Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná celebra um século de história na saúde pública

Marcelo Borges
9 min. de leitura
Foto: Divulgação / Saude.pr.gov.br

Completando um século de existência nesta terça-feira (20), o Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSPR), situado em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, consolida uma trajetória marcada por profundas transformações na medicina, na assistência à população e nas políticas públicas de saúde. Fundada em 20 de outubro de 1926, a instituição atua atualmente como uma referência de destaque no atendimento especializado prestado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A unidade hospitalar, que é mantida pelo Governo do Estado e administrada pela Fundação Estatal de Atenção em Saúde (Funeas), presta atendimento a pacientes oriundos de 56 municípios paranaenses. Sua infraestrutura engloba serviços de alta relevância nas áreas de dermatologia, hanseníase, cirurgia vascular e manejo de feridas complexas, além de desempenhar um papel fundamental em atividades acadêmicas de ensino e formação médica especializada.

Evolução e expansão dos atendimentos

O centenário da instituição também é definido pela expressiva ampliação da capacidade de assistência. A partir do ano de 2020, o hospital iniciou uma ampla reestruturação administrativa e assistencial, resultando na expansão dos serviços oferecidos à comunidade. Esse avanço reflete diretamente nos números: o volume de atendimentos saltou de 25.889 em 2021 para 167.051 em 2025, o que representa um crescimento de 545%. Somente no período compreendido entre janeiro e setembro de 2026, a unidade registrou outros 118.924 procedimentos. No total, desde 2021, mais de 673.926 atendimentos foram realizados pelo SUS.

Atualmente, o fluxo diário da unidade gira em torno de 500 atendimentos, compreendendo consultas médicas, realização de curativos e procedimentos especializados de média e alta complexidade.

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“São 100 anos de uma instituição que acompanhou a evolução da medicina e se transformou em referência na assistência especializada. Seguimos investindo na modernização e ampliação dos serviços para garantir mais acesso e qualidade no atendimento à população”, destacou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

Para suprir a crescente demanda e otimizar a estrutura de atendimento, o complexo passa por um abrangente processo de modernização. Os investimentos estaduais destinados às obras alcançam o montante de R$ 39,5 milhões, com previsão de finalização total para o ano de 2027.

O projeto prevê a implantação de um novo Ambulatório Médico de Especialidades (AME), elevando de 28 para 54 o número de consultórios disponíveis. Além disso, a planta arquitetônica contemplará um moderno centro cirúrgico dotado de duas salas, 12 leitos de retaguarda, um centro de diagnóstico completo e um serviço especializado em oxigenoterapia hiperbárica, tecnologia empregada como terapia complementar no tratamento de lesões crônicas e de difícil cicatrização.

De hospital-colônia a centro de referência

Antes de alcançar o status de polo em atendimento especializado, a instituição operou sob uma realidade completamente distinta. Inaugurado originalmente sob a denominação de Hospital São Roque em 1926, o local foi estabelecido com o propósito específico de acolher pessoas acometidas pela hanseníase.

Durante as primeiras décadas do século XX, a escassez de tratamentos farmacológicos eficazes e as diretrizes sanitárias vigentes no Brasil resultaram na proliferação de hospitais-colônia, estruturas concebidas para o isolamento compulsório de pacientes diagnosticados com a enfermidade. O São Roque chegou a abrigar cerca de 1,3 mil pacientes de forma simultânea. Mais do que um mero estabelecimento médico, o complexo funcionava como uma autêntica mini-cidade, dispondo de áreas residenciais, templo religioso, cinema, agência de correios, cemitério e até mesmo uma unidade prisional interna.

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Para os internos, o espaço representava não apenas um ambiente terapêutico, mas o local onde transcorreu grande parte de suas trajetórias existenciais, permanentemente segregados do convívio familiar e comunitário. Com o advento de novas descobertas científicas e a reformulação das diretrizes de combate à hanseníase, esse modelo segregacionista foi paulatinamente superado.

No ano de 1983, a gestão da unidade foi transferida para a alçada da Secretaria de Estado da Saúde, passando a intitular-se Hospital de Dermatologia São Roque. Posteriormente, em 1990, adotou a nomenclatura definitiva de Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, inaugurando uma fase voltada à abertura de portas para a comunidade e à descentralização dos serviços de saúde.

Diversificação da assistência médica

Nas últimas décadas, o perfil assistencial da instituição foi diversificado, incorporando o diagnóstico e o acompanhamento de uma ampla gama de patologias dermatológicas e vasculares.

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Além do suporte contínuo a portadores de hanseníase, o hospital atende pacientes diagnosticados com psoríase, eczemas, afecções vasculares, lesões cutâneas e feridas crônicas. O rol de procedimentos engloba consultas médicas especializadas, estomaterapia, curativos especiais, sessões de fototerapia, intervenções dermatológicas e uma atuação integrada de equipes multiprofissionais nas especialidades de fisioterapia, nutrição, psicologia, serviço social e terapia ocupacional.

A unidade também promove periodicamente mutirões voltados à detecção precoce de lesões suspeitas de câncer de pele, bem como ao atendimento de pacientes que manifestam complicações vasculares, com ênfase nos membros inferiores.

Educação, ensino e preservação histórica

O compromisso com a excelência na saúde pública também se reflete no incentivo à educação e na qualificação de novos profissionais. Em 2023, o hospital implantou o Programa de Residência Médica em Dermatologia, devidamente credenciado e autorizado pelo Ministério da Educação (MEC).

Para o ano do centenário, em 2026, está programada a formatura da primeira turma de médicos residentes, consolidando o papel da instituição como um polo indutor de conhecimento técnico, ensino e aprimoramento profissional.

Em paralelo, o complexo abriga o Museu São Roque (Musar), inaugurado em março de 2020 em uma das edificações de valor histórico do complexo. O espaço cultural abriga um acervo composto por documentos originais, artefatos históricos e registros fotográficos que elucidam a trajetória da hanseníase no estado, as antigas normativas de isolamento e a evolução dos paradigmas assistenciais.

O Musar destaca-se como o primeiro museu paranaense voltado estritamente à preservação da memória e da evolução terapêutica da hanseníase, desempenhando um papel pedagógico essencial no combate aos estigmas históricos associados à enfermidade.

Agenda comemorativa do centenário

As comemorações oficiais estenderam-se ao longo do mês de outubro, englobando celebrações religiosas, eventos culturais, solenidades de homenagem e simpósios técnicos focados na troca de experiências sobre o manejo da hanseníase. A programação teve início em 18 de outubro, com uma celebração eucarística conduzida pelas Irmãs Franciscanas de São José, congregação religiosa cuja presença marcou a história do hospital desde a sua fundação.

A programação institucional incluiu ainda atividades voltadas especificamente para servidores e pacientes, com apresentações musicais, premiações de concursos internos de fotografia, o plantio solene de uma muda de ipê e mostras artísticas. Nos dias 28 e 29 de outubro, o hospital sediará o 2º Encontro de Hospitais Parceiros do Instituto Alliance Contra Hanseníase, congregando especialistas de diversas regiões do país.

O evento técnico contará com a presença de delegações de referência nacional, como o Instituto Lauro de Souza Lima, sediado em Bauru (SP), o Hospital São Julião, localizado em Campo Grande (MS), e a Fundação Hospitalar Alfredo da Mata, em Manaus (AM), além de outras organizações de destaque no setor da saúde.

Fonte:: saude.pr.gov.br

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