Paraná volta ao patamar de normalidade com redução de infecções respiratórias

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: Divulgação / Saude.pr.gov.br

O estado do Paraná registrou uma melhora expressiva nos indicadores de saúde pública e retornou ao nível Zero, classificado como cenário de normalidade, conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Vírus Respiratórios da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). A mudança de patamar ocorre após seis semanas consecutivas de queda sustentada nos registros de infecções e óbitos em território paranaense.

De acordo com os dados consolidados até a Semana Epidemiológica 39, o estado contabilizou 21.014 internações hospitalares decorrentes de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 1.021 óbitos associados à condição. Quando comparados os números com o mesmo período do ano anterior, os registros apontam uma retração de 14,1% no volume de diagnósticos e uma queda de 34,7% no total de mortes provocadas pelas complicações respiratórias.

As estatísticas que fundamentam a reclassificação têm como base as informações repassadas pelo Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep). O atual panorama é marcado pela estabilidade dos índices epidemiológicos e pela circulação considerada habitual dos patógenos virais na região.

Monitoramento contínuo e prevenção

Apesar da transição para o nível de normalidade, as autoridades sanitárias ressaltam que o trabalho de acompanhamento não será interrompido. A Sesa informou que seguirá com as atividades rotineiras das vigilâncias sentinela e universal. O objetivo é manter o foco na identificação precoce de eventuais surtos localizados, detectar mudanças repentinas no comportamento epidemiológico e assegurar a preparação adequada para os períodos de maior sazonalidade.

- Publicidade-

O secretário estadual da Saúde, César Neves, pontuou que os resultados positivos são reflexo direto de uma atuação articulada do Governo do Estado. Segundo ele, as medidas adotadas foram fundamentadas no acompanhamento rigoroso dos índices, na estruturação da rede de atendimento e na priorização da blindagem dos grupos populacionais mais vulneráveis.

“Retornar ao cenário de normalidade é uma conquista importante para o Paraná, mas não significa baixar a guarda. A queda sustentada dos casos e dos óbitos mostra que o planejamento, a vigilância e a vacinação produziram resultados concretos. Seguiremos acompanhando os indicadores e preparados para agir rapidamente diante de qualquer mudança”, declarou César Neves.

Estratégia de imunização e resultados

Um dos pilares fundamentais para o controle das enfermidades respiratórias no estado foi a estratégia adotada na campanha de imunização. O Paraná optou por estender o período de vacinação direcionada aos públicos de maior risco, concentrando esforços iniciais em idosos, crianças menores de seis anos e gestantes, antes de abrir o leque para o restante da população.

Até o início de outubro, o território paranaense aplicou mais de 3,4 milhões de doses de vacinas, alcançando uma cobertura de 56,4% entre os públicos-alvo prioritários. A medida preventiva teve como meta principal mitigar o risco de formas graves da doença e evitar internações em massa, especialmente nos extremos da faixa etária e nos momentos de pico de transmissão viral.

A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, enfatizou que a união entre a vacinação estratégica, a vigilância ativa e a qualificação do atendimento médico foi determinante para salvar vidas. “A vacinação planejada permitiu concentrar esforços nos grupos que mais precisam de proteção e ampliar essa proteção de forma gradual. Quando aliamos cobertura vacinal, diagnóstico oportuno, atendimento organizado e informação de qualidade, conseguimos reduzir complicações e salvar vidas”, pontuou.

- Publicidade-

A Secretaria de Estado da Saúde orienta que os cidadãos continuem adotando hábitos preventivos e busquem atendimento médico imediato caso apresentem sintomas de agravamento. Os canais oficiais da pasta seguirão divulgando boletins informativos sobre a circulação de vírus, calendários de vacinação e recomendações pertinentes.

Manutenção dos fluxos de atendimento

Mesmo com o cenário controlado, a estrutura de vigilância permanece em funcionamento com o monitoramento contínuo da circulação de vírus por meio de unidades sentinelas, além do acompanhamento diário da taxa de ocupação de leitos hospitalares e dos casos suspeitos e confirmados de SRAG.

Os fluxos de atendimento nas portas de entrada dos hospitais e unidades de pronto atendimento seguem rigorosamente as normas de notificação, investigação clínica, classificação de risco e orientação sobre o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs). O Plano de Contingência também assegura a manutenção de estoques estratégicos que incluem insumos laboratoriais, antivirais, vacinas e equipamentos de proteção, além de capacitações constantes para os profissionais da área médica.

- Publicidade-

Para a diretora Maria Goretti, o nível Zero representa estabilidade, mas exige vigilância constante. “A normalidade é um cenário de acompanhamento permanente. Mantemos a vigilância laboratorial e epidemiológica, o monitoramento da assistência e a comunicação com os serviços de saúde para reconhecer rapidamente qualquer alteração. Essa rotina é o que garante segurança para a população e agilidade na resposta do Estado”, concluiu.

As decisões da Sesa continuam sendo tomadas com base em ferramentas precisas, como o Diagrama de Controle de SRAG, o Painel de Vigilância de Vírus Respiratórios e o cruzamento de dados sobre óbitos.

Reconhecimento nacional

O modelo de gestão adotado pelo estado consolidou o Paraná como referência nacional no combate às Síndromes Respiratórias Agudas Graves. O destaque do estado foi formalmente reconhecido durante uma oficina técnica que reuniu gestores de saúde pública, contando com a participação de representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Fonte:: saude.pr.gov.br

Compartilhe esta notícia