Secretaria de Estado da Saúde destaca combate à insegurança alimentar no Paraná

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Saude.pr.gov.br

O Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, traz à tona a urgência de mobilizações globais contra a fome e a desnutrição. Estabelecida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a data busca incentivar sistemas alimentares que sejam simultaneamente saudáveis e sustentáveis. Para o ano de 2026, o mote escolhido foi “Inovar hoje para Nutrir o Amanhã”, estimulando a sociedade a projetar o futuro e implementar medidas imediatas que assegurem comida de qualidade e em quantidade adequada nos lares, preservando os recursos naturais para as próximas gerações.

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, César Neves, o conceito de segurança alimentar vai além da mera ingestão de calorias. “Garantir a segurança alimentar significa assegurar que todas as pessoas tenham direito de comer todos os dias, com qualidade e quantidade suficientes”, afirmou. O gestor pontua que a insegurança alimentar se manifesta quando há incerteza ou escassez real de mantimentos regulares no domicílio. Essa carência impacta diretamente o desenvolvimento infantil, o rendimento escolar e profissional, além de comprometer a dignidade e o bem-estar dos cidadãos.

Além da fome imediata e da desnutrição, a falta de acesso regular a uma alimentação adequada desencadeia graves complicações de saúde pública. Entre as consequências mais comuns estão deficiências nutricionais severas, obesidade, diabetes, hipertensão arterial e enfermidades cardiovasculares, fatores que acabam gerando uma sobrecarga significativa sobre a rede pública de atendimento médico.

A estratégia do SUS no Paraná

Como parte das frentes de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) para mitigar essa problemática, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) intensificou a orientação junto aos municípios paranaenses quanto à utilização da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA). O instrumento possibilita a identificação precoce de vulnerabilidades relacionadas à falta de comida nos lares e pode ser aplicado de maneira prática durante cadastramentos, visitas domiciliares e consultas de rotina na Atenção Primária à Saúde.

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O procedimento é conduzido de forma humanizada por profissionais capacitados, a exemplo de Agentes Comunitários de Saúde (ACS), enfermeiros e médicos. Voltada para maiores de 18 anos, a ferramenta baseia-se em duas perguntas simples direcionadas ao período dos últimos três meses:

  • Os alimentos acabaram antes que você tivesse dinheiro para comprar mais comida?
  • Você comeu apenas alguns alimentos que ainda tinha, porque o dinheiro acabou?

Caso o cidadão responda afirmativamente a ambas as indagações, a residência é catalogada com risco de insegurança alimentar. Diante desse diagnóstico, a equipe multidisciplinar de saúde formula um plano de cuidados individualizado e programa o reestudo do caso em intervalos mais curtos, variando de três a seis meses. Nos cenários onde o risco não é detectado, a reavaliação ocorre em um período de seis a doze meses.

Integração de dados e busca ativa

Todas as informações obtidas por meio da triagem são armazenadas na Ficha de Cadastro Individual do usuário dentro do sistema e-SUS APS ou em prontuários integrados das unidades de saúde. Esse fluxo constrói um panorama em tempo real da vulnerabilidade social no território paranaense, permitindo que os gestores formulem políticas públicas mais assertivas e intervenham precocemente.

A TRIA funciona como um elo com a rede intersetorial. Quando um lar é identificado em situação de vulnerabilidade, o registro migra para o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Isso viabiliza que a assistência social realize uma busca ativa eficiente, conectando os cidadãos a programas de transferência de renda e apoio nutricional nas esferas municipal, estadual e federal.

Os reflex desse trabalho conjunto já aparecem nos indicadores. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que, entre 2023 e 2026, a triagem foi efetuada em mais de 1,8 milhão de domicílios no Paraná. Desse montante, apenas 0,9%, o equivalente a 15.918 residências, apresentaram algum tipo de risco, índice expressivamente inferior à média nacional, fixada em 6,6%.

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“Alimentação saudável e regular é um direito básico de todos. O Paraná tem atuado forte para identificar precocemente onde está o risco da fome e garantir que a saúde atue de mãos dadas com outros setores que possam apoiar essas famílias, na garantia da Segurança Alimentar e Nutricional. Ao cuidar das nossas famílias a partir das unidades de saúde, damos um passo essencial para nutrir o futuro do nosso Estado com dignidade e saúde”, concluiu César Neves.

Fonte:: saude.pr.gov.br

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