Reforma Tributária entra na fase de implementação e comunicação se torna desafio para empresas

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Rodolfo Margato, vice-presidente de Pesquisa Ec...

Após anos de intensas negociações políticas e debates técnicos no Congresso Nacional, a Reforma Tributária acaba de iniciar sua implementação em 2026. Durante um evento realizado na sede da Aberje, em São Paulo, na última quarta-feira (6), especialistas destacaram que o maior desafio deste novo capítulo será a comunicação das mudanças para as empresas, consumidores e para a sociedade como um todo.

Os economistas e especialistas presentes no debate concordaram que, embora a aprovação da reforma tenha sido uma tarefa complicada, a grande dificuldade agora reside em tornar o novo sistema tributário compreensível. Este evento foi promovido pela Aberje em parceria com o InfoMoney e reuniu representantes de diversos setores, acadêmicos e profissionais da comunicação corporativa para discutir os impactos da reforma nas empresas, setores e cadeias produtivas.

Da negociação política ao impacto no dia a dia

Os especialistas afirmaram que a reforma deixou o campo teórico das negociações e passou a afetar diretamente a operação das empresas e o consumo. Vanessa Canado, professora sênior e coordenadora do Núcleo de Tributação do Insper, comentou que, enquanto a reforma estava sendo discutida, apenas se falava em aspectos gerais, sem se detalhar questões como a nota fiscal. “Agora, quanto mais detalhado, mais complicado. A implementação, em termos gerais, é mais complexa do que o próprio processo político”, observou.

Canado destacou que um dos maiores desafios nesta fase será simplificar as informações técnicas para que sejam compreendidas por todos os agentes envolvidos, incluindo empresas, consumidores e trabalhadores.

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O período de transição até 2032 foi destacado como uma Rodolfo Margato, vice-presidente de Pesquisa Econômica da XP Investimentos, ressaltou que a reforma já superou desafios políticos, mas agora precisa se traduzir em resultados práticos para os diferentes agentes econômicos. “A comunicação será um desafio vital, especialmente durante essa fase de transição. A partir de agora, requererá estudos mais específicos para setores e empresas”, apontou.

Margato também lembrou que, apesar da continuidade da reforma parecer assegurada, a capacidade de adaptação dos envolvidos será crucial. Neste cenário, a comunicação assume um papel central.

Transparência e desafios na comunicação

O debate revelou que a Reforma Tributária agora envolve não apenas áreas fiscais e financeiras, mas também necessita de atenção direta ao esclarecimento para o consumidor final. A introdução do IVA dual, que combina a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) federal com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) de estados e municípios, promete aumentar a transparência sobre a carga tributária sobre bens e serviços. Com isso, espera-se que os tributos sejam mais evidentes nas notas fiscais, permitindo que o consumidor veja claramente quanto está pagando em impostos.

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“É uma mudança que nos permitirá saber exatamente quanto estamos pagando de imposto”, afirmou Canado, ressaltando que isso não apenas transformará processos internos nas empresas, mas também reconfigurará suas relações com consumidores, fornecedores e investidores.

Rodrigo Flores, CEO do InfoMoney, acredita que essa reforma poderá provocar a maior revolução tributária no Brasil, trazendo à tona desafios significativos e gerando uma ansiedade decorrente da incerteza. “Por isso, a busca por informações confiáveis será indispensável”, comentou.

Leonardo Müller, economista-chefe da Aberje, enfatizou a importância da comunicação no contexto da reforma: “Após a fase de discussão entre técnicos e políticos, chega o momento de conversarmos sobre a reforma, que levará tempo para ser efetivamente implementada e que mudará radicalmente a forma de cobrança de impostos no Brasil.”

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Neste panorama, a comunicação corporativa se torna fundamental. Os debatedores destacaram que as empresas precisarão articular melhor as mudanças nos preços, revisar contratos e ajustar operações em um ambiente que ainda é permeado por incertezas e diferentes narrativas.

Os organizadores do evento destacaram que a reforma representa uma “transição institucional” e possui potencial para redefinir critérios de competitividade e a dinâmica de reputação das empresas. Assim, o papel da comunicação deve ir além do institucional, abrangendo também a gestão de riscos e o alinhamento estratégico, a fim de evitar a disseminação de desinformação ao longo desse extenso período de transição.

Com uma implementação gradual e a coexistência de sistemas antigos e novos ao longo dos próximos anos, os especialistas alertam para o risco de mal-entendidos tanto internamente nas empresas quanto na relação com o mercado. Além disso, muitos setores ainda tentam avaliar os efeitos reais da reforma sobre preços, margens de lucro e competitividade.

Para Margato, essa situação exige que as empresas busquem maior eficiência, uma vez que o novo sistema elimina diversos tributos que antes necessitavam de grandes departamentos para assegurar a conformidade normativa. Ele acredita que a combinação dessas reduções de custos com o uso de Inteligência Artificial (IA) permitirá que os departamentos fiscais aumentem sua produtividade e eficácia, resultando em impactos positivos nos preços finais dos produtos.

Os especialistas concordam que a discussão reforça a percepção de que a Reforma Tributária se tornou um desafio que abrange não apenas o aspecto legislativo, mas também operacional e econômico, agora exigindo um foco maior na comunicação para traduzir um sistema complexo em informações acessíveis a todos os que pagam impostos, produzem e consomem.

Fonte: infomoney.com.br

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