A Polícia Civil do Paraná (PCPR) lançou uma operação nas ruas de Curitiba na manhã desta terça-feira (30) com o objetivo de desmantelar uma associação criminosa que se especializou em crimes patrimoniais dentro dos ônibus do transporte coletivo da capital paranaense.
A ação, que conta com o suporte aéreo de um helicóptero da PCPR, visa cumprir 22 ordens de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão. Os alvos são endereços em Curitiba e nos municípios da Região Metropolitana, incluindo Piraquara, Pinhais, Campo Largo, Colombo e Fazenda Rio Grande, além de ramificações identificadas na cidade de Londrina.
Essa operação é fruto de uma investigação da PCPR que teve início em fevereiro deste ano. Entre os delitos aprofundados, estão associação criminosa, roubo, furto qualificado, estelionato e receptação. O avanço da investigação se deu por meio da colaboração de inteligência com a URBS (Urbanização de Curitiba S.A.).
A PCPR analisou que a atuação do grupo criminoso era marcada por uma complexa estratégia de distração. Os suspeitos costumavam operar em núcleos de quatro a dez indivíduos. “Eles provocavam tumultos e pequenos empurrões intencionalmente durante os momentos de maior aglomeração, como entrada e saída dos ônibus. Em certas situações, deixavam objetos no chão propositalmente para desviar a atenção do alvo”, explica o delegado Thiago Mendes, da PCPR.
Enquanto parte do grupo usava a superioridade numérica para cercar fisicamente a vítima e limitar sua capacidade de percepção, o executor principal se utilizava de roupas, como blusas ou moletons, para camuflar suas mãos enquanto acessava as bolsas e os bolsos de suas vítimas.
A investigação revelou que a seleção dos alvos era feita de maneira estratégica e cuidadosa, com a maioria das vítimas sendo idosos. Após o furto, os criminosos agiam de forma coordenada para distribuir rapidamente os itens roubados entre eles, complicando a identificação do crime em caso de abordagem policial isolada.
Quando se tratava de aparelhos celulares, os integrantes do grupo removiam o chip imediatamente após o crime para interromper a comunicação do dispositivo, dificultando o rastreamento pelas autoridades. “Além disso, ao obter cartões bancários das vítimas, realizavam múltiplos lançamentos e compras por aproximação, limitando os valores a até R$ 199 para evitar a exigência de senha antes que as vítimas pudessem bloquear os seus cartões”, acrescenta o delegado.
Em algumas situações, os membros do grupo utilizavam máquinas de cartão portáteis retiradas de suas mochilas para processar transações fraudulentas instantaneamente. Adicionalmente, usavam cartões-transporte isentos, que haviam sido subtraídos das próprias vítimas idosas, a fim de ter acesso livre ao transporte público sem arcar com as tarifas devidas.
Sabendo que o sistema de transporte coletivo emprega a biometria facial para auditar o uso de benefícios tarifários, capturando imagens dos usuários em tempo real, os investigados passaram a adotar táticas de disfarce para fraudar a fiscalização eletrônica. No momento da validação dos cartões nas catracas, obstruíam a lente da câmera colocando as mãos ou os dedos sobre ela e utilizavam acessórios como bonés, capuzes e óculos escuros para ocultar seus rostos.
Fonte:: parana.pr.gov.br


