Estudantes brasileiros cobram ensino de qualidade e melhor formação de professores

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Melhorias relacionadas ao ensino e à aprendizagem representam a principal expectativa de pelo menos um quarto dos estudantes brasileiros do ensino médio em relação aos governos que se iniciam em 2027. Para esse grupo, a qualidade do ensino está diretamente conectada à atuação do corpo docente em sala de aula.

O levantamento ouviu 5.296 alunos do ensino médio e dos anos finais do ensino fundamental (6° ao 9° ano) nas cinco regiões do país. De acordo com os participantes, as mudanças necessárias devem contemplar aulas mais dinâmicas e diferentes, capacitação contínua dos professores e a redução da ausência de docentes.

A pesquisa intitulada “O que os estudantes pensam sobre a Educação?” foi encomendada ao Instituto DataFolha pelas fundações Itaú, Lemann, Telefônica Vivo, além dos institutos Natura, Sonho Grande, Unibanco e Todos Pela Educação. O questionário abordou temas como o processo de aprendizagem, a atuação dos professores, a educação profissional, o uso de tecnologia e o formato de educação em tempo integral.

Desempenho e motivação dos professores

Os dados do estudo indicam que a percepção dos estudantes, com idades entre 12 e 21 anos, sobre a didática dos professores impacta diretamente a avaliação que fazem da instituição de ensino. Entre os alunos que relatam que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima. Em contrapartida, entre os que afirmam que os docentes não possuem boa didática, esse índice cai para 48%.

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Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, aponta que os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas sobre o que define uma boa escola. Segundo ele, o período eleitoral e o início de novos mandatos administrativos trazem uma oportunidade valiosa para a revisão de estratégias e a repactuação de compromissos educacionais no país.

A pesquisa também avaliou a motivação e a frequência dos professores. No ensino fundamental 2, 78% dos alunos avaliam que os docentes estão motivados para ministrar as aulas, índice que recua para 69% no ensino médio. Além disso, a ausência de professores é um problema mais perceptível no ensino médio: 66% dos matriculados nessa etapa concordam, total ou parcialmente, que há disciplinas que ficam períodos sem professor. No fundamental 2, o índice é de 61%.

Demanda expressiva por ensino técnico

O levantamento revelou que mais de 90% dos estudantes consideram importante ter a oportunidade de realizar um curso técnico ou profissionalizante durante essa fase educacional. O dado contrasta com a realidade atual da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil. Conforme o Censo Escolar de 2025, apenas cerca de 20% dos estudantes do ensino médio estão matriculados em cursos profissionalizantes.

Integração da tecnologia no ambiente escolar

A tecnologia é apontada como um elemento presente na rotina escolar, com 70% dos estudantes afirmando que os professores utilizam ferramentas tecnológicas nas aulas pelo menos uma vez por semana. A inteligência artificial também integra essa rotina, sendo usada por 71% dos alunos com frequência ou ocasionalmente para estudos. Apesar disso, quase um terço dos estudantes discorda da afirmação de que os professores estão bem preparados para incorporar recursos tecnológicos em sala de aula.

Impacto positivo do tempo integral

Entre os alunos matriculados em escolas de tempo integral, 74% avaliam a instituição como boa ou ótima, enquanto o índice entre estudantes do ensino regular é de 68%. Os principais benefícios apontados incluem maior tempo para absorção de conteúdos, participação em atividades esportivas, artísticas e culturais, além de melhor preparação para vestibulares e para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

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Entre os jovens do ensino médio que não frequentam o modelo integral, 20% relatam que precisam trabalhar ou exercer atividades remuneradas.

Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, destaca que a pesquisa demonstra a maturidade dos estudantes em identificar o que é essencial para o ambiente escolar. Para a especialista, quando a aprendizagem, a formação técnica, o uso de tecnologia, o tempo integral e a capacidade de escolha ganham destaque, os jovens enviam um sinal claro para os formuladores de políticas públicas.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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