Radiografia financeira aponta clubes brasileiros com passivos bilionários

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Corinthians, Atlético-MG e São Paulo são os mai...

Os 40 principais clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro acumulam um passivo total que alcança a impressionante marca de R$ 25 bilhões. Os dados foram compilados e divulgados pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf), órgão recém-criado pela Confederação Brasileira de Futebol com o objetivo de regulamentar e monitorar o Fair Play Financeiro no país.

O levantamento detalhado tem como base os balanços financeiros mais recentes e as declarações oficiais entregues pelas instituições esportivas à agência em julho. O recorte considera as parcelas e obrigações com vencimento acumulado até o dia 30 de junho, revelando um cenário de alerta para a saúde econômica da maioria das equipes profissionais do território nacional.

Do total de 40 entidades avaliadas, 11 registram dívidas que superam a barreira de R$ 1 bilhão. Destas, quatro ultrapassam a faixa dos R$ 2 bilhões. O Corinthians aparece no topo do ranking com o maior passivo total, acumulando R$ 2,76 bilhões. Logo na sequência aparecem o Atlético-Mineiro, com R$ 2,66 bilhões, e o São Paulo, somando R$ 2,45 bilhões em obrigações financeiras.

A situação econômica atinge inclusive os principais protagonistas das competições recentes. O Palmeiras apresenta um passivo de R$ 1,58 bilhão, enquanto o Flamengo contabiliza dívidas da ordem de R$ 1,26 bilhão. No cenário regional, o Athletico, que inclui em seu balanço o passivo estrutural relacionado à Arena da Baixada, registra um total de R$ 405 milhões em débitos. Já o Coritiba contabiliza R$ 185 milhões em obrigações.

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Apesar dos montantes elevados, os dois principais rivais paranaenses figuram entre os menores endividamentos do Brasileirão e conseguiram escapar de sanções relacionadas a pagamentos em aberto. No extremo oposto da tabela de passivos, o clube com o menor volume de dívidas em todo o levantamento é o Mirassol, com R$ 11 milhões.

Além do endividamento geral, o painel desenvolvido pela Anresf monitora um indicador considerado ainda mais sensível: o atraso nos pagamentos. Desde janeiro, o Sistema de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro acompanha de perto três frentes cruciais — salários de funcionários e atletas, compromissos decorrentes de transferências de jogadores e obrigações fiscais com impostos.

O retrato trazido pelo órgão regulador aponta que apenas 15 dos 40 clubes analisados declararam estar com a situação rigorosamente em dia, sem nenhum tipo de pagamento pendente até o final de junho. Por outro lado, os outros 25 participantes do torneio fecharam o semestre com parcelas em atraso em pelo menos uma dessas categorias monitoradas, evidenciando os desafios diários de gestão e fluxo de caixa enfrentados pelas administrações das agremiações esportivas.

Panorama detalhado das contas no esporte nacional

A divulgação dos números consolidados pela Anresf reforça a necessidade de maior rigor administrativo e transparência nas contas dos clubes brasileiros. Com passivos bilionários concentrados principalmente nos gigantes da elite, o debate sobre a sustentabilidade a longo prazo do modelo associativo e das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) ganha ainda mais força nos bastidores do esporte.

Especialistas apontam que o controle rígido promovido pelas novas diretrizes financeiras tende a pressionar as diretorias a adotarem medidas severas de corte de gastos e reestruturação de passivos nos próximos anos, visando evitar punições esportivas e garantir o equilíbrio competitivo nas próximas temporadas das principais divisões do futebol nacional.

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Fonte:: umdoisesportes.com.br

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