Hemepar inicia testes sorológicos para segurança em transplantes

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Saude.pr.gov.br

Com o objetivo de aumentar a segurança e acelerar os procedimentos de transplante de órgãos e tecidos, o Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), estabeleceu uma parceria pioneira entre o Sistema Estadual de Transplantes (SET) e o Laboratório do Hemocentro Coordenador do Paraná, o Hemepar. Essa colaboração visa proporcionar uma proteção adicional aos pacientes transplantados na Macrorregião Leste.

Anteriormente, os exames eram realizados em um laboratório terceirizado, que teve seu contrato encerrado. Entre os exames que deixaram de ser realizados estão os de Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, HTLV, Toxoplasmose e Citomegalovírus. A nova parceria, no entanto, permite a inclusão do teste NAT (Teste de Ácido Nucleico), uma tecnologia inovadora destinada a amostras provenientes de doadores múltiplos de órgãos.

Os testes são realizados utilizando plataformas de triagem que utilizam a tecnologia de quimioluminescência, uma das técnicas mais avançadas disponíveis hoje no mundo para triagem sorológica. Além disso, para incrementar ainda mais a segurança dos transplantes, também são aplicadas técnicas complementares de biologia molecular, por meio de PCR em tempo real, para detectar infecções como HIV, Hepatite B, Hepatite C e Malária com rapidez e precisão.

“Dessa maneira, reforçamos a segurança dos transplantes de órgãos no Paraná, com a utilização de testes de alta qualidade e alto desempenho. Isso garante um processo de triagem que é seguro, ágil e efetivo, impactando diretamente na proteção e no cuidado com os pacientes”, afirmou César Neves, secretário de Estado da Saúde.

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A ampliação dos exames realizados por laboratórios que recebem amostras de doadores de órgãos está em conformidade com a Portaria nº 8.041 do Ministério da Saúde (MS), publicada em setembro de 2025, que previa um prazo inicial de adequação até março de 2026. Este prazo, porém, foi estendido por mais 180 dias através da portaria nº 10.344, emitida em abril deste ano.

Testes em Todas as Macrorregiões

Na Macrorregião Leste, os testes são realizados pelo Laboratório de Sorologia do Hemocentro Coordenador do Paraná (Hemepar). Na Macrorregião Oeste, são feitos em laboratório terceirizado, enquanto as macrorregiões Norte e Noroeste concentram os exames no laboratório do Hospital Universitário de Londrina.

Vivian Patricia Raksa, diretora do Hemepar, ressaltou a importância desta nova fase nos serviços oferecidos pelo laboratório, além dos avanços alcançados pela hemorrede nos últimos anos no Paraná. “Os investimentos que a rede Hemepar recebeu nos últimos anos permitiram a modernização do nosso laboratório, garantindo um atendimento mais eficiente e responsável aos paranaenses”, observou.

Juliana Ribeiro Giugni, coordenadora do Serviço Estadual de Transplantes (SET), destacou que a testagem realizada diretamente por um serviço público fortalecerá ainda mais o Paraná como referência na captação e transplantes de órgãos. “O Paraná se destaca na captação e transplantes no Brasil, apresentando o dobro de doadores por milhão de população (40,4 pmp) em comparação à média nacional (20,2 pmp)”, afirmou.

Serviço Estadual de Transplantes

Em 2024, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) elaborado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o Paraná foi o estado com o maior número de doadores de órgãos por milhão de população (pmp), atingindo a média de 42,3 pmp, significativamente superior à média brasileira, que ficou em 19,2 pmp.

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Os dados parciais de 2025, considerando os primeiros nove meses do ano conforme relatório da ABTO, indicam que o Paraná ocupava até aquele momento a segunda colocação com 39,7 pmp, atrás apenas de Santa Catarina, que registrou 43,7 pmp. O Sistema Estadual de Transplantes aponta uma elevação nesse índice para 40,4 pmp. O Paraná destaca-se com o dobro do número de doadores em relação à média nacional, que é de 20,2 pmp.

O sucesso do Paraná é sustentado por uma das estruturas mais robustas do país, contando com quatro Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) situadas em Londrina, Maringá, Cascavel e Curitiba; 70 hospitais notificantes; 34 equipes transplantadoras de órgãos e 72 equipes de tecidos; cinco laboratórios de histocompatibilidade, três de sorologia e três bancos de tecidos, além de cerca de 700 profissionais especializados.

Outro aspecto que reforça a posição de liderança do Paraná é a baixa taxa de recusa familiar. Desde 2020, o estado vem mantendo uma das menores taxas do Brasil. Até junho de 2025, apenas 31% das famílias recusaram a doação, enquanto a média nacional foi de 45%. Este índice é o resultado da capacitação contínua das equipes médicas e da abordagem humanizada junto às famílias.

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Fonte: saude.pr.gov.br

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