O IX.br (Brasil Internet Exchange), iniciativa do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) e do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), inaugurou em Macapá, no Amapá, o seu 40º Ponto de Troca de Tráfego (PTT). Com essa implementação, o projeto consolida a sua presença em todas as 27 unidades federativas do país, abrangendo os 26 estados brasileiros. O início oficial das operações na capital amapaense marca a chegada do sétimo PTT na Região Norte, integrando-se às estruturas já existentes em Belém (PA), Manaus (AM), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC) e Boa Vista (RR).
Considerado o maior conjunto de Pontos de Troca de Tráfego de Internet do mundo, o IX.br conta atualmente com mais de 3,7 mil Sistemas Autônomos (AS) participantes, responsáveis por gerar aproximadamente 7,25 mil conexões. A infraestrutura desempenha uma função estratégica ao viabilizar a interligação física direta entre Provedores de Acesso à Internet (ISPs) e Provedores de Conteúdo. Por meio dessa rede compartilhada, os dados circulam de maneira mais direta, o que reduz o trajeto percorrido, diminui os custos operacionais e eleva expressivamente a estabilidade e a qualidade da conexão para os usuários finais, resultando em uma internet mais rápida, eficiente e acessível em território nacional.
Milton Kaoru Kashiwakura, diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento do NIC.br, destacou a importância do momento. Segundo ele, com o início das atividades em Macapá, o IX.br cumpre a meta de estabelecer pontos de troca de tráfego em todo o território nacional. Essa expansão, construída ao longo de mais de duas décadas, evidencia o compromisso do NIC.br com o aprimoramento contínuo da infraestrutura digital brasileira, viabilizada por meio de parcerias estratégicas com o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), a RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) e os governos estaduais.
Marco para a região norte e avanço tecnológico
A chegada da nova estrutura foi celebrada por representantes de órgãos parceiros. Eduardo Grizendi, consultor para Projetos Especiais da RNP, classificou a inauguração como um marco histórico para a internet no Brasil. Para ele, a troca eficiente de tráfego é o alicerce para a comunicação digital e a participação da instituição reforça o fortalecimento da conectividade não apenas na Região Norte, mas em todo o país.
Na mesma linha, Alex Rogério de Almeida Fernandes, diretor de Infraestrutura Computacional do PRODAP (Centro de Gestão da Tecnologia da Informação do Amapá), enfatizou os impactos locais do novo PTT. O gestor pontuou que manter uma parcela maior do tráfego de internet dentro do próprio estado reduz caminhos desnecessários, otimiza a latência e amplia a resiliência da rede. Para o governo amapaense, a tecnologia fundamenta os serviços digitais e impulsiona o desenvolvimento do ecossistema de internet regional, preparando o estado para a expansão da transformação digital.
Recordes de tráfego e descentralização
Nos últimos anos, o IX.br tem acumulado recordes expressivos no volume de tráfego de dados intermediados. O patamar mais elevado foi registrado em junho, quando a iniciativa atingiu a marca de 55 Terabits por segundo (Tbit/s) no agregado. O período foi marcado por alta demanda em serviços de streaming, impulsionada por transmissões de grande audiência, como os jogos da Copa do Mundo de futebol. De acordo com Julio Sirota, gerente de Infraestrutura do IX.br, a capacidade de suportar picos intensos sem degradação do serviço decorre de um planejamento contínuo, investimentos robustos em equipamentos e discussões antecipadas com as redes participantes.
Embora o PTT de São Paulo siga como líder global em volume de tráfego e número de participantes — concentrando cerca de 65% do total gerado no país —, o cenário nacional demonstra uma descentralização gradual. O PTT de Fortaleza (CE), por exemplo, consolidou-se como o segundo maior do Brasil, impulsionado pela posição geográfica estratégica da capital cearense, que abriga uma das maiores concentrações de cabos submarinos do planeta.
Projeto OpenCDN e otimização de dados
Como parte da estratégia para descentralizar o tráfego e mitigar a dependência do polo de São Paulo, o NIC.br tem intensificado os investimentos no projeto OpenCDN. A iniciativa promove a criação de células de distribuição de conteúdo conectadas aos diferentes PTTs do país por meio do compartilhamento de infraestrutura.
O modelo permite que Redes de Distribuição de Conteúdo (CDNs) instalem servidores de cache em centros de dados parceiros distribuídos pelas regiões brasileiras. Esses servidores armazenam temporariamente as mídias e arquivos mais acessados pelos usuários, criando rotas diretas de entrega. Atualmente, o OpenCDN já opera em municípios como Salvador (BA), Manaus (AM), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Caruaru (PE), Feira de Santana (BA), Belém (PA), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS), promovendo uma navegação mais ágil, estável e com menores índices de falhas.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


