Já parou para pensar em como a rotina exaustiva das grandes turnês musicais afeta a vida dos maiores artistas do planeta? A cantora Miley Cyrus abriu o jogo e explicou os reais motivos pelos quais optou por não realizar turnês de seus álbuns mais recentes. Em vez de percorrer o mundo com shows itinerantes, a estrela pop revelou que prefere concentrar suas próximas apresentações em Los Angeles, nos Estados Unidos, adotando um modelo de residência artística onde o público é quem precisa se deslocar.
Em uma entrevista concedida a Zane Lowe para promover o projeto Bass Persuades, a artista detalhou sua nova visão sobre os palcos. Segundo a cantora, o formato tradicional de estrada não se encaixa mais no estilo de vida que construiu para si mesma. A declaração, no entanto, gerou forte repercussão negativa entre os fãs internacionais, que rapidamente apontaram os altos custos de viagens e as rigorosas restrições de imigração para entrar nos Estados Unidos como barreiras intransponíveis.
“Eu não consegui encontrar um jeito de fazer o que eu queria, que era construir algo bem edificado e ir subindo a partir daí, que é o que eu criei na minha vida particular. Você organiza tantas coisas para um show, e existe tanta coisa que, como mulher, você precisa se preocupar. Eu preciso agendar minha manicure e meu bronzeamento com antecedência. É isso que eu sempre faço e eu não quero que mude, precisa ser apenas um dia normal”, declarou a musicista durante a conversa.
Para testar o novo formato, a artista realizou apresentações no tradicional Hollywood Bowl, reunindo cerca de 18 mil pessoas em cada uma das noites agendadas para outubro. Segundo Miley Cyrus, a alta procura pelos ingressos demonstrou que o público estaria disposto a viajar para vê-la. “Fazer uma residência era a minha ideia. Agora eu sei, através dessa demanda de ingressos do Hollywood Bowl [4 milhões], que os meus cálculos estão corretos e as pessoas virão até mim. Eu não preciso ir até elas”, argumentou.
“Esses shows foram apenas um teste. Isso é perfeito porque as pessoas querem me ver performar e eu quero dormir na minha cama, então todo mundo fica feliz”, concluiu a cantora. Contudo, a postura da artista foi duramente criticada nas redes sociais, com internautas apontando um suposto distanciamento da realidade vivida pela maior parte de seu público.
“Imagine esperar que pessoas normais reservem voos e acomodação para os Estados Unidos quando você é rica e acha que seus fãs são os únicos que podem pagar por tudo isso”, criticou um usuário na plataforma X. Outro perfil foi ainda mais incisivo: “O comentário mais elitista que já saiu da boca dela”. Questões burocráticas também foram amplamente lembradas: “Nem todos os fãs têm vistos para os Estados Unidos, a maioria literalmente não tem permissão para entrar no país”, lamentou outro seguidor.
Traumas e experiências extremas na estrada
A decisão drástica de abandonar o modelo de turnês tradicionais não surgiu do acaso. Durante a mesma entrevista, Miley Cyrus relacionou sua nova postura artística a uma série de episódios traumáticos vividos em 2022, período em que realizou shows internacionais, incluindo passagens pelo México e pelo Brasil.
“Eu sempre amei me apresentar, desde criança. É algo que fui feita para fazer. Mas tive experiências que desenvolveram muitos traumas e medos em mim”, desabafou a artista, relembrando o contexto pós-isolamento social. “Tinha acabado de sair do lockdown da pandemia de Covid-19, e sair de ver poucas pessoas em uma semana para uma multidão foi intenso.”
A cantora detalhou que o acúmulo de acontecimentos trágicos e assustadores criou um cenário insustentável para sua saúde mental e física. “Acho que não era tanto ansiedade, olhando em retrospectiva. Mas sim um coquetel de coisas difíceis, como ter enfrentado uma pandemia mundial, como todos; um dos meus melhores amigos, Taylor Hawkins, morreu; meu avião pegou fogo a caminho da apresentação e foi assustador, porque nós estávamos caindo do céu, pousamos e o avião foi atingido por um raio”, relatou.
Diante de tantas adversidades acumuladas, a artista percebeu que o ritmo frenético da indústria do entretenimento muitas vezes ignora a fragilidade humana. “Então tinha o coquetel perfeito de caos. Não foi uma crise de ansiedade, porque ansiedade é o medo do futuro, da projeção de algo não existente no futuro. Mas todas as coisas das quais eu tive medo estavam acontecendo. Ainda testei positivo para Covid-19 no dia do show”, relembrou.
Por fim, a estrela concluiu que o formato industrial de grandes turnês precisa ser repensado pelos próprios profissionais da música. “Depois que voltei para casa, não fiz mais apresentações assim desde então. Não por causa de medo, mas porque, naquele momento, entendi que os shows são trens que não podem ser parados quando estamos nos trilhos. Não teve ninguém que já me perguntou se eu realmente queria seguir com as apresentações depois que tudo aconteceu. Não porque não se importam comigo, mas porque fomos treinados para isso: para o show continuar. Mas o que fazemos não é sustentável para os artistas”, finalizou.
Fonte:: tvpop.com.br


