirmou Martha.
Antônio José Bertulino, de 83 anos, também notou uma significativa melhoria no controle da glicemia após começar a utilização da insulina Glargina. “Antes, eu tinha muita dificuldade em controlar o diabetes. Mesmo com a outra insulina, meus níveis de glicose chegavam a patamares muito altos. Agora, com a insulina Glargina, vejo uma grande diferença. Hoje, em alguns dias, minha medição fica em 90, 87. Isso traz mais serenidade e segurança. Ter acesso gratuito a este medicamento pela rede pública tem sido excelente e fez uma grande diferença na minha saúde”, relatou.
Produção Nacional
A adoção dessa estratégia pelo Ministério da Saúde (MS) é uma resposta à escassez global de insulinas humanas, como NPH e regular, que se intensificou desde 2023. Para reduzir a vulnerabilidade do país e fortalecer a produção nacional, foi formalizada em abril de 2025 a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) dedicada à insulina Glargina.
Fonte: saude.pr.gov.br


