Produtores rurais, estudantes e profissionais da área agrícola se reuniram recentemente na Estação de Pesquisa Luiz Natal Bonin, localizada no município de Cambará, no estado do Paraná, para participar de um evento técnico voltado ao setor frutícola. A iniciativa teve como foco principal a apresentação de novas cultivares de banana e o aprimoramento de estratégias para o manejo fitossanitário dos pomares, com ênfase no combate a doenças que afetam a produtividade local.
O encontro mobilizou aproximadamente 150 participantes, criando um ambiente propício para a troca de experiências entre agricultores familiares, técnicos extensionistas, pesquisadores e alunos da rede de ensino agrícola. A programação foi estruturada para demonstrar na prática os resultados de pesquisas recentes e alternativas viáveis para diversificar e fortalecer a economia rural da região.
Novas cultivares avaliadas no solo paranaense
Um dos pontos altos do evento foi a apresentação detalhada sobre o desempenho de diferentes variedades de banana adaptadas às condições edafoclimáticas do estado. O engenheiro agrônomo Fernando Teixeira de Oliveira conduziu as discussões sobre o comportamento agronômico de materiais genéticos como as cultivares Carvoeira, Noninha, Prata Catarina, Nanicão Corupá e Belluna.
Essas opções foram introduzidas e avaliadas graças a um Acordo de Cooperação Técnica estabelecido entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri-SC). O objetivo da parceria é testar materiais que ofereçam maior resistência a pragas, melhor adaptação ao clima da região sul e maior rentabilidade comercial para quem vive da bananicultura.
Desafios no manejo fitossanitário
Além da apresentação de novas plantas, o evento deu espaço fundamental para debates sobre a sanidade dos cultivos. O extensionista Sebastião Bellettini orientou o público presente sobre os métodos adequados de monitoramento, identificação precoce e controle de patógenos que costumam ameaçar as lavouras de banana.
Entre os principais problemas abordados estiveram as doenças que compõem o complexo de Sigatoka, além de alertas importantes sobre a incidência da fusariose e dos nematoides, pragas subterrâneas que exigem rigor técnico no manejo do solo e na escolha de mudas certificadas.
O chefe da Estação de Pesquisa, Marcos Francisco Rosa, compartilhou com os presentes a trajetória de implantação da Vitrine Tecnológica de Banana na unidade. Em sua fala, detalhou os principais desafios enfrentados desde o planejamento até a obtenção dos resultados práticos, servindo de exemplo para que os produtores possam replicar as técnicas em suas respectivas propriedades.
Diversificação e parceria institucional
A programação técnica não ficou restrita à bananicultura. Os visitantes também tiveram a oportunidade de conhecer de perto trabalhos voltados a outras espécies frutíferas de relevância econômica para o estado do Paraná, incluindo o manejo de mudas enxertadas de goiaba e técnicas recomendadas para o plantio e condução de pomares de acerola.
A realização do dia de campo foi fruto de uma parceria estratégica entre o IDR-Paraná e o Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola Mohamad Ali Hamzé, conhecido popularmente como o Colégio Agrícola de Cambará. A união entre as instituições reforça o compromisso de conectar a educação profissional e a pesquisa científica diretamente às demandas reais do campo.
Para o chefe regional do IDR-Paraná na unidade de Santo Antônio da Platina, Maurício Castro Alves, a abertura das portas da estação de pesquisa permite que o setor produtivo visualize o potencial das inovações tecnológicas de maneira concreta. Segundo ele, ver os experimentos funcionando em condições reais de cultivo gera confiança nos agricultores.
A visão é compartilhada pelo pesquisador Clandio Medeiros da Silva, que enfatizou a expressiva adesão ao evento como um indicativo claro da necessidade constante de diálogo entre a ciência agronômica e a ponta produtiva. Iniciativas como essa consolidam o papel da Vitrine Tecnológica de Fruticultura como um polo permanente de capacitação, difusão de conhecimento e apoio fundamental para a tomada de decisões dos produtores rurais paranaenses.
Fonte:: idrparana.pr.gov.br


