No dia 22 de novembro, a Polícia Penal do Paraná (PPPR) promoveu uma palestra no auditório da Colônia Penal Industrial de Maringá (CPIM) com foco na prevenção e no enfrentamento do assédio moral e sexual no ambiente de trabalho. A atividade, que contou com a participação de cerca de 100 servidores, teve como principal objetivo orientar os funcionários sobre condutas adequadas e os riscos jurídicos, além dos impactos pessoais e profissionais que podem advir de práticas de assédio.
O coordenador regional da PPPR em Maringá, Júlio César Vicente Franco, ressaltou que a ação está alinhada às diretrizes institucionais. Ele lamentou que alguns membros da equipe se envolvam em situações que culminam em processos administrativos e até criminais relacionados ao assédio, reforçando a necessidade de iniciativas educativas. “As orientações que fornecemos são para que os servidores possam prevenir erros que possam trazer prejuízos à sua vida pessoal e profissional”, destacou Franco.
A palestra foi liderada pelo corregedor-geral da PPPR, Deivid Alessandro Duarte, que explicou que a corregedoria é responsável por investigar todos os casos de assédio dentro da instituição. Isso garante uma visão abrangente sobre as consequências de tais comportamentos. “Muitos episódios poderiam ter sido evitados se houvesse um conhecimento prévio sobre as normas e os limites legais”, enfatizou o corregedor.
Durante a apresentação, foram abordados tanto conceitos teóricos quanto exemplos práticos e situações reais que a instituição enfrentou, visando esclarecer dúvidas comuns entre os servidores. A ideia foi diferenciar o que realmente caracteriza o assédio em relação a situações normais do cotidiano profissional, como a cobrança de resultados e a distribuição de tarefas entre a equipe.
Outro aspecto que recebeu destaque foi a importância de se adaptar às mudanças sociais e culturais atuais. Conforme mencionado por Duarte, comportamentos que eram aceitos no passado agora podem ser objeto de punição, aumentando a responsabilidade, especialmente para os gestores. Essa mudança de perspectiva é essencial para a construção de um ambiente de trabalho mais saudável.
Dados apresentados durante a palestra reforçam a seriedade do problema do assédio no Brasil. Entre 2020 e 2025, a Justiça do Trabalho registrou cerca de 600 mil ações relacionadas ao assédio moral. Além disso, os casos de assédio sexual em ambientes de trabalho também têm crescido de maneira alarmante, com 12.813 registros de ações trabalhistas em 2025, o que representa um aumento de aproximadamente 40% em comparação ao ano anterior.
A palestra esclareceu que o assédio moral se caracteriza por atos de humilhação e constrangimento, enquanto o assédio sexual se refere a comportamentos intencionais para obter vantagem de natureza sexual, frequentemente associados a dinâmicas de poder. Este esclarecimento é crucial para que os servidores compreendam as diferenças e possam identificar situações de assédio em seu cotidiano.
Além de abordar a temática da prevenção, a atividade incentiva as vítimas a denunciarem os casos reais e promove o acolhimento dessas pessoas, destacando que a instituição possui mecanismos adequados para a apuração e responsabilização dos envolvidos. “Nosso compromisso é criar um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e saudável para todos os que fazem parte da instituição”, concluiu o corregedor.
Esta iniciativa integra um conjunto de medidas que visam fortalecer a instituição e melhorar as relações no ambiente de trabalho, envolvendo servidores de diversas áreas, incluindo policiais penais e equipes administrativas, além de colaboradores terceirizados que atuam na PPPR.
Fonte: policiapenal.pr.gov.br


